quarta-feira, 31 de dezembro de 2014 às 10:13

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Guardiões da Galáxia: a aventura espacial mais divertida desde Star Wars

Nota 4/5
Guardiões da Galáxia
Você é responsável por suas atitudes! Essa talvez seja uma das maiores verdades universais. Tudo que fazemos ou deixamos de fazer, molda nosso caráter e ressoa no infinito. Tive uma prova disso essa semana. Sete anos atrás escrevi um e-mail infeliz insinuando a um amigo que ele havia tido um comportamento preconceituoso. Depois de todo esse tempo, ele retornou minha mensagem encerrando a amizade e cortando o diálogo. Claro, se pudesse voltar no tempo, não teria apertado o botão enviar. A história seria reescrita.

Com esse mesmo dilema, logo na primeira cena do filme Guardiões da Galáxia, o menino Peter Quill (Chris Pratt) tem a chance de abraçar a mãe pela última vez. Deitada no leito de morte, a despedida não acontece. O garoto hesita. Essa chance perdida acaba forjando seu espírito para sempre. Daquele momento em diante, o rapaz joga-se de forma inconsequente em todas as aventuras. Certamente influenciado pela ideia da passividade, ele assume um comportamento imprudente em suas decisões.

Guardiões da Galáxia Guardiões da Galáxia

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domingo, 22 de setembro de 2013 às 11:40

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Inferno: uma peregrinação malthusiana pelo ponto turístico criado por Dante Alighieri

Nota 4/5
Inferno - Uma Nova Aventura de Robert Langdon
Acabamos de chegar à marca de 7,2 bilhões de pessoas vivendo na Terra. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as projeções de crescimento demográfico apontam que esse número será de 8,1 bilhões em 2025. É matemática: o consumo de recursos naturais hoje excede em 50% a capacidade da natureza de se renovar. Mantendo esse padrão de vida, em 20 anos serão necessários dois planetas Terra. Esse é o resultado do ritmo de crescimento da população mundial a partir da Revolução Industrial.

A explosão demográfica foi abordada de forma contundente em 1968, através da publicação do livro "A Bomba Populacional", do biólogo americano Paul Ehrlich. Naquela época a população era de apenas 3,5 bilhões. O problema da superpopulação estava só decolando. Desastres envolvendo a escassez de alimentos, a destruição da natureza e riscos biológicos, eram apenas enredos de ficção científica. A revista Superinteressante de maio de 1993 (ed. 068) abordava o tema: "O argumento de Ehrlich era simples: se o crescimento da população não fosse contido, a própria natureza se incumbiria de contê-lo."

Esse assunto volta à pauta global por culpa do livro Inferno - Uma Nova Aventura de Robert Langdon, sexto romance policial do escritor americano Dan Brown. Em teoria, debater um tema tão complexo através das peripécias de um professor de simbologia que usa relógio do Mickey, chega a ser patético. Na prática, os recursos estilísticos empregados têm compromisso apenas com a beleza estética do texto e com o nível de imersividade na história. A ficção termina na ficção. Mas o que não podemos negar é a plasticidade da Teoria Populacional Malthusiana, argumento que sustenta o romance.

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domingo, 21 de julho de 2013 às 15:00

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O Homem de Aço: antropologicamente uma das mais completas e instigantes alegorias sobre família e poder

Nota 4/5
O Homem de Aço
"O que é um homem? Um homem não é nada. Sem sua família, ele é de menor importância que aquele inseto que atravessa a trilha, de menor importância que a saliva, que as exúvias. Pelo menos, elas podem ser usadas para ajudar a envenenar um homem. Um homem deve estar com sua família para ter alguma importância conosco. Se ele não tem ninguém para ajudá-lo, na primeira dificuldade em que se meter será morto pelos seus inimigos, porque não terá parentes a ajudá-lo a combater o veneno do outro grupo."

O kryptoniano Kal-El, no filme O Homem de Aço, certamente concordaria com essa filosofia soliloquiada por um velho índio pomo, da Califórnia, citado por Hoebel & Frost no livro "Antropologia Culural e Social". A família é fundamento de todas as sociedades existentes. É impossível entender o funcionamento da maioria das sociedades passadas e presentes, sem compreender o parentesco. Esse pra mim é o tema central da nova adaptação para o cinema da história do Superman. A jornada de provações mentais de nosso herói exerce mais importância que o processo de aprendizagem dos superpoderes físicos.

O Homem de Aço O Homem de Aço

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domingo, 11 de novembro de 2012 às 11:51

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Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa: domesticação zumbi no caminho do bicho homem

Nota 4/5
Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa
Ir ao supermercado, levar as crianças à escola, pagar as prestações do carro. Pequenas atividades que em conjunto formam nossa rotina. E no exercício dessa dinâmica social, o homem se mantém em segurança e assume a condição de civilizado. Mas... e se não existisse essas regras? E se uma doença contaminasse os sete bilhões de habitantes do mundo, transformando todos os mortos em zumbis? Nesse caso, sobreviver não seria apenas uma reflexão filosófica; sobreviver seria o pão de cada dia. Pra mim é difícil imaginar que novo humano nasceria desse cenário.

Uma possibilidade está na história em quadrinhos Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa. Ela nos apresenta um cardápio de arquétipos do bicho homem forjados nos extremos entre razão e loucura. Aqui nesse ponto da saga, Rick e sua pequena comunidade estão estabelecidos em um presídio abandonado. No local encontram tranquilidade suficiente para voltar a sentir o gostinho humano das intrigas e vaidades. Momentos só abalados com a misteriosa queda de um helicóptero nas redondezas, obrigando a divisão da equipe e a descoberta do processo de domesticação zumbi.

O material diz respeito aos volumes mensais de 25 a 30 da premiada grafic novel "The Walking Dead", publicados originalmente nos EUA entre os meses de janeiro e agosto de 2006. Esse arco coincide com o início da terceira temporada do famoso seriado televisivo. O tom entre essas duas obras é o mesmo, porém com significativas diferenças de roteiro. Personagens mortos no programa da TV ainda vivem na HQ. O relacionamento entre eles também difere, assim como o humor/comportamento, como exemplo o da Lori. Mas realmente brutal é a discrepância entre os "Governadores", especialmente na introdução do personagem ao enredo.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012 às 13:49

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Batman - O Filho do Demônio: a história que nos desafia a decifrar o mistério da paternidade do Cruzado Encapuzado

Nota 4/5
Batman - O Filho do Demônio
Desde o primeiro dia de nascimento de seu filho, o inglês Ian McLeod vem registrando fotos diárias do menino. Depois de 21 anos e mais de 7500 registros, esse disciplinado pai compilou tudo em um vídeo. Qual a explicação para tamanha dedicação? O que motivou esse homem? O que acontece conosco diante do nascimento de um filho? Não é difícil explicar. A experiência da paternidade reconstrói a escala de valores, tornando a vida linear, com missão, objetivo e estratégia bem definida: a segurança do filho.

Com a maioria das pessoas é assim. Mas com algumas é difícil imaginar a figura paterna. A grafic novel Batman - O Filho do Demônio tenta quebrar esse preconceito, mostrando que até os super-heróis se curvam diante do milagre da vida. Aqui a história central é a união de forças entre o Homem-Morcego e seu lendário inimigo Ra's al Ghul, contra um terrorista genocida chamado Qaym. Mas a grande trama é o romance de Bruce Wayne e Talia. É na união do morcego com o demônio que surge o laço eterno sob a benção de um filho: Damian.

Batman - O Filho do Demônio foi publicada originalmente nos EUA em 1987, tornando-se um clássico ao longo dos anos. A maior parcela do sucesso é atribuída ao texto de Mike W. Barr, que realmente construiu muito bem a história. Desde a primeira sequência -- em o herói salva uma mulher grávida -- até a última, há sempre uma conexão simbólica que nos leva à reflexão. Há também uma sagacidade cômica que salta aos olhos, como na recomendação de Batman: "Uma criança precisa dos pais. É terrível que tenha que crescer sozinha".

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