segunda-feira, 23 de abril de 2007 às 00:39

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Cartas de Iwo Jima: os horrores da guerra na visão dos inocentes

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006) mostra a "versão japonesa" da guerra envolvendo Estados Unidos e Japão pela conquista da ilha de Iwo Jima, durante a 2ª Guerra Mundial em 1944. O diretor Clint Eastwood foi muito feliz ao contar a mesma história sob duas perspectivas. A primeira foi mostrada no filme "A Conquista da Honra" (leia meu post), em que o foco é a crítica à criação dos "heróis de guerra americanos".

Em Cartas de Iwo Jima o papo é outro. Clint explora a fragilidade do comando militar japonês. Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe) é um tenente-general do Exército Imperial. Muito respeitado por ser um hábil estrategista e profundo conhecedor da capacidade tecnológica do exército ocidental, o Japão colocou em suas mãos o destino de Iwo Jima, considerada a última linha defesa do país. O problema é que os militares japoneses mais tradicionais não aceitavam o fato de serem comandados por um general "americanizado". Resultado: quebra de comando.

Mas o que chamou mesmo minha atenção foi a vontade que os caras tinham de "morrer com honra". Os malucos nipônicos dão de pau na tropa de Leônidas do filme "300" (leia meu post). Os caras preferem o suicídio a lutar. Na cena mais forte do filme uma guarnição inteira se mata. Um a um os caras vão estourando granadas no próprio peito. Eles acham lindo decidir sobre a própria morte. Grande merda.

      

Cartas de Iwo Jima me deixou meio perturbado. Difícil entender o raciocínio deles. Fiquei entusiasmado para assistir aos clássicos de Akira Kurosawa. Quero vê se compreendo essa tradição que vêm desde os Samurais. Em decorrência disso, o Japão tem hoje a mais alta taxa de suicídio do mundo industrializado (02,1 por 100.000 habitantes, segundo a AFP).

Outra coisa que não entendo é a dinâmica da guerra. Como pode, dois povos com culturas tão ricas e de características tão excepcionais como Japão e Estados Unidos, guerrear? Jovens matando uns aos outros, famílias destruídas pela intolerância humana, sangue a troco de nada. Eu realmente não entendo.

Mas no final das contas, o bom mesmo foi mudar de lado nessa batalha. Mesmo derrotado, gostei da tática militar das cavernas. Os orientais pareciam uns tatus correndo entre as grandes escavações. E olha que o filme começa meio sonolento, mas a história vai ganhando dramaticidade a cada minuto. Cartas de Iwo Jima mostra os horrores da guerra a partir dos olhos inocentes do padeiro Saigo (Kazunari Ninomiya), um soldado cujo único objetivo é voltar vivo para sua família.

Com roteiro de Iris Yamashita, baseado em livro de Tadamichi Kuribayashi e em história de Paul Haggis. Cartas de Iwo Jima contou com produção do mestre Steven Spielberg. Não por acaso o longa ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e o Oscar de Melhor Edição de Som, além de ser indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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terça-feira, 17 de abril de 2007 às 01:35

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Firewall - Segurança em Risco: um filme altamente previsível

Firewall - Segurança em Risco (Firewall, 2006) é um bom suspense. Recheado com brinquedinhos tecnológicos, o filme ganhou minha simpatia. Apesar de repetitiva, a história é legal. Jack Stanfield (Harrison Ford) é um dos mais respeitados especialistas em segurança de computadores. O sistema antifraude desenvolvido pelo cara é praticamente impenetrável.

Mas em casa de ferreiro, espeto de pau. O assaltante Bill Cox (Paul Bettany) sabe desse ditado e passa a monitorar a vida de Jack. Tudo é hackeado, desde suas atividade na internet até suas conversas telefônicas. Para dá conta disso tudo, os assaltantes usam uma rede de câmeras digitais e microfones parabólicos.

      

Por saber tudo da vida de Jack, Bill e uma equipe de mercenários conseguem invadir sua casa e manter Beth e seus filhos como reféns. Para que sua família sobreviva, Jack precisa participar de um esquema para roubar US$ 100 milhões. Com todas as rotas de fuga possíveis tendo sido bloqueadas por Bill, Jack é obrigado a encontrar uma falha em seu próprio sistema de segurança que possibilite a transferência da quantia desejada para uma conta no exterior.

Eu confesso: Firewall é um filme altamente previsível. Nem mesmo as fracas reviravoltas surpreendem. Mas um bom espectador não deve levar o filme muito a sério. Pensa bem, vê o Indiana Jones acessando internet wireless num laptop no meio do deserto é ou não tremendamente legal?! Nota 2/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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domingo, 15 de abril de 2007 às 23:07

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Filhos da Esperança: apesar das excelentes referências, um filme chato

Quem me conhece sabe: bastar falar em distopia para fisgar minha atenção. Sociedades futuristas com governos totalitários é meu tema predileto. Acho que isso ainda vai render um bom trabalho acadêmico, quem sabe.

Filhos da Esperança
(Children of Men, 2006), filme que recebeu 3 indicações ao Oscar (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição), fala desse assunto. No futuro retratado no filme, as mulheres não conseguem engravidar, com isso a humanidade corre o risco de extinção. Até que surge, em Londres, uma jovem refugiada africana grávida, isso dá início a perseguições e disputas entre governo, rebeldes e ativistas.

Dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, escrito pelo mesmo em parceria com Timothy J. Sexton e baseado no romance "The Children of Men" (1992), da inglesa P. D. James, Filhos da Esperança prometia povoar minha mente com perguntas e idéias. Prometeu, mas não cumpriu. Mergulhar na idéia que as mulheres não conseguem mais engravidar é tosco.

      

No livro "Admirável Mundo Novo" (leia meu post) de Aldous Huxley, as mulheres também não engravidam. A questão é que não o fazem por opção. Os bebês são "cultivados" em laboratórios. Tudo bem que Filhos da Esperança se passa em 2027, mas ainda assim é um enredo difícil de engolir. Até mesmo hoje, nossa ciência já seria capaz de criar clones humanos.

Partindo dessa premissa, ficou difícil gostar do filme. A idéia foi legal, a intenção merece aplausos, a fotografia é nebulosa, os movimentos de câmera criam um clima legal, gostei das referências ao Pink Floyd, ao George Orwell, gostei das críticas políticas e do engajamento social. Mas o filme é chato e sem graça. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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