terça-feira, 14 de agosto de 2007 às 22:39

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O Albergue 2: a tortura-pornô perdeu a graça

O Albergue 2 (Hostel: Part II, 2007) é um lixo. O terror dirigido/roteizado por Eli Roth e produzido por Quentin Tarantino é um filme chato, trash e carente de inteligência. A parte mais "divertida" foi acompanhar o leilão on-line de uma garota. Empresários e políticos do mundo inteiro fazendo ofertas para ter o prazer de esquartejar a menina. E é só isso mesmo.

Antes do lançamento do filme, Eli Roth prometia em entrevista que O Albergue 2 seria aterrorizante: "Diferente do primeiro, este não será um filme-família", comentou o diretor, com sarcasmo. "Este terá algum sangue e será um pouco mais sombrio e violento", completa. E ele provoca mais: "O primeiro filme é uma jornada ao inferno que começa divertida. A segunda parte vai começar assustadora e vai se manter arrepiante até o final".

      

Mentira! O filme é ultrajante. Eu me pergunto por que diabos o Tarantino foi se meter num projeto de bosta feito esse. Um filme sem paixão, sem diálogos inteligentes, sem cultura pop, sem personagens estilosos e cenas inovadoras. Ainda bem que Eli Roth prometeu que não haverá "O Albergue 3". Sorte nossa!

E não haverá porque acabou o interesse pelo filme. A bilheteria de O Albergue 2 foi pífia nos Estados Unidos. Ninguém está mais interessado nessa história de sexo e sangue. Aliás, estou convencido que O Albergue 2 é um grande fetiche de Eli Roth. Ele deve ficar excitado vendo mulheres nuas banhando em sangue e cortando bilaus.

      

A trama se foca em três jovens americanas que estão em Roma durante o verão fazendo um curso de arte. Numa viagem de trem as moças são atraídas para aquele velho albergue eslovaco do primeiro filme. Logo, as amigas se vêem experimentando uma realidade cruel ao caírem nas mãos de homens que pagam para torturar pessoas até a morte.

Para fechar com chave de ouro, a última cena mostra um grupo de crianças jogando futebol com a cabeça da mulher decepada. É bizarro, o garoto chega a comemorar um gol feito o Ronaldinho. Muitos argumentam que filmes de terror são assim mesmo: o importante é ver olhos sendo arrancados, cachorros devorando homens, carne humana sendo saboreada e vísceras para tudo que é lado. Mas é possível mostrar tudo isso de uma forma inteligente, basta lembrar de Kill Bill, Sin City e Hannibal. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2007 às 22:22

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Motoqueiros Selvagens: os trapalhões buscando liberdade sobre duas rodas

Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs, 2007) é de matar de rir. Uma comédia inteligente, natural e cheia de grandes atores. O filme tem tudo para agradar gregos e troianos. Uma história sobre a crise da meia-idade, utilizando como argumento o sonho de todo jovem: subir numa Harley Davidson e cruzar o país sem destino. É quase um clichê, mas viajar de moto sem destino continua sendo o exemplo mais comum quando se tenta traduzir a palavra "liberdade".

Doug Madsen (Tim Allen) é um dentista com complexo de inferioridade. Luta para conseguir a atenção do filho e sofre com a proibição de comer alimentos gordurosos. Woody Stevens (John Travolta) é um executivo rico e carismático que parece ser um grande vencedor, mas sofre com problemas pessoais. Está falido, foi abandonado pela esposa e procura uma maneira de fugir das dívidas.

      

Bobby Davis (Martin Lawrence) é um encanador desempregado dominado pela mulher. Ele decidiu ficar sem trabalhar por um ano para tentar tornar-se um escritor de sucesso. Enfrenta problemas sérios com a família, não tendo respeito de suas próprias filhas. Dudley Frank (William Macy) é um solteirão programador de informática viciado nos produtos da Apple. Ele é o melhor do filme, uma espécie de "Zacarias" no meio dos motoqueiros trapalhões.

Os quatro formam uma "gangue boazinha" chamada Motoqueiros Selvagens. Costumam sempre se reunir aos finais-de-semana para andar de moto pelo subúrbio e tomar umas cervejas num barzinho local. Até que o grupo decide agitar suas vidas monótonas com a realização de uma viagem sem destino. Cada um escapa como pode do trabalho e passam a viver cômicas aventuras na estrada, como tomar banho pelado de cachoeira na companhia de um guarda florestal boiolão.

      

Com o tempo eles começam a dividir segredos, até que enfrentam uma gangue de motoqueiros bad-boys chamada Del Fuegos, liderada por Jack (Ray Liotta). Os nossos Motoqueiros Selvagens então começam a ensinar aos baderneiros que a vida em duas rodas não é feita de brigas, quebradeiras e ameaças. E que um verdadeiro motoqueiro só descobre o seu lado "selvagem" na estrada, sentindo o vento cortando o rosto até entender o sentido da "liberdade". Nota 4/5

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terça-feira, 7 de agosto de 2007 às 19:03

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Tudo Sobre Minha Mãe: o clássico de Pedro Almodóvar

Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999) é um dos filmes mais premiados do espanhol Pedro Almodóvar, considerado a obra-prima de sua filmografia. O longa é vencedor do Oscar e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, ganhou a Palma de Ouro de Melhor Diretor no Festival de Cannes, levou 7 prêmios Goya e diversas outros títulos mundo afora.

A maior parte do filme se passa nos bastidores de uma peça de teatro, outra seqüência da história narra a violência contra a mulher, entramos também na vida de prostitutas e travestis. Até que finalmente, chegamos ao caldeirão emocional da vida de uma freira que descobre estar grávida e com AIDS. Assuntos polêmicos, pra variar. Logo no começo, Almodóvar nos mostra cenas de um tipo de intimidade mãe-e-filho que me fez lembrar Édipo, um personagem de um conto grego, famoso por matar o pai e casar-se com a própria mãe.

A história tem início no dia do aniversário de Esteban (Eloy Azorín), que muitos dizem ser o alter-ego de Pedro Almodóvar, já que Tudo Sobre Minha Mãe é declaradamente uma homenagem à mãe do cineasta. Como presente, Esteban ganha de sua mãe Manuela (Cecilia Roth), uma ida para ver a nova montagem da peça "Um Bonde Chamado Desejo", estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes).

      

Após a peça, ao tentar pegar um autográfo de Huma, Esteban é atropelado e acaba morrendo. Manuela resolve então ir de encontro ao pai, que vive em Barcelona, para dar-lhe a notícia, quando encontra no caminho o travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa (Penélope Cruz) e a própria Huma Rojo. Como sempre, mulheres dominam a trama. Em Tudo Sobre Minha Mãe quatro homens participam do filme: um morre logo no início, o outro é um velho gagá com apenas duas falas e os outros dois são travestis, sendo que um deles (ou delas) acaba morrendo também.

Eu não gostei do filme. Deve ser pela burca conservadorista que nos veste, mas Tudo Sobre Minha Mãe me pareceu uma poesia visual escura. Realmente não gostei. Apesar dos pesares, é inegável que Almodóvar usa — como ninguém — as técnicas emotivas a seu favor. Faz e desfaz de seus filmes verdadeiras apostilas cinematográficas do discurso estético. Tudo Sobre Minha Mãe consegue extrair emoção em cada pedaço da história. Mesmo não tendo gostado desse filme, sou obrigado a reconhecer: Almodóvar sabe contar histórias pitorescas. Nota 1/5

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sexta-feira, 3 de agosto de 2007 às 22:21

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Paranóia: um bom thriller adolescente de suspense e obsessão

Paranóia (Disturbia, 2007) é um suspense leve, que diverte e intriga. Para os geeks, o filme é um prato cheio: duelo on-line no console Xbox, acesso ao iTunes, celulares transmitindo fotos direto para a internet, transmissão de vídeos ao vivo, iPod vídeo de 60GB sendo ameaçado, monitores HDTV e citações clássicas ao YouTube. É impressão minha ou o merchandising é a estrela que mais brilha em Hollywood?

A história começa com Daniel Brecht (Matt Craven) e Kale (Shia LaBeouf, o Sam de "Transformers"), pai e filho, em uma pescaria. A cena é de total cumplicidade. Só que na volta pra casa, Kale perde o controle do carro, vitimando fatalmente seu pai. Passado um ano do acidente, Kale entra num estado de apatia e rebeldia, culminando com a sua prisão domiciliária por agressão a um professor em plena sala de aula.

      

Trancado em casa, sob os cuidados da mãe Julie (Carrie-Anne Moss, a Trinity de "Matrix") e sem ter muito que fazer, o cara começa a espionar os vizinhos. "Isto é realidade sem a TV, tem um mundo do lado de fora da minha janela", delira o garoto. Na janela do rapaz tem de tudo: marido que trai a esposa com a empregada doméstica, um velhote que corta a grama duas vezes ao dia, uma turma de pivetes que se diverte assistindo filmes pornô, um serial killer em potencial e uma garota de biquíni.

No "quartel-general" não falta pasta de amendoim, RedBull, pizza e todas essas porcarias que somos viciados. A espionagem do "paranóico" começa a ficar séria e ele ganha a companhia de seu amigo Ronnie (Aaron Yoo, um japinha hilário) e Ashley (Sarah Roemer), a tal garota do biquíni. O três passam a acompanhar todos os movimentos do vizinho da frente, Mr. Turner (David Morse) que acreditam ser o tal serial killer.

      

Sem criar muitas expectativas, Paranóia é um bom thriller adolescente de suspense e obsessão, recomendado para você que passou da casa dos 16. O melhor do filme é o constante clima de dúvida: o cara é ou não assassino. Achei o enredo parecido com "A Casa Monstro" (2006). Dois garotos espionam uma linda garotinha. Ela descobre e se junta aos dois para espionar a "casa do terror" onde mora o vizinho da frente. O chato é que o final é metaforicamente o mesmo. Eu esperava algo mais surpreendente. Não houve.

Quem está se dando bem mesmo é Shia LaBeouf. Além de protagonizar Paranóia, o carinha já atuou em "Arquivo-X", "Eu, Robô", "Constantine", "Transformers" e viverá o filho de Harrison Ford no quarto filme do arqueólogo "Indiana Jones". Com colegas de trabalho como George Lucas, Steven Spielberg e Harrison Ford, Shia não precisa ser tão paranóico assim. Nota 3/5

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007 às 13:21

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007 - Cassino Royale: um filme para salvar a alma de James Bond

Cara, que porrada de filme! Estou abismado com 007 - Cassino Royale (Cassino Royale, 2006). Confesso que não esperava um espetáculo feito esse. E olha que lá se vão 21 filmes protagonizados pelo agente britânico James Bond, dessa vez interpretado pelo xará Daniel Craig.

O Ás de Copas é a destreza como a história foi desenhada por Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade, como sempre, baseado no livro de Ian Fleming. E o grande trunfo ficou por conta do diretor Martin Campbell. O cara já havia dirigido "007 Contra Goldeneye" (1995), mas em Cassino Royale ele conseguiu temperar adrenalina com pequenas doses de sensibilidade. Algumas cenas são inacreditáveis para um 007.

Cassino Royale já começa em grande estilo: todo em preto e branco, com muitas sombras, duelo de olhares e jeitão de clássico policial dos anos 50. Só depois entra a abertura oficial, uma animação usando cartas e figuras coloridas, incrível. Depois somos jogados no meio da savana africana de Uganda, com direito a traficantes, crianças com suas AK-47 e tudo mais que fomos apresentados em filmes como "Diamante de Sangue" (leia a resenha). Na cena seguinte viajamos para Madagascar (esqueça o desenho da Disney).

      

É aqui que começa a cena de perseguição mais incrível que eu já vi. Já ouviu falar em Le Parkour? Esse é um esporte onde os praticantes usam próprio corpo para passar obstáculos. Ele consiste em um homem correndo de alguém e nenhum obstáculo pode pará-lo. A idéia é que os movimentos sejam executados da forma mais natural possível, como se o obstáculo fizesse parte do próprio corpo do praticante.

No filme, o nosso agente 007 empreita uma perseguição ao terrorista Mollaka, interpretado por Sébastien Foucan, um dos criadores do Le Parkour. O cara parece o Homem-Aranha pulando de um lado pra outro no meio de uma construção. A cena foi muito bem dirigida. A perseguição só termina no dentro da embaixada do Mambutu, com direito a explosões, mortes e uma saída triunfal de James Bond.

      

Os 60 minutos seguintes são de muito sol, vilões exóticos, carrões exclusivos e mulheres espetaculares, nada além do DNA jamesbondiano. Então chegamos ao tal Cassino Royale, que dá nome ao filme. A Meca de Belisário fica em Montenegro, uma pequena e montanhosa república situada nos Balcãs, no Sudeste da Europa, recentemente declarado país independente.

Cuidado: spoilers. Nesse paraíso tropical James Bond conhece a espiã Vesper Lynd (Eva Green). A cena do jogo de adivinhações da personalidade vale o ingresso. Depois uma seqüência de cenas marcantes, como Bond consolando Vesper debaixo do chuveiro [sem sexo], nosso agente sendo envenenado na mesa de pôquer e a cartada final com US$115 milhões em jogo. "Full House" versus "Straight Flush", quem leva a melhor?

      

Depois desse intervalo mais calmo, adrenalina outra vez. A cena do possante Aston Martin (veja as fotos) desviando da Vesper amarrada no meio da estrada, é de cair o queixo. Logo depois uma tortura de fazer inveja a Jack Bauer: uma cadeira sem o fundo e o cara dando marretadas nas bolas do... XX7. E o pior é que o Bond ficou morrendo de rir.

E quem diria, Bond também sabe amar. Inclusive desistiu de ser agente para "salvar a sua alma", que meigo. Mas sabemos que um homem apaixonado é um homem otário. E Agente Secreto apaixonado, é o quê? Cassino Royale levou a sério essa história a ponto de "destruir" um casarão em Veneza. Tudo para filmar a melhor cena do filme: o afogamento. Filmão esse. Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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