segunda-feira, 26 de novembro de 2007 às 02:54

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O Senhor dos Anéis - As Duas Torres: o segundo livro da trilogia Tolkien

O Senhor dos Anéis - As Duas Torres (Editora Martins Fontes, 2002) é o segundo volume da Trilogia do Anel. Em junho comentei o primeiro livro: "A Sociedade do Anel". Quero reforçar aqui a impressão que tive ao lê os dois livros da série. O Senhor dos Anéis é uma história para ser contada em seis filmes. Somente três foi muito pouco para revelar toda a magia da obra de J.R.R. Tolkien.

Mas ao contrário do que ocorreu no primeiro, o filme "As Duas Torres" (2002) é absolutamente fiel ao livro. O capítulo da Barbávore, por exemplo, é igualzinho. Nenhuma grande história foi contada sem que todos não conhecessem. Tudo bem, dessa vez houve um pouco de déjà vu, mas nada que diminua a emoção da história do Um Anel. Então vamos analisar as 364 páginas do livro e contar um pouco das diferenças em relação ao filme.

Começo falando de liderança. Aragorn é um péssimo líder! Dizer isso para alguém que só viu o filme é quase uma blasfêmia. Mas no livro todas as decisões de Passolargo resultam em tragédias. Boa parte dos problemas são causadas pela incompetência do Senhor dos Homens. Leia-se: a morte de Boromir, a morte de Gandalf, o seqüestro dos hobbits, a fuga de Frodo e Sam.

Já Gandalf, que representa um papel secundário no filme, é mostrado no livro como um semideus. E o bom de tudo é que podemos saber o que houve nas horas que antecederam sua morte e o desfecho da luta contra o dragão. Outro ponto forte do mago é o duelo com o já derrotado Saruman. E uma curiosidade: o cavalo Scardufax, que Gandalf ostenta, foi por ele roubado. Os Senhores dos Cavalos ficaram irados. Somente após curar o Rei Théoden, é que o Mago Branco finalmente ganhou a posse do cavalo.

Agora responsa rápido: o que você sabe sobre os Orcs? Eles são nojentos. Okay, o filme só mostra isso mesmo. Mas através do livro conhecemos uma nova perspectiva da história. As páginas nos levam à intimidade dos monstrengos. No meio deles a dúvida: quem manda, Sauron ou Saruman? Essa e outras perguntas só estão no livro. Surpreendente também foi saber que no meio da batalha do Abismo de Helm, Aragorn achou tempo para negociar com os Uruk-hai. Falando nele, outra curiosidade: no filme Aragorn cai de um penhasco e quase morre, lembra? Pois no livro não tem nada disso.

A história de O Senhor dos Anéis - As Duas Torres, apesar de sofrer com a "síndrome do irmão do meio", funciona numa crescente. Já beirando o fim, entramos numa das mais belas passagens: a Floresta de Fangorn. Aqui o livro é bem mais lento que o filme. Graças a essa lentidão, nos familiarizamos com o anão Gimli. O papo dele com o elfo Legolas Verdefolha, sobre as Cavernas de Helm, foi surpreendente. Quebrou o estereótipo de marrento que o anão costuma carregar.

Diferente do filme, os Caveleiros de Rohan, incluindo o Rei Théoden, acompanharam Gandalf na comitiva para Isengard, através da grande floresta das árvores falantes. Pensando um pouco com Administrador de Empresas, a conclusão é que O Senhor dos Anéis daria um belo parque temático. Eu pagaria qualquer preço para fazer um passeio a cavalo por Fangorn. Não sei se tal parque já existe, mas seria um sucesso.

Em termos de estrutura narrativa, livro e filme divergem um pouco. Principalmente com relação a seqüencia da história das comitivas. No livro cada história é contada por completo. Já no filme elas se intercalam. Por fim, vem o tão comentado capítulo a Toca da Laracna. Essa é justamente a parte que mais diverge entre livro e filme. No livro o hobbit Frodo não briga com seu amigo Sam, mandando-o embora. Aqui os dois entram juntos na toca da grande aranha. Também não é Frodo que briga com a criatura Gollum, e sim o próprio Sam. Aliás, esse episódio sequer aparece no segundo filme da trilogia.

E chega ao fim mais um episódio do fantástico texto do mestre Tolkien. Um livro que leio com o sentimento de dúvida. O que é melhor: assistir ao filme e lê o livro, ou o inverso? Confesso que sempre achei que a obra original merece prioridade. Mas o diretor e roteirista Peter Jackson adaptou a obra de Tolkien de uma maneira tão especial, que livro e filme se confundem. Pois bem, a jornada agora entrará em sua reta final. Ainda espero muitas surpresas. Tchau. Nota 4/5

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domingo, 18 de novembro de 2007 às 16:44

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Ligeiramente Grávidos: uma comédia sobre sexo, drogas e bebês

Para quem acabou de ser pai, Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007) me pareceu um ótimo filme. Porém, não é tudo aquilo que andam dizendo por aí. A revista SET, por exemplo, fez tantos elogios que cheguei a acreditar que o filme ganharia o Oscar. O fato é que Ligeiramente Grávidos é uma comédia juvenil bem mais inteligente que "American Pie" (1999), clássico do besteirol.

A meu ver, o problema é que o protagonista é absurdamente bossal. O cara passa o tempo todo falando de sexo, bacanais, drogas. Será que esse fulano é o retrato do jovem americano? Ele fala sobre uso de drogas com uma naturalidade incrível. Até mesmo com sua namorada grávida, ele fica malucão com maconha, crack e outros entorpecentes. Nos Estados Unidos a situação do jovem é essa mesmo?

Acho difícil alguém aqui no Brasil tomar o gorducho como espelho. Simplesmente é fora de nossos padrões culturais. Nesse caso é melhor deixar tudo isso de lado, fingir que somos americanos aloprados, amanteigar a pipoca e curtir o filme. Então... vamos ao play.

      

Allison Scott (Katherine Heigl) é uma jovem bonita e ambiciosa, que está para estrear como repórter de uma importante emissora de TV. Ben Stone (Seth Rogen) e seus quatro amigos dividem o aluguel de uma casa bagunçada, sendo que todos insistem em se manter na adolescência, mesmo já tendo 20 e poucos anos. Allison e Ben se conhecem numa casa noturna e, completamente bêbados, passam a noite juntos. A ligação entre eles terminaria aí, mas algumas semanas depois Allison liga para Ben para informá-lo que está esperando um filho dele. A notícia faz com que Ben passe a questionar sua própria vida, além de aproximar duas pessoas que preferiam jamais ter se conhecido.

O melhor do filme acontece quando a grávida Allison e sua irmã trintona Debbie (Leslie Mann), são barradas na porta de uma casa noturna. O porteiro autoriza somente as mulheres mais lindas e jovens a furar a fila e entrar. Nossas meninas são barradas e mandadas para o rabo da fila. Elas devem esperar, como os mortais. Aí começa a discussão: "Você não é Deus para escolher quem é bom e quem não é", diz Debbie . Depois de muita insistência, o porteiro dá uma lição nas duas:

      

"Você está certa. Eu lamento muito. Odeio esse maldito trabalho. Não quero ser aquele que julga e decide quem entra. Essa merda faz mal ao meu estômago. Tenho diarréia devido ao estresse. Não é que você não seja quente. Adoraria dar um tapa nesse traseiro. Poderia destruí-lo. Mas não posso te deixar entrar porque você é velha. E ela, grávida. Não podemos aceitar velhas e grávidas. Isso é loucura. Só posso deixar passar 5% dos negros. Significa que se houverem 25 pessoas aqui, só poderei deixar que entre um negro e um quarto. Então espero que haja um nanico negro na multidão. Por que estão aqui mesmo assim? Precisam estar numa aula de ioga ou algo do tipo. Que diabos essa grávida faz numa casa noturna? Seu traseiro velho deveria saber mais do que ninguém."

Desenvolvido para ser uma seqüência de "O Virgem de 40 Anos" (2005), com Seth Rogen e equipe reprisando seus personagens, Ligeiramente Grávidos ganhou vida própria. O sucesso do filme mostra que foi uma decisão acertada. Eu gostei. Afinal, não é todo dia que conhecemos alguém que ganha a vida assistindo filmes e procurando cenas de nudez para jogar em seu website (estilo Mr. Skin). Isso sem contar o barato que deve ser mascar cogumelos alucinógenos durante uma apresentação psicodélica do Cirque de Soleil em plena Las Vegas. Mandrake! Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2007 às 22:55

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O Ultimato Bourne: o melhor filme de ação do ano

O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007) é a terceira e última parte da Trilogia Bourne, a aventura do espião sem memória saído dos livros de Robert Ludlum. Um filme de ação inteligente, rápido e empolgante. Por esse trabalho, o diretor Paul Greengrass se tornou meu favorito na corrida ao Oscar 2008. Para quem não conhece a história contada no filme, Jason Bourne (Matt Damon) é uma mistura de Jack Bauer (do seriado "24 Horas"), Michael Scofield (do seriado "Prison Break") e MacGyver (do extinto seriado "Profissão: Perigo"). Só.

Antes de começar, já sabemos que Bourne é um espião da CIA que vive sem país e sem passado. O cara foi submetido a um treinamento brutal. E não lembra de nada. Ele é uma sofisticada arma humana, perseguido incessantemente pelos seus ex-chefes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Após sua última aparição o cara decidiu sumir para sempre e esquecer a vida que lhe foi roubada.

      

O Ultimato Bourne começa no metrô de Londres. Uma matéria publicada num jornal especula sobre sua existência. Isso torna Bourne novamente um alvo. No filme, o programa Treadstone, que criou Bourne, já não existe mais. O problema é que os federais usaram o programa para desenvolver um ainda mais letal: o Blackbriar. Esse novo programa objetiva desenvolver uma geração de novos matadores treinados secretamente pelo governo.

Essa terceira parte da Trilogia Bourne nos leva à lindas locações na Inglaterra, Espanha e Marrocos. Mas é no país africano que somos presenteados por uma das mais espetaculares perseguições do cinema. Explosões, batidas, socos e muita correria pelos estreitos becos de uma típica cidade marroquina. Mas não dá para esquecer a perseguição de carro em Nova York. Eu imagino a trabalheira para filmar aquilo tudo.

            

Gostei muito do filme. O Ultimato Bourne é um marco do cinema-ação. Especialistas dizem que a Trilogia Bourne tem tanta importância para a década de 2000, quanto "Duro de Matar" teve para os anos 1980. Com textos curtos, locações inspiradoras, uma câmera alucinada e razoáveis interpretações, O Ultimato Bourne é o melhor filme de ação do ano. Mesmo que você não tenha assistido aos outros dois filmes, recomendo muito. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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