sábado, 29 de dezembro de 2007 às 14:21

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Stardust - O Mistério da Estrela: a aventura fantástica mais bem-sucedida desde "O Senhor dos Anéis"

Seja bem-vindo ao fantástico reino encantado de Stormhold. Prepare-se para: bruxas, unicórnios, navios voadores, príncipes fantasmas, velas mágicas, mini-elefantes, flores encantadas. Stardust - O Mistério da Estrela (Stardust, 2007), uma aventura de amor e perseguição entre dois mundos paralelos. A saga de uma estrela cadente que se apaixona por um jovem mortal e muda para sempre a vida de todos.

Baseado em homônima graphic novel de Neil Gaiman (texto) e Charles Vess (ilustrações), Stardust é uma história com começo, meio e fim. Nada de trilogia! O que hoje em dia é uma baita qualidade para um filme desse gênero. Desde "O Senhor dos Anéis" não se via uma aventura fantástica tão cativante. A história preenche todos os corações e mentes carentes de hobbits. Mas cuidado: o foco aqui não são os efeitos especiais nem as criaturas mitológicas. Muito pelo contrário, nota-se um esforço dos autores para que não percebêssemos que o filme se trata de um conto de fadas. Se isso é bom ou ruim eu não sei.

      

O protagonista da história é Tristan (Charlie Cox), abandonado pela mãe ainda bebê, mora com seu pai num pequeno vilarejo vitoriano chamado Wall. Jovem, ambicioso e inseguro, tenta a todo custo conquistar o coração de Victoria (Sienna Miller), a mulher mais linda das redondezas. A moça promete que se casará com ele, caso consiga capturar uma estrela cadente. Tristan aceita o desafio e parte em sua jornada heróica.

O problema é que a estrela caiu além dos muros da cidade, numa terra proibida, misteriosa e encantada chamada Stormhold. Ao chegar no local da queda da estrela, o rapaz descobre que o astro luminoso se transformou em uma linda garota chamada Yvaine (Claire Danes). Que vida difícil desse camarada, não acha?! A tarefa agora é levar a moça ao vilarejo e conquistar o amor de sua venerada.

Porém, uma velha feiticeira chamada Lamia (Michelle Pfeiffer) e suas irmãs megeras, também querem a estrela. Caso você não saiba, com o coração de uma estrela é possível ser eternamente jovem. O príncipe Primus (Jason Flemyng) é outro que também persegue a estrela, pois a moça brilhante carrega no pescoço um colar que poderá torná-lo Rei de Stormhold. Mas antes disso o candidato a majestade precisa eliminar todos os outros concorrentes ao trono.

      

No meio da perseguição, Tristran e Yvaine conhecem o Capitão Shakespeare (Robert De Niro), um velho pirata dos ares, especialista em capturar relâmpagos. É nesse navio mágico que Tristran cresce, aprende a lutar e abandona as feições de menino, tornando-se um herói de direito. Entre uma cena e outra, o amor de Yvaine por Tristran aumenta e passa a ser recíproco.

Okay, admito que resumir Stardust dessa forma faz o filme parecer mais uma dessas fantasias bobinhas. Reconheço que o enredo parece um pouco com a boba adaptação de "As Crônicas de Nárnia" (de criança bastada a rei da terra encantada). A diferença é que aqui somos logo seduzidos por um humor adulto, sexual até. Nada de piadas manufaturadas, a graça da história está presente nas palavras ou, em muitas vezes, na ausência delas. E o filme é sensacional. Várias quebras de ritmo e constantes surpresas nas atitudes de heróis e vilões. Grande mérito do diretor que soube conduzir a história com rapidez e destreza.

De longe o maior destaque é Michelle Pfeiffer na pele de sua bruxa, ora jovem, ora velha. A loira conseguiu interpretar uma personagem demoníaca e engraçada. Quase sempre somos tentados a torcer para que a feiticeira consiga sua almejada "beleza eterna". Destaque também para os príncipes fantasmas, responsáveis pela diversão dantesca. E não posso esquecer de Robert De Niro. O capitão-gay é hilário. A piscada de olho que ele dá no final do filme, fecha a história com chave de ouro.

      

Negativamente posso apontar a fraca motivação do protagonista. Buscar uma estrela para conseguir uma namorada?! Fala sério! Caso me chamassem para reescrever a história, faria Tristan enfrentar a jornada em busca de sua mãe. Acho que assim sua motivação faria muito mais sentido, pois a separação já durava 18 anos. No final das contas, a cena em que o cara reencontra a mãe é ruim, fria e sem emoção. Os roteiristas perderam uma excelente oportunidade de levar o público às lágrimas. Na recente animação "A Família do Futuro", os caras fizeram isso de forma magistral.

Outra coisa está remoendo meus miolos. Com o sucesso de Stardust, aposto que Hollywood já está bolando uma maneira para criar uma continuação. Nada complicado pois poderiam, por exemplo, inventar um passado mágico para o pai do personagem principal e criar uma trilogia ao avesso. Espero que não. Finalmente, o brilho mais intenso ficou para o confronto final de Tristan com a feiticeira. O rapaz tremia de medo! Bem diferente de Aragorn (O Senhor dos Anéis), que na porta de Mordor, diante de milhares de orks, fez cara de mal e partiu pra briga. Stardust me pareceu mais real, nem por isso menos mágico. Nota 3/5

Confira o trailer legendado e com narração em português, clicando no botão play da imagem abaixo.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 às 01:18

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O Monge e o Executivo - Uma história sobre a essência da liderança: um livro amargo e delicioso

Sabe aqueles livros que todo mundo já leu? O Monge e o Executivo - Uma História sobre a Essência da Liderança (Sextante, 2004) é um exemplo clássico. Qualquer gestor que se preze cita em seu discurso algum ensinamento do livro de James C. Hunter. Realmente é um bom livro: rápido, direto e prático. Prontinho para ser lido em uma tarde de domingo.

A história se passa num mosteiro ao norte de Michigan, Estados Unidos. Um pequeno grupo — todos líderes em seus respectivos segmentos sociais — participa de um curso (ou seria retiro espiritual?) sobre a "essência da verdadeira liderança". Nós, leitores, participamos da turma a partir da perspectiva de John Daily, homem bem-sucedido, gerente-geral de uma importante indústria de vidro, contando com mais de quinhentos funcionários e obtendo mais de cem milhões de dólares em vendas anuais.

Aos poucos começam a surgir problemas no trabalho e na família. Sua vida, que parecia tão equilibrada, começa a mostrar sinais de desgaste. Sua mulher é infeliz, os filhos já não o respeitam. Por tudo isso, seu chefe e sua mulher sugerem que ele se afaste durante alguns dias para refletir. O pastor de sua igreja recomenda um mosteiro cristão que abrigava de trinta a quarenta frades. Um deles Leonard Hoffman, famoso empresário americano que abandonou o mundo dos negócios para se tornar monge. Isso chamou muito a atenção de John. Essa é a contextualização do livro.

O desenvolvimento da história é todo em sala de aula. Achei muito boa a estratégia do autor em colocar num mesmo ambiente, pessoas com pensamentos conflitantes. Com isso o autor tentou fechar algumas arestas que costumam aparecer em livros de auto-ajuda. Exemplo: num certo momento um dos personagens diz que o líder precisa "amar todos de sua equipe". Então, antes que o leitor possa emitir um juízo de valor a respeito da aplicabilidade daquilo no dia-a-dia empresarial, um dos personagens dispara: "isso aí é muito bonito, mas na prática não funciona". O autor antecipa as críticas, isso é ótimo pois economiza tempo.

Depois de "uma semana de aula", podemos tirar algumas conclusões importantes. A maior delas, diz respeito da liberdade humana. Confesso que mudei meu modo de pensar graças ao livro. O Monge e o Executivo critica a teoria do determinismo criada do Sigmund Freud. Segundo o autor, a partir dos estudos do pai da psicanálise, as pessoas não assumem mais seus erros. Um assassino diz que só matou porque o pai era bêbado, uma dona-de-casa tornou-se seqüestradora de crianças pelos abusos que sofrera na adolescência... e por aí vai.

Além de ensinar a não culpar os outros pelos próprios erros, o livro trás uma excelente lição de humildade. Em síntese, o livro trata de "liderança servil", um estilo de liderança que se popularizou nos últimos 10 anos, sendo amplamente difundido em empresas e organizações. O Monge ensina ao Executivo, a necessidade de estar diariamente controlando o próprio ego, a própria vaidade. Ele diz que consegue ter muitos momentos de felicidade graças a esse controle.

Outro tema bacana é o egoísmo. Para o autor, todos somos egoístas. Ele exemplifica dizendo que costumamos analisar a foto da turma inteira apenas por nossa imagem. Se sairmos bem, a foto da turma ficou ótima. Outra coisa é o fato de passamos muito tempo tentando concertar os defeitos dos outros, mas esquecemos dos nossos. Taí um negócio que tento praticar. Eu tento não ficar observando, muito menos falando, dos defeitos alheios.

Escutar. Com relação a isso o livro é categórico: ouvir não faz parte das características inatas do ser humano. É preciso muita determinação, autocontrole e disciplina para amarrar os próprios pensamentos enquanto o outro fala. A ciência mostra que enquanto estamos ouvindo alguém, nosso cérebro fica inquieto, trabalhando uma resposta. Muitas vezes nem mesmo esperamos o outro terminar para desenvolver nosso próprio raciocínio. O Monge e o Executivo ensina a "escutar o pensamento" dos outros. Essa é a fórmula mágica quando se quer valorizar alguém.

O livro virou ponto de referência na tipificação dos conceitos de chefia e liderança, distinguindo bem autoridade e poder. As aulas também exploram a importância de bem conjugar a realização de uma tarefa com a construção saudável de relacionamentos. Não só isso, o autor enfatiza os paradigmas e mostra a importância do desafio para nossas vidas. As aulas terminam falando da importância "prática" do amor [nada de pieguice, eu garanto] e a necessidade de se ter paciência e autocontrole, face às adversidades do dia-a-dia.

Em síntese é isso. Claro que as lições aprendidas no livro valem para qualquer campo da vida. Somos líderes em nossa casa, no trabalho, no futebol. Mas especialmente para quem estuda administração, O Monge e o Executivo possui um sabor diferente. Um pouco amargo, é verdade, mas nem por isso menos delicioso. Eu chamaria esse campo de estudo de "Marketing Subliminar de Jesus". O autor disfarça os ensinamentos de Cristo no meio de suas palavras "despretensiosas". Muitos best-sellers fazem a mesma coisa. O escritor Augusto Cury, vive disso. Ainda bem que o livro não nos impõe os dogmas e filosofias cristãs. Pasteurização é tudo que não preciso nesse momento. Nota 3/5
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sábado, 22 de dezembro de 2007 às 13:12

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Grindhouse - Planeta Terror: uma homenagem em formato de paródia

Quando começou a circular na internet a notícia de que Quentin Tarantino (Kill Bill) e Robert Rodriguez (Sin City) estavam bolando um projeto juntos, fiquei curioso. O que poderia resultar da união de dois carniceiros viciados em sexo, drogas e violência? Mais um sucesso estrondoso, claro. Foi o que todos pensaram.

Então os bad boys apresentaram Grindhouse, dois filmes dentro de um só. O termo remete às sessões duplas de cinema trash que foi moda na década de 70. O público grindhouse gostava de muita pirotecnia, sangue e violência gratuita. Pois bem, Rodriguez ficou com os primeiros 60 minutos de projeção e Tarantino com os outros 60.

Rodriguez chamou o projeto dele de Planeta Terror (Planet Terror, 2007), Tarantino nomeou sua metade de "À Prova de Morte". Entre um filme e outro ainda rolava uns trailers falsos, como o engraçadíssimo "Machete". Nele um mexicano é contratado como assassino de aluguel. Mas o bigodudo é traído e vai atrás de vingança. Tosco elevado à quinta potência. Inclusive, ao que parece, o trailer irá se tornar um filme em 2008, incrível.

      

Pois bem, Grindhouse foi um fiasco de público nos Estados Unidos. Então, antes da distribuição internacional, os caras resolveram desmembrar o filme. Cada um pegou seu projeto e o lançou de modo independente. O mundo adorou! Hoje, tanto Planeta Terror como "À Prova de Morte" são sucessos. E neste post vou opinar apenas sobre o filme de Robert Rodriguez. Tarantino vem depois.

Para começar, Planeta Terror é um filme nojento. Não caia na besteira de marcar uma pizza pra depois do cinema porque não rola. Também não adianta levar a namorada. Mulheres não costumam entender o fascínio dos homens por violência gratuita. E se você é muito fresco para esse negócio de excelência visual, esqueça. As imagens do filme possuem uma estética suja, riscada e de péssima qualidade. Então vamos aos ingredientes de Planeta Terror: papel e caneta na mão...

      

Escolha uma pequena cidade do interior. Ponha nela algumas figuras emblemáticas como: um médico corno violento, um cowboy aposentado valentão, um cozinheiro excêntrico e um xerife fanfarrão. Mexa um pouco até esses personagens se juntarem. Agora unte um hospital com mulheres seminuas, corpos esfacelados e despeje zumbis ao gosto. É, zumbis. Você encontra em qualquer terror do século passado. Agora jogue a massa por cima e ponha tudo numa moto envenenada, deixando assar por 97 minutos.

Voalá! teremos um autêntico grindhouse. Mas isso qualquer cretino faz. Difícil deve ter sido transformar um filme de Robert Rodriguez numa porcaria feito Planeta Terror. Principalmente porque o cara assina: direção, roteiro, fotografia, edição e trilha sonora. O resultado é tão surpreendente que se pararmos para contar o número de personagens estilosos, daria para imaginar outros dez filmes.

      

Alguns famosos marcam presença, como: Fergie (vocalista do "Black Eyed Peas"), Bruce Willis e Naveen Andrews (o Sayid do seriado "Lost"). Eles representam personagens legais, mas nenhum chega aos pés da protagonista Rose McGowan. A moça é uma dançarina de boate cuja perna foi arrancada num ataque de zumbis. Com uma metralhadora no lugar da perna decepada, ela lidera o grupo de sobreviventes contra um exército de infectados.

Eu poderia passar horas falando de cada personagem do filme, como El Wray (Freddy Rodríguez), o porralouca ex-namorado da dançarina amputada. O cara merece o Oscar de "cafajestagem do ano". A Dra. Dakota Block (Marley Shelton) também é uma figura inigualável. A loira dá um tresoitão ao filho de cinco anos e o manda atirar nos zumbis do jeito que ele faz no videogame. Já quase no final, me acabei de ri com a cena do atropelamento coletivo da zumbizada. Planeta Terror é uma homenagem ao grindhouse, mas em formato de paródia. 10. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

P.S.: Um amigo me mandou essas caricaturas e achei incríveis. Clique nas imagens para ampliar. O autor é Cameron Stewart.

      

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007 às 23:17

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Residente Evil 3 - Extinção: uma aula prática de como moer carne

Residente Evil 3 - Extinção (Resident Evil: Extinction, 2007) é a parte final da primeira trilogia de filmes baseada em uma série de videogame. O longa é precedido por "Resident Evil - O Hóspede Maldito" (2002) e "Resident Evil - Apocalipse" (2004). Esse agora não é pior e nem melhor que os outros capítulos da série. No frigir dos ovos, nenhum deles possui grandes méritos.

O que mais chama atenção em Residente Evil 3 - Extinção, é o duelo entre horríveis zumbis e lindas heroínas, como: Spencer Locke, Ashanti, Ali Larter (a Niki do seriado "Heroes") e Milla Jovovich. Isso sem contar que filmes de ação com mulheres liderando a pancadaria é um show à parte. O interessante é que o mundo próximo da destruição total e as moças lá, irretocáveis.

      

Residente Evil 3 - Extinção começa explicando que o T-Vírus experimental, criado pela Umbrella Corporation, foi liberado no mundo. Com isso, boa parte da população que conhecemos foi transformada em zumbi. E o que os mortos-vivos mais gostam? Carne humana. Mas o Dr. Isaacs (Iain Glen) garante aos líderes mundiais, ter encontrado maneira de domesticar os zumbis. O maluco passa boa parte do filme fazendo experiências num complexo laboratorial subterrâneo em Nevada.

O leite começa a azedar quando Claire Redfield (Ali Larter) e seu comboio de sobreviventes, encara a difícil tarefa de atravessar os EUA até chegar ao Alasca, considerado um dos poucos lugares livres do vírus no planeta. Missão impossível, se não fosse a ajuda da "máquina de moer carne" Alice (Milla Jovovich). A protagonista é tão ágil, forte e mortal quanto Trinity, de Matrix.

            

Filmes desse gênero costumam se salvar pelo uso cavalar de efeitos especiais. Mas nisso o filme peca. A caracterização dos zumbis é pouco convincente. A única boa cena é o ataque dos "corvos zumbis". A tempestade preta de pássaros carnívoros é visualmente inesquecível. E o final deixa espaço para mais uma seqüência devastadora. Será?

Certeza mesmo só a confirmação que o passatempo preferido dos roteiristas americanos é imaginar um futuro apocalíptico decorrente da ação de um vírus devastador. Basta vê "Eu Sou a Lenda", que acabou de estrear no cinema americano batendo recorde de bilheteria. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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domingo, 16 de dezembro de 2007 às 05:00

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30 Dias de Noite: se correr o vampiro pega, se ficar o vampiro come

Pelas barbas do profeta, fazia um tempão que não assistia um terror. Não digo torture porn (leia-se: "O Albergue" e "Jogos Mortais"), digo terrorzão mesmo. 30 Dias de Noite (30 Days of Night, 2007) é isso: um filme de terror. Criaturas malignas espalhando medo em cidadezinhas longínquas. Só.

Mas dessa vez Hollywood foi longe, nos levou à cidade de Barrow, extremo norte do Alasca. Os poucos corajosos que moram por lá, enfrentam 30 dias seguidos sem a luz do sol (na realidade são 55 dias, mas e daí?). Esse é o ambiente ideal para a proliferação de animais noturnos como: corujas, raposas, sapos e... vampiros.

A partir desse argumento, Sam Raimi (o verdadeiro "Homem-Aranha") reuniu sua equipe e adaptou a premiada graphic novel de horror 30 Dias de Noite, de Steve Niles e Ben Templesmith, para o cinema. É uma história sobre vampiros, embora a caracterização fuja um pouco do estereótipo dracular que nos acostumamos. Mas são vampiros: em carne, osso e dentes.

      

Gostei do filme, embora entenda que vampiros devam trabalhar obedecendo uma base mitológica. Sem isso a história tende a ficar gratuita. Em 30 Dias de Noite os vampiros só matam, comem e dormem. Os caras promovem um verdadeiro banquete de sangue. Não faltam: cabeças decepadas à base de machadadas, miolos ao longe com tiros certeiros e fraturas expostas jorrando sangue. É estranho não fundamentar teoricamente tudo isso.

Deixando essa minha cretinice de lado, aplausos para os idealizadores do projeto. Tenho certeza que a revista em quadrinhos de 30 Dias de Noite é excelente, mas só o cinema é capaz de nos aplicar tantos sustos bacanas. Um dos maiores responsáveis é o demoníaco Vincent (Danny Huston), o vampirão chefe. As caras e bocas do malandro irão povoar meus pesadelos por um bom tempo.

      

Porém, acredito que algumas cenas poderiam ser cortadas. A morte da vampirinha de 6 anos [chute meu] é ultrajante. Outra: assistir cabeças sendo decepadas, depois de tantos vídeos reais da Al-Qaeda, não é divertido. Finalmente, o prêmio "grotesco do ano" vai para... Billy Kitka (Manu Bennett), o policial que matou a própria família para não vê-la sendo devorada pelos vampiros. Durma com essa. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 às 23:52

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Superbad - É Hoje!: uma comédia que corre o risco de não ser entendida

Superbad - É Hoje! (Superbad, 2007), um filme comédia para adolescentes. Mas no começo, nada de besteirol. Os diálogos rápidos, cheios de citações nerds, palavrões cuspidos ao ar e profundas inquietações, nos fazem acreditar que os roteiristas (Seth Rogen e Evan Goldberg) se acham o Tarantino da molecada.

Nada contra o sujeito ter suas inspirações, isso é normal. A própria abertura do filme, com os caras dançando e somente a silhueta aparecendo, é digna de grandes clássicos cult. Mas de resto, os sujeitos só falam boçalidade. Quem prestou atenção garante que a palavra "fuck" é dita 186 vezes no decorrer do filme. E de maneira geral, a história não foge do velho clichê americano "transar na última festa do colegial".

O mais tosco nessas comédias juvenis é que tem sempre um cara que diz "não" na hora H, outro que ninguém dava nada é o que consegue transar e outro que queria muito transar e não consegue nada. É batata. Mas a história surpreende ao se desenrolar em torno da "compra das bebidas".

      

Os adolescentes Seth (Jonah Hill) – o gordo – e Evan (Michael Cera) – o magro, ficam encarregados de conseguir o "combustível para a festa". E nos EUA, conseguir bebida antes do 21 anos é como conseguir água no deserto do Saara, que dificuldade! E olha que já vi a aplicabilidade dessa lei ser mostrada em diversos filmes, inclusive na segunda temporada do seriado "Prison Break". Lá parece que funciona.

No cerne, Superbad - É Hoje! fala de amizade. Uma amizade muito gay, na minha opinião. Mas isso é um preconceito, eu sei. Os roteiristas brincam com isso. Os protagonistas sabem que dormir juntinho, abraçar longamente, ficar com saudades um do outro e dizer "eu te amo", é gay. E ainda assim, falam. Os caras assumem o risco. Isso é legal. A mensagem repercute e enobrece o filme.

Porém, a "comédia" só vira comédia com a entrada em cena da dupla de policiais Slater (Bill Hader) e Michaels (Seth Rogen). Eles roubam a cena. Os homens-da-lei são fanfarrões [como diria o Capitão Nascimento]. Além de incompetentes e foras de forma, eles bebem durante o serviço, brincam de atirar, dão cavalo-de-pau e, pasmem, tocam fogo na própria viatura.

      

Não sei o que os autores quiseram criticar ao queimar o carro da polícia, mas a cena é forte. Tudo bem que é uma comédia, mas mostrar uma dupla de policiais americanos bebendo cerveja diante de um carro de polícia pegando fogo é ousado. Como bônus, no filme aparecem algumas alusões ao Brasil, como um sujeito brigando com a camisa da seleção brasileira e algumas músicas brazucas tocando ao fundo.

Comparando com "O Virgem de 40 anos" (2006) e "Ligeiramente Grávidos" (2007), Superbad - É Hoje! é o mais divertido dos três. Mas não acho esse filme um "divisor de águas", achei apenas uma comédia juvenil um pouco diferente. Talvez os caras até tenham conseguido criar um novo nicho de mercado. Mas agora resta esperar para saber quanto vale esse novo nicho. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sábado, 8 de dezembro de 2007 às 19:28

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Shrek the Halls: o "Especial de Natal" mais fedido de todos os tempos

Ogros não celebram o natal. Ogros não celebram nada. Mas, uma parceria entre os estúdios DreamWorks (onde trabalha a comunidade dos ogros) e a rede de televisão ABC, resultou no Especial de Natal "Shrek the Halls".

O filme é curtinho, apenas 21 minutos, mas conta com todo o elenco original de dubladores composto por Mike Myers (Shrek), Eddie Murphy (Burro), Cameron Diaz (Fiona) e Antonio Banderas (Gato-de-Botas), além da direção de Gary Trousdale.

No começo da história, Shrek aparece tranqüilão, brincando com seus bebezinhos e tomando um sol. Mas logo aparece o Burro para lembrar que o natal está chegando. Todo mundo está empolgado, menos Shrek. Ogros não sabem o que é natal. Mas pelo bem de Fiona e dos filhos, Shrek tenta se animar.

O verdão pantanoso vai à cidade. Está a maior confusão, todo mundo correndo atrás de enfeites, ingredientes para a ceia, presentes. Shrek tenta encontrar alguém para ajudá-lo a montar uma festa de natal para sua família. Ele descobre que são cinco passos: 1) decorar a casa; 2) meias na lareira; 3) a ceia de natal; 4) a árvore de natal; e finalmente, 5) contar uma história de natal.

      

Imbuído dessas tarefas, nosso ogro faz uma decoração toda de coisas naturais. Bem legal, nada de plástico ou vidro. Mas basta chegar a turma formada pelo Gato-de-Botas, biscoito de gengibre, três porquinhos, Pinóquio e a família do Burro, para a casa do Shrek virar uma zorra.

E a moral da história é justamente essa: natal é uma celebração da união entre as pessoas (ou criaturas). Mesmo aquele seu colega chato, merece um abraço. Okay, muito bom, muito engraçadinho. Mas o melhor de Shrek the Halls é a participação do biscoito de gengibre e do Pinóquio. Sensacionais!

E para completar, descobri hoje que a Rede Globo irá mostrar Shrek the Halls na véspera de natal (dia 24), logo após a novela "Duas Caras". Para quem estiver com a TV desligada nesse dia, a emissora irá reprisar o especial dia 30/12 (domingo), logo após o "Esporte Espetacular". Como diria o grande Shrek: "Um natal fedido para todos! E tenham uma noite nojenta!" Nota 4/5

Como aperitivo, confira o conto de natal "versão Shrek", clicando no botão play da imagem abaixo.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 às 02:05

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Os Simpsons - O Filme: uma história sociologicamente incorreta

Sou fã dos Simpsons. Desde sempre. A "Magia Amarela" é irresistível, não há como passar diante da TV e não parar para saber o que está acontecendo com aquela família maluca. Assim como eu, muita gente que acompanha o seriado esperava ansiosa para vê-los na telona. Mas tenho a impressão que os mercadólogos exageraram no lançamento do longa-metragem de Os Simpsons - O Filme (The Simpsons Movie, 2007).

Pouco antes da estréia, Os Simpsons invadiram redes de supermercado, estamparam capas de revista (como a Rolling Stone Brasil), enlataram nossa comida e gritaram em tudo que foi blog: Simpsonize-se! Simpsonize-se! Eu também experimentei (veja aqui). Na minha opinião, os amarelos não precisavam de tanto barulho para fazer do filme um sucesso. Não é de graça que estão há 20 anos no horário nobre da TV americana.

Agora vamos deixar o seriado um pouco de lado e falar do filme. O chavão que muitos críticos estavam usando após a pré-estréia, era que Os Simpsons - O Filme nada mais era senão um episódio alongado do seriado. Teve até gente em revistas especializadas dizendo que não havia motivo suficiente para ir ao cinema "pagar por algo gratuito". O fato é que independentemente do quanto valem, Os Simpsons no cinema é uma experiência nova e prazeirosa. E os roteiristas souberam usar isso a seu favor.

      

O início da história mostra toda a Família Simpson no cinema de Springfield. A cidade inteira curte o lançamento do ano: "Comichão e Coçadinha - O Filme". Então Homer levanta no meio da platéia e de maneira sarcástica dispara: "Todos vocês são idiotas! Estão pagando para assistir um negócio que passa toda semana de graça na TV." A provocação de Homer mostra bem o desafio de Matt Groening e companhia: fazer valer a grana do ingresso.

E vale. O filme diverte a família toda. Piadas apimentadas não faltam. A tradicional frase que Bart escreve no quadro da escola, ganhou um novo contorno: "não farei download ilegal desse filme". O capetinha também gerou polêmica ao aparecer nu pela primeira vez. Além disso, o mais interessante é que cada cena tem seu charme. No concerto do "Green Day", por exemplo, os caras pedem um minutinho para falar de preservação da natureza. Resultado: são apedrejados. Quer crítica maior à onda verde que ganhou o mundo?! Agora bom mesmo foi a entrada da Família Simpson na igreja. O ápice, com certeza. Críticas à igreja são sempre um prato cheio aos agnosticistas.

Como argumento para o filme, Homer precisa provar para todos em Springfield e, principalmente, para sua Marge, que é um homem capaz de concertar as bobagens que faz. Especificamente nesse caso, a bobagem da vez é causada por um silo perfurado e cheio de fezes de porco (bicho de estimação de Homer). Nosso gorducho polui o lago da cidade e causa um desastre de grandes proporções. Isto faz com que uma multidão sedenta por vingança se reúna diante da casa dos Simpsons, querendo matar Homer e sua família.

      

O filme brinca até com essa onda de trilogias e continuações. Em certo momento o filme parece que vai acabar e que a continuação será em "Os Simpsons - Parte 2". Mas é só um susto, logo recomeça. Nunca li nada sobre o processo criativo dos autores, mas ao que parece, os caras vão escrevendo a história e colocando todas as putarias sem censura. Isso até a primeira metade, a segunda é meio melódica.

Nos capítulos finais, a única piada que consegui aproveitar foi a gozação feita com Arnold Schwarzenegger. A idéia de colocar o Exterminador como presidente dos Estados Unidos foi sensacional. Hilária a cena em que ele toma suas decisões com base na teoria do "uni-duni-tê". Isso sem falar na "praticidade" das idéias americanas de acabar com "certos problemas". E também a forma que a população yankee tem de fugir deles. Enfim, Os Simpsons, como sempre, nos dão uma aula de sociologia e emolduram de amarelo nossa sociedade. D'oh! Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sábado, 1 de dezembro de 2007 às 19:31

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As Férias de Mr. Bean: o bom e velho palhaço voltou

Mr. Bean é um daqueles comediantes que: ou você ama ou odeia. Em 1995, quando apareceu pela primeira vez no programa Fantástico (Rede Globo), o sucesso foi estrondoso. O ator britânico Rowan Atkinson, que interpreta o personagem, fazia uma comédia sem palavras. Caras e bocas que transformavam situações simples em grandes trapalhadas.

O maior mérito do personagem era fazer um humor ingênuo com toques de malvadeza. Como o Renato Aragão nos bons tempos. Hoje você liga a TV e só encontra programas humorísticos com mulheres seminuas, piadas preconceituosas, cenas de constrangimento público e muita vulgaridade. O próprio Didi rumou por um caminho melancólico. Nosso trapalhão esqueceu a fórmula de nos fazer feliz.

      

Voltando ao Mr. Bean. O humorista lançou esse ano o seu segundo longa-metragem: As Férias de Mr. Bean (Mr. Bean's Holiday, 2007). Nele Mr. Bean ganha uma rifa local. De prêmio leva uma câmera filmadora, 200 euros e uma semana de férias no sul da França. O período de sua viagem coincide com a realização do Festival de Cinema de Cannes, um dos mais famosos do mundo.

Daí em diante é só confusão. Acho que ele deve ter pronunciado umas três frases no filme inteiro. Mas é na primeira metade que o comediante está realmente inspirado. Uma verdadeira coleção de momentos hilariantes. Um bom exemplo é a cena em que o o britânico conhece a gastronomia francesa. Particularmente seu famoso prato escargot (apesar do clichê, muito boa a cena). Também divertida a separação entre pai e filho que Mr. Bean promove na estação de trem.

      

Agora antológica mesmo é a cena em que Mr. Bean dança em praça pública para conseguir uns trocados. Sensacional! Esse cara é o máximo. Já no final do filme, aparecem todos os personagens cantando "La Mer", um clássico francês que inclusive já tocou na série Lost. Lembra não? É cantada pela loirinha Shannon. Continua sem lembrar? Foi também ouvida na freqüência da rádio que Hurley e Sayid captam, quando estão na praia. Ah, esquece.

As Férias de Mr. Bean é um filme para a família bolar de rir. Sem palavrões, sem pornografia, apenas o bom e velho palhaço em cena. Humor que emociona e transforma. Não pela história, que é uma das piores que já vi, mas pelo personagem. Mr. Bean representa toda a loucura velada da raça humana. Mr. Bean sou eu, é você. Somos nós quando ninguém está olhando. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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