No natal de 2006 descobri que iria ser pai. No começo fiquei meio perdido, assustado, aflito, inquieto, desorientado. Mas como todo aventureiro de primeira viagem, busquei os manuais. Como criar um filho? O primeiro que comprei foi o livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes (Editora Sextante, 2003), do psicoterapeuta Augusto Cury. Durante toda a gravidez fui lendo página por página em voz alta, pertinho do barrigão. Mas faltando poucas páginas para acabar o livro, minha filha resolveu antecipar sua chegada. Depois de alguns xixis e cocôs, acabei esquecendo o livro. As últimas páginas ficaram esquecidas, perdidas no meio de chocalhos, ursinhos e bonecas. Um ano depois terminei o que havia começado. A diferença é que dessa vez estava sob o atento olhar de minha Pequena.
Pais Brilhantes, Professores Fascinantes nasceu para preencher uma grande lacuna educacional. Os pais jamais estiveram tão perdidos na árdua tarefa de educar. A maioria dos estudiosos correlaciona o fato ao afastamento dos pais, principalmente para dedicarem-se ao trabalho. Para diminuir o peso na consciência pela falta de atenção aos filhos, eles costumam presenteá-los com tudo que não tiveram na infância: videogames, TV no quarto, muitas vezes até computador.
O diálogo com os filhos sobre quem somos é fundamental. Faça-os seus amigos. Augusto Cury também cita que os pais costumam matricular os filhos em vários cursos simultâneos, inglês, esportes, música, esquecem que são apenas crianças e não máquinas de aprender. Não os afaste de você, mostre a seus filhos que eles não estão no rodapé da sua vida, mas nas páginas centrais de sua história.
Treine seu filho para tornar-se um líder e não um fantoche. Para isso, não tente formar heróis, mas seres humanos que conhecem seus limites e sua força. Dê atenção ao que ele pensa. Estimule-o a definir metas e buscar vitórias, mas prepare seus filhos para os fracassos, educando a sensibilidade. Nesse trajeto tenha em mente que a capacidade de reclamar é o adubo da miséria emocional e a capacidade de agradecer é o combustível da felicidade.
A segunda parte do livro é focada na ação dos professores. O livro alerta que a televisão mostra mais de sessenta personagens por hora com as mais diferentes características de personalidade. Policiais irreverentes, bandidos destemidos, pessoas divertidas. Essas imagens são registradas na memória e competem com as imagens dos pais e professores. O resultado disso é que os professores estão presentes na sala de aula e os alunos estão em outro mundo.
Por fim, Augusto Cury aponta alguns caminhos para criarmos a escola de nossos sonhos. São eles:
- Música no ambiente de sala de aula.
- Sentar em círculo ou em U.
- Exposição interrogada: a arte da interrogação.
- Exposição dialogada: a arte da pergunta.
- Ser contador de histórias.
- Humanizar o conhecimento.
- Humanizar o professor: cruzar sua história.
- Educar a auto-estima: elogiar antes de criticar.
- Gerenciar os pensamentos e as emoções.
- Participar de projetos sociais.
Não preciso ser pedagogo para saber que nosso atual método de ensino em sala de aula está falido. Nada funciona, tudo é uma grande idiotice para tirar dinheiro do bolso dos pais. As crianças são robotizadas, o conhecimento é pasteurizado. Estamos treinando nossas crianças para repetir palavras, quando deveríamos educar para criar idéias. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes é um apanhado de idéias ambiciosas para tornar o ensino mais emocional. Jogar minha filha nesse mundo fabril, esse era meu grande medo.





















































