Wall-E: aproximando diferenças numa comovente e romântica animação futurista
Só de sacanagem experimente dizer a uma criança que o futuro do planeta é sombrio. Diga que tudo que tem vida será devastado, incluindo as plantas, os animais e os pokémons. Não haverá mais nada por aqui, apenas um emaranhado de lixo e poeira. Para que ela não fique tão triste, explique que os humanos sobreviventes irão para um cruzeiro espacial. Por 700 anos as máquinas farão todas nossas tarefas. Não precisaremos sequer nos levantar, ficaremos sentados, comendo e conversando por videoconferência. Mas não iluda o pequeno infante, seremos infelizes, dominados, escravos mentais.
Por mais louco que pareça, Wall-E (Wall-E, 2008), nova obra-prima da Walt Disney/Pixar, fala disso. Uma tremenda distopia! Pinceladas de um futuro imaginado por Aldous Huxley no livro "Admirável Mundo Novo" (leia a resenha). Os humanos vivem numa colônia em que tudo é controlado: os bebês são fabricados em linhas de produção, a educação das crianças é opressiva, até a roupa que vestem é padronizada. O lugar é dominado pelas máquinas, não há esforço físico ou intelectual, os humanos recebem tudo de mão beijada, não conseguem nem caminhar sem ajuda dos robôs.

A história de Wall-E se passa no ano de 2815. A Terra está totalmente poluída, gases tóxicos impedem a existência de qualquer tipo de vida. A humanidade deixou o planeta e passou a viver na gigantesca nave espacial chamada Axiom. Não é de espantar que a nave tenha esse nome. Os antigos filósofos gregos viam um axioma como algo que pode ser considerado verdadeiro sem que fosse necessária qualquer demonstração. A nave representa exatamente isso, os humanos não precisam pensar, os robôs fazem isso por eles. Prometeram que o retiro duraria poucos anos, período em que limpariam o planeta, mas a realidade foi outra.

Mesmo sozinho na imensidão do planeta, Wall-E não desiste e continua sua tarefa de triagem e compactação do lixo. Essa é umas das partes mais engraçadas do filme. Enquanto faz seu metódico trabalho, o robozinho separa alguns trecos curiosos para guardar em sua casa. Vários desses objetos nos remetem para os símbolos da década de 1980, tais como: o colorido Cubo Mágico (quebra-cabeça tridimensional), o plástico bolha (ferramenta desestressante), as fitas VHS (sistema de gravação de áudio e vídeo) e até o "Tênis para Dois" (rudimentar joguinho monocromático, considerado o primeiro vídeo-game).
A vida de Wall-E muda completamente quando uma nave desembarca na Terra trazendo uma nova e moderna robô-fêmea chamada Eva. Logo Wall-E se apaixona pela explosiva e temperamental robozinha. O processo de aproximação é de uma delicadeza ímpar, principalmente porque Eva é bem mais poderosa que nosso amigo solitário. Os contrastes são evidentes: Wall-E é desastrado, sujo e obsoleto, enquanto Eva é moderna, elegante, branca feito um iPod. Ela também é sizuda, sempre focada em sua diretriz. Ele é espirituoso, descontraído, humilde, humano.

Wall-E chega para engrandecer a parecia entre Walt Disney e Pixar, dona do melhor catálogo de filmes dessa nova década: "Monstros S.A." (2001), "Procurando Nemo" (2003), "Os Incríveis" (2004), "Carros" (2006) e "Ratatouille" (2007). A animação encabeça a lista de melhores do gênero, sendo disparado o grande favorito ao Oscar no próximo ano. Wall-E da Pixar está um passo à frente de "Horton e o Mundo dos Quem!" (leia a resenha) da Blue Sky e de "Kung Fu Panda" (leia a resenha) da DreamWorks.

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.
Daniel: Como bônus o espectador tem a chance de conhecer "Presto", um curta-metragem da Pixar apresentado cinco minutos antes de Wall-E começar. Assista agora na íntegra:































1 Response to Wall-E: aproximando diferenças numa comovente e romântica animação futurista
Excelente caracterização de Wall-e e Eva.
Apesar da delicadeza e profundidade da mensagem, não consegui gostar do filme.
Clique aqui para deixar um comentário!