quinta-feira, 31 de julho de 2008 às 19:24

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Nvidia ainda omitindo informações sobre os problemas dos chips de vídeo para notebooks

Já comentei aqui no blog qua a Nvidia admitiu que seus chips de vídeo para notebooks estavam com problemas, porém nenhuma lista foi divulgada e tudo ficou na base dos rumores. A Dell foi a primeira a se manifestar informando que a linha Geforce 8400M e 8600M estão afetadas e até desenvolveu um patch para tentar contornar o problema.

Agora a fabricante HP também divulgou uma lista de notebooks afetados pelo problema nos chips da Nvidia, porém como a Dell a lista só engloba os dois chips que foram reconhecido pela empresa como problemáticos, porém há rumores levantado pelo site Engadget que a família Nvidia Go 7000 e 6000, como também a linha Quadro NVS 135M e Quadro FX 360M estejam precisando de um recall.

E agora o que fará os donos de notebooks aqui do Brasil que importaram seus aparelhos e tem neles chips defeituosos?

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Cloverfield - Monstro: o jogo de esconde-esconde decepciona quem procura diversão

Cloverfield - MonstroSou fanático por "Lost" (leia a resenha). Quando soube que J.J. Abrams (o pai da série) estava metido em um projeto de filme-monstro estilo Godzilla, fiquei entusiasmado. A excitação aumentou quando pipocou o primeiro trailer durante o lançamento de "Transformers" (leia a resenha). O vídeo estilo amador constava uma explosão gigantesca em Nova York, jovens correndo e a cabeça da Estátua da Liberdade sendo atirada numa rua. Detalhe importante: no trailer não constava o nome do filme, apenas a data de lançamento.

Meses depois, Cloverfield - Monstro (Cloverfield, 2008) é lançado. A conclusão? Muito estardalhaço para pouco entretenimento. O filme é chato e nunca será alçado à categoria de grande-monstro-americano, como J.J. havia prometido aos fãs. Achei o jogo de esconde-esconde da criatura um exagero. Acabou se tornando uma tentativa frustrada de criar curiosidade no expectador. A aparição do monstro é rápida, banal e sem adrenalina.

Cloverfield - Monstro tem início durante uma festinha de despedida feita no apartamento de Rob Hawkins (Michael Stahl-David), que está de mudança para o Japão. Enquanto os amigos o ajudam a fechar algumas arestas sentimentais que o cara vai deixando para trás, ouve-se um forte solavanco. Na TV o noticiário diz que o tremor teria sido causado por um terremoto. Mas ao chegarem ao terraço, a rapaziada nota uma bola de fogo gigantesca cruzando o céu, seguido de um blackout geral na cidade. O pânico se instala.

Cloverfield - Monstro      Cloverfield - Monstro

O que se vê nos minutos restantes do filme é muita correria, somente. A idéia de fazer um filme-mostro todo gravado com uma câmera amadora é legal, principalmente em tempos de YouTube, em que todo mundo sonha em flagrar algo relevante para postar. Mas o expectador perde mais do que ganha. Eu, por exemplo, fiquei mais tempo analisando a reação dos personagens diante do caos do que me divertindo com o monstro. Acredito que não tenha sido essa a intenção dos idealizadores. Cloverfield - Monstro a decepção do ano. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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quarta-feira, 30 de julho de 2008 às 08:13

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Super-Herói - O Filme: seguindo à risca a receita de bolo da Marvel

Dos mesmos criadores da seqüência "Todo Mundo em Pânico", a comédia Super-Herói - O Filme (Superhero Movie, 2008) é o pagamento de uma velha dívida. Fazia tempo que os filmes de super-herói estavam merecendo uma "homenagem". Mas não basta pegar um cidadão fracassado, colocá-lo em contato com radiação, vesti-lo com uma roupinha colorida e jogá-lo nos telhados de Nova York, para torná-lo um super-herói.

É brincando com essa receita de bolo da Marvel que Super-Herói - O Filme começa. Na comédia, após ser picado por uma libélula (catirina, no piauiês) geneticamente alterada, Rick Riker (Drake Bell) tem sua vida alterada para sempre. Ele ganha superpoderes e passa a usá-los para combater o mal, sob o disfarce de Homem-Libélula. Entretanto Rick enfrenta um problema: sempre que tenta salvar alguém acaba matando-o acidentalmente. Apesar disto ele precisa enfrentar o Ampulheta, um vilão que deseja roubar a fonte de vida das pessoas para alcançar a imortalidade.

Achei sensacional a crítica feita ao consumismo e à devoção que algumas pessoas desenvolvem com marcas como Google, Facebook, MySpace, YouTube, iPod. Mas Super-Herói - O Filme não nasceu para criticar nada, nasceu para vomitar besteirol, como na bizarra a participação do tarado Stephen Hawking e do lunático Tom Cruiser. Apesar dos pesares, achei divertida a cena do ataque sexual dos animais e a participação do Homem-Tocha, hilário os dois brigando por espaço no teto de um prédio para velar a cidade.

            

Mas o que deveria ser apenas uma alusão aos filmes de super-herói, o filme é quase uma regravação da trilogia Homem-Aranha. A base é toda do aracnídeo, com algumas poucas pitadas de X-Men, Batman e O Quarteto Fantástico. A seqüência final, em que a turma vai parar numa feira estilo Comic-Con, em que os nerds costumam se vestir como seus personagens preferidos, revelou o que Super-Herói - O Filme tinha de melhor: paródia da paródia. O que também não chega a ser grande coisa. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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terça-feira, 29 de julho de 2008 às 06:00

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O Guia do Mochileiro das Galáxias: uma crítica ácida sobre nosso planeta

O Guia do Mochileiro das Galáxias é o primeiro livro "da trilogia de quatro livros" de Douglas Adams que conta a história de Arthur Dent e sua aventura e descobertas viajando pelo universo inicialmente com seu amigo Ford Prefect.

O fio inicial da trama é a destruição do planeta Terra pelos Vogons para a construção de uma via expressa hiper-estelar e o planeta se encontra na passagem dela. Ford como é um alienígena que há quinze anos vive na Terra e espera o dia uma nave passar, essa se torna a chance dele ir embora pegando carona, porém leva com ele seu amigo Arthur.

O primeiro livro vai mostrando toda a adaptação e surpresas na visão de Arthur que passa há experimentar todo dia coisas novas como viagens interestelares e tele transportes, ainda sua convivência com computadores e robôs. Paralelamente eles se deparam com a história de uma civilização antiga bastante avançada que procura pela pergunta fundamental que é o sentido da vida, do universo e tudo mais.

A grande sacada do autor é descrever todos os problemas que enfrentamos aqui no nosso dia a dia como sendo problemas de alienígenas, pois é mais fácil enxergar os defeitos nos outros do que em nós mesmos. Nota 5/5

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segunda-feira, 28 de julho de 2008 às 13:25

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Desejo e Reparação: uma história de amor para corrigir os erros de Deus

Desejo e ReparaçãoEsqueça o resultado do Oscar, Desejo e Reparação (Atonement, 2007) é o melhor filme do ano passado. Tendo a tensão gerada por conta da 2ª Guerra Mundial como pano de fundo, a história narra uma paixão quebrada por uma mentira e vários desencontros. Baseado no livro do escritor Ian McEwan, Desejo e Reparação acontece como um poema musical de amor, inspirado na jornada épica dos jovens Cecilia Tallis (Keira Knightley) e Robbie Turner (James McAvoy).

O filme começa em 1935, dia de verão na Inglaterra. A menina de 13 anos Briony Talles (interpretada em momentos diferentes por Romola Garai, Saoirse Ronan e Vanessa Redgrave) e sua família se reúnem num fim de semana na mansão familiar. Apaixonada por Robbie Turner (James McAvoy), filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília, a pequena Briony o acusa de um crime que ele não cometeu. A acusação destrói o amor de sua irmã e altera de forma dramática várias vidas.

Mais tarde, já no papel de uma talentosa escritora, Briony Tallis tentou dá uma nova oportunidade ao amor. Ao tempo que vai contando a história, os fatos não sendo reescritos, mostrados como eles deveriam ter ocorridos. O jogo de sedução, a imaginação fértil da menina, o próprio ambiente, a cenografia, o figurino, tudo isso torna Desejo e Reparação um filme grande. Mas ao mesmo tempo é tudo muito teatral, focado nos diálogos, nas visões, pensamentos e devaneios dos personagens.

Desejo e Reparação      Desejo e Reparação

A narrativa, repleta de idas e vindas, cenas que vão e voltam, é o tempo todo recontada sobre novos prismas. É incrível como alguém consegue filmar uma história dessa envergadura. É por filmes como Desejo e Reparação que acho a carreira de cineasta incrível. Eu que nunca conseguiria fazer algo parecido. Não entra em minha cabeça como alguém consegue gravar, editar, sonorizar uma história tão complexa. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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domingo, 27 de julho de 2008 às 13:37

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Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends: revitaliza o espírito de revolução contra velhas idiotices eclesiásticas

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His FriendsNo final do século XVIII surgiu na Europa um movimento artístico e filosófico chamado Romatismo. Seus precursores tinham uma visão de mundo centrada no indivíduo, passando a retratar em suas obras o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Eles tinham como característica fundamental a busca pelo exótico, pelo inóspito, pelo selvagem. Nas belas artes, a tela "A Liberdade Guiando o Povo", do francês Eugène Delacroix, é um dos ícones desse movimento. A pintura retrata os revolucionários de 1830 sendo guiados pelo "espírito da liberdade" (simbolizado por uma mulher carregando a bandeira da França).

E é justamente "A Liberdade Guiando o Povo" que estampa a capa do novo álbum do Coldplay, entitulado Viva la Vida or Death and All His Friends. O nome faz referência à obra "Viva la Vida", da controversa pintora mexicana Frida Kahlo. O chamamento escrito por Frida num suculento pedaço de melancia chamou atenção de Chris Martin, vocalista da banda. Segundo a revista norte-americana Rolling Stone, esse "grito hedonista" teria sido uma das inspirações do quarteto londrino para compôr o novo disco.

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends

Pela capa diferenciada já dá para notar que Viva la Vida or Death and All His Friends não é um álbum comum e antecipa a temática de perdas e incertezas tocados por todo o disco. No período que sucedeu o lançamento de "X&Y" (2005), terceiro sucesso seguido, a imprensa começou a cobrar algo mais experimental da banda. O grupo composto por Chris Martin (vocalista/pianista/guitarista), Jon Buckland (solo guitarrista), Guy Berryman (baixista) e Will Champion (baterista/multi-instrumentista), encarou o desafio e convidou Brian Eno (ex-músico do Roxy Music e co-responsável pelo antológico "The Joshua Tree", do U2) para produzir o novo trabalho.

Com mais de 32 milhões de álbuns vendidos e buscando zelar pela reputação de "a banda mais cool do rock mundial", achei essa atitude bem corajosa. Na mesma medida, a banda revolucionou ao tratar a internet como sua aliada. A primeira música de trabalho, "Violet Hill", foi lançada em abril no site oficial do grupo e baixada por mais de 2 milhões de pessoas em uma semana. Acha pouco? Pois o Coldplay liberou por uma semana todas as faixas do novo álbum para audição gratuita em sua página do MySpace. O Radiohead também já fez isso, a diferença é que os fãs do Coldplay puderam ouvir todas as faixas antes mesmo do disco chegar às lojas.

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends      Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends

No mês passado, quando o disco finalmente chegou às lojas, estreou em primeiro lugar na parada norte-americana, na contramão da queda de vendas que afeta outros músicos. A banda também alcançou o topo da lista britânica de discos mais vendidos da semana. Coldplay, uma banda de rock alternativo que sempre foi conhecida por suas músicas melancólicas e letras introspectivas, a partir Viva la Vida or Death and All His Friends também ficará na história pela bem sucedida campanha de disseminação online.

Claro que nada disso adiantaria caso Coldplay não fosse uma baita banda. Viva la Vida or Death and All His Friends é um álbum gostoso de ouvir. O interessante é escutá-lo a partir da seqüência musical original. Infelizmente, para a maioria do público isso pouco importa, o cidadão acaba escutando somente as faixas que mais gosta. Quem faz isso perde o que esse álbum tem de mais legal: o looping infinito. Um exemplo é a faixa de abertura "Life in Technicolor" (inteiramente instrumental), uma espécie de prelúdio de "Death And All His Friends", última música do disco. Difícil saber quando começa e quanto termina.

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends      Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends

Logo em seguida vem "Cemeteries of London", um conto de terror tendo como cenário a noite de Londres. É a música que melhor define o disco. A narração inicial é sensacional, consegue criar um clima gótico de mistério, transparecendo uma alegria macabra. É uma sensação parecida com o clima do filme "A Noiva Cadáver" (leia a resenha). Em "Lost", Coldplay nos convida a levantar a cabeça e seguir em frente, que uma derrota não significa o fim. A música foi gravada em antigas igrejas da Espanha e da América Latina, países que possuem uma ligação muito forte com a religião e com a morte, temática principal da produção. O som abusa do vocais, coros e da inconfundível sonoridade sacra dos órgãos litúrgicos.

E se fôssemos fantasmas? A pergunta que costuma povoar o imaginário de todo ser humano pelo menos uma vez na vida, é o mote da triste e vibrante faixa "42". Talvez uma crítica a esse estilo fantasma que a maioria costuma levar a vida, encarando-a como infinita. A música cresce e te faz levantar da cadeira e olhar por fora do cubo de hipocrisia em que vivemos. Para quem leu o livro "O Mochileiro das Galáxias" (leia a resenha), 42 foi a resposta que o supercomputador deu para a pergunta ''qual é o sentido da vida?'', após passar séculos pensando.

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends      Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends

"Lovers In Japan/Reign of Love" mantém a batida alta para falar de esperança, terminando de forma triste e melodramática. Em "Yes" somos presenteados com a experimentação instrumental conduzida por belos solos de violino e uma apologia desvairada ao agnosticismo. Os violinos continuam dando o tom na faixa "Viva la Vida". A faixa mais pop do disco é "Violet Hill", música em que os caras pegam mais pesado com a Igreja Católica. Já perto do fim, "Strawberry Swing" tem uma batidinha de entusiasmo provocada por leves tambores africanos, sendo a música mais poética do disco. O álbum finaliza com a promessa de vingança feita em "Death and All His Friends".

O conteúdo é legal, mas em alguns momentos essas baladas tristes do Coldplay me causam náuseas. A busca pelo inóspito parou na força do capital, do lucro certo, do lugar comum. Mas é inegável que Viva la Vida or Death and All His Friends revitaliza esse espírito de revolução, de anarquia, de liberdade da alma e do corpo. Levante-se da cadeira, desligue a merda desse iPod, saia da frente desse notebook, caminhe sozinho pela noite, procure fantasmas no espelho, exorcize velhas idiotices eclesiásticas, dê um passo à frente, caminhe e Viva la Vida! Quem diria: Coldplay, a banda de rock mais depressiva do mundo, fazendo-nos acreditar na utopia da vida real. Algo tão exótico quando escrever em melancia. Nota 4/5

Tatiana: Esse quarto álbum do Coldplay surgiu com a proposta de revolucionar o som que a banda inglesa fazia até então. Apesar da evolução musical, em dez faixas, o quarteto de rock alternativo não conseguiu se livrar da melancolia que fez de sua música "Clocks" um sucesso mundial. O álbum começa com a música "Life In Technicolor", uma trilha para os momentos de quietude que se seguem. A terceira faixa, "Lost", merece destaque pelas palmas que embalam sua poesia e pelo piano solo, outra característica deste álbum. O segundo momento do CD reserva um som mais empolgante de efeitos pulsantes, mantendo a qualidade instrumental e a experimentação de ritmos com tambores africanos e cordas orientais. O bom som dos violinos de Viva la Vida, o rock mais pesado de "Violet Hill" e as composições marcantes mostram o melhor de Coldplay. O resultado final é um som que merece palmas pela inovação e por fugir das fórmulas criadas pela própria banda. Nota 3/5
Assista ao clip de "Violet Hill":

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sábado, 26 de julho de 2008 às 13:05

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O Reino: retrato de uma guerra para sentir saudade da Santa Inquisição

O ReinoContos de fadas não existem! Vou repetir: contos de fadas, não existem! Embora todo mundo saiba disso, algumas pessoas costumam enxergar a vida com esperança, apostando que as pessoas são boas por natureza. Músicas cantam a felicidade, exaltam a esperança de um mundo melhor, sem guerra, um lugar para viver em plenitude. A verdade? Utopia, somente isso.

O Reino (The Kingdom, 2007), recente bomba da indústria do cinema, é uma história para não ser esquecida. Não que seja inédita, muito pelo contrário, basta ligar a TV depois das 18hs e lá estão os fatos. A questão é: O Reino não carrega a frieza de um telejornal, ele seduz o jovem a "entender" o atual cenário político com uma bela contextualização inicial e excelentes seqüências de ação usando o jeito "Counter Strike" de filmar.

O Reino      O Reino

A história explora o que seria um dos piores ataques contra ocidentais no Oriente Médio. Tendo como alvo os funcionários de uma petrolífera americana, terroristas atacam um complexo residencial em Riad, Arábia Saudita. Matam mais de 100 pessoas e deixam outros 200 feridos, incluindo idosos, mulheres e crianças. Enquanto os engravatados discutem questões sobre a territorialidade, o agente especial Ronald Fleury (Jamie Foxx) e sua equipe da FBI negociam uma viagem secreta de 5 dias à Arábia Saudita, na qual pretendem localizar o responsável pelo bombardeio.

Porém, quando a equipe chega ao deserto, se depara com autoridades sauditas desconfiadas e hostis. Agregue a isso o despreparo e a má vontade e teremos então um belo problema diplomático. De mãos atadas, os agentes do FBI percebem que sua experiência é inútil caso não conquistem a confiança dos sauditas. É quando Fleury consegue o auxílio do coronel Faris Al Ghazi (Ashraf Barhom), que foi designado para proteger os visitantes americanos.

O Reino      O Reino

Um dos pontos mais fortes é o fato de O Reino não defender – explicitamente – uma ideologia, ele mostra apenas o desenrolar de um fato. A partir daí o que se vê é revolta, uma espécie de ódio mortal impregnado tanto nos adultos como nas crianças. Uma briga diferente de tudo que a humanidade já viu. Um quarto escuro em que todo mundo é alvo e todo mundo é atirador.

Fiquei com a impressão que, de certa forma, Bin Laden é o centro de tudo. Sinceramente? O Reino é um filme que não quero mostrar para meus netos. Tenho vergonha de fazer parte dessa história, desse contexto, dessa briga, dessa merda de desconfiança generalizada. Chego a sentir saudade da Igreja Católica e a Santa Inquisição, e esse é o maior perigo. A lógica Bush! A lógica do alerta vermelho constante! A lógica eterna do Grande Irmão! Mas fique tranqüilo, antes do final mataremos todos eles. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sexta-feira, 25 de julho de 2008 às 23:01

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Sangue Negro: um mergulho de cabeça nos perigosos poços texanos de petróleo

Sangue NegroDa lista de concorrentes ao Oscar desse ano, Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) é o que me despertava mais fascínio. Eu não conhecia nada da história, nem trailer havia visto. Minha curiosidade surgiu depois que olhei pôster do filme pela primeira vez. Nele aparece apenas o rosto misterioso de Daniel Day-Lewis, envolto a uma imensidão negra, com chapéu, bigode e uma gravata desalinhada. Abaixo o poético título. É como gostar de um livro olhando apenas a capa, sem ter lido uma página sequer.

A expectativa em torno do filme cresceu quando começaram a pipocar prêmios. Melhor Ator no Oscar, Globo de Ouro e BAFTA; Melhor Diretor no Festival de Berlim, tendo inclusive ganho um Urso de Prata por Melhor Contribuição Artística; além de diversas indicações para Fotografia, Roteiro, Ator Coadjuvante, Edição. Na minha cabeça Sangue Negro era o melhor filme do ano. Uma história para ser vista com calma, sem afobação ou pressa e com o espírito aberto. Assim o fiz.

Sangue Negro      Sangue Negro

Baseado no livro "Oil", de Upton Sinclair, Sangue Negro é ambientado na fronteira do Texas, EUA, num período entre o final do século XIX e início do XX. O longa narra a ascensão do magnata Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um mineiro que teve azar na exploração de prata, mas encontrou um mar de petróleo transbordando do solo de Little Boston, uma pequena cidade no oeste americano. Daniel então encara o desafio de comprar essas terras das famílias locais e superar a força da tradição religiosa defendida pela igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano).

Escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, achei Sangue Negro um filme chato e bastante cansativo. Os 158 minutos de exibição me pareceram compridos demais, tanto é verdade que o longa não foi forte suficiente para levar outros prêmios na maioria das categorias disputas. Claro que vale a apena assistir pela psicótica atuação de Daniel Day-Lewis, ainda assim não creio que esse tenha sido o melhor trabalho individual do ano. Mas como falei no início, acabei criando muita expectativa com relação ao filme, quando isso ocorre o resultado geralmente é decepção.

Sangue Negro      Sangue Negro

Depois do balde de petróleo frio na cabeça, pude perceber o quanto foi legal acompanhar as estratégias de negociação conduzidas por Daniel, no processo envolvendo os grandes investidores e as pequenas famílias donas dos ranchos. Também achei muito legal a solitária relação de cumplicidade entre Daniel e seu filho adotivo H.W. Plainview (Dillon Freasier), antes de tornarem-se bilionários. Da mesma maneira, foi interessante perceber o surgimento dos conflitos inerentes a essa riqueza, como o aparecimento de aproveitadores. E independente de qualquer opinião, Sangue Negro é um verdadeiro mergulho de cabeça nos perigosos poços texanos de petróleo. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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Rock Band e o modelo de jogos expansíveis

Que a indústria dos jogos eletrônicos hoje já tem um faturamento que supera a indústria cinematográfica, isso já foi repetido aos quatro ventos milhares de vezes e portanto se for uma mentira ela passa a automaticamente a ser uma verdade.

Na verdade essa é uma afirmação correta sendo um fato que grandes produções Hollywoodianas evitam serem lançadas em semanas próximas a jogos aguardados para não perderem bilheteria, porém o que me surpreende nessa indústria é a capacidade dela se reinventar.

Fazer um jogo hoje é impossível para uma única pessoa, é necessário uma grande equipe o que torna todo o processo um investimento na casa dos milhões de dollares, por isso essa indústria com receio de amargar prejuízos de vendas com jogos ruins, sempre aposta nas franquias que é sucesso, tudo aprendido no cinema, pois se o filme tem bilheteria pode-se esperar várias continuações.

Porém com a chegada de consoles dotados de memória de armazenamento (HD) a indústria criou uma forma de ganhar e muito com esse recurso, são os conteúdos adicionais, bastante presente no jogo Rock Band.

Primeiramente, o que é esse Rock Band? É um jogo ritmico dotado de periféricos como guitarra, bateria, baixo e microfone, onde o jogo se baseia no fato do jogador acertar precisamente as notas que descem por uma barra na tela, algo que em certos níveis é algo bastante complicado.

Rock Band

Esse jogo tem vários trunfos para essa nossa época repleta de pirataria, pois o pacote do jogo contém os periféricos e só nesse especto a compra do jogo original já é um requesito básico e a segunda parte que o torna interessante é que toda semana são disponibilizada na rede músicas adicionais para venda, o que de uma certa forma deixa o jogo a cara do seu dono, pois o usuário tenderá a comprar as músicas que ele gosta.

Dessa forma sensacional os criadores do jogo não só conseguem manter o jogo sempre novo, como as vendas do pacote com os periféricos e músicas se mantém num ritmo que antes era impossível, pois jogos tendem a envelhecer e passado o hype inicial as vendas tendem a ficarem mornas, o que não acontece com um jogo que tem módulos adicionais toda semana.

E recentemente o jogo se mostrou também uma ótima plataforma de publicidade ao lançar um albúm completo da banda Judas Priest para download, para que os fãs dessa banda que já tocou no Rock in Rio aproveite as músicas de uma forma mais interativa.

Rock Band

Agora o lado ruim dessa brincadeira, primeiro para nós Brasileiros a ausência total de bandas nacionais o que é lógico pois o jogo quer ser universal e outra que os periféricos aqui custa marginalmente inferior ao valor de um console novo, para ser exato R$1099, um valor bastante proibitivo.

Contudo eu vejo nesses consoles e nesse tipo de jogo uma excelente plataforma de diversão e negócios, pois com a indústria fonográfica tendo prejuízos um jogo que venda músicas é um transporte para alavancar músicas e artistas. Acordem artistas nacionais, veja o exemplo aqui ilustrado e se re-inventem como jogo e vejam que ótimo modelo de negócio.

Gameplay:



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quarta-feira, 23 de julho de 2008 às 00:01

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Batman - O Cavaleiro das Trevas: Coringa revelando o lado mais sombrio da psique humana

Fui ao cinema assistir Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008). Sala lotada, quente e silenciosa. Geralmente filmes com apelo às massas costumam deixar os ânimos um pouco exaltados, principalmente nos adolescentes. Gracinhas e piadinhas costumam pipocar durante toda a projeção. Mas dessa vez havia algo de estranho no ar. O público estava quieto, cometido numa espécie de hipnose coletiva. Não ouvi sequer reclamações do calor insuportável que fazia na sala de exibição. Achei agradavelmente estranho.

Aos poucos fui percebendo o nome desse fenômeno: Heath Ledger. O mundo do entretenimento ficou chocado com a notícia da morte do jovem ator de apenas 28 anos. O corpo foi encontrado em seu apartamento em Nova York na tarde do dia 22/01/08, fatalidade causada por superdosagem de remédios para dormir. O que se viu a partir daí foi um debate sobre a influência que a interpretação do vilão Coringa teria tido sobre sua morte. Coringa matou Heath Ledger? Paralelamente começou a surgir uma campanha para que o ator neozelandês concorra postumamente ao Oscar 2008, fato que seguramente iria gerar um maior apelo da mídia em relação à cerimônia de entrega do prêmio.

No primeiro fim de semana após a estréia mundial, Batman desbancou Homem-Aranha nas bilheterias norte-americanas. Somente nos três primeiros dias em que esteve em cartaz nos cinemas, O Cavaleiro das Trevas arrecadou cerca de 155,3 milhões de dólares em ingressos vendidos nos Estados unidos e no Canadá, ultrapassando os 151,1 milhões de dólares com "Homem-Aranha 3" ao longo do fim de semana de estréia. Pelo menos foi isso que informou a distribuidora Warner Bros. Pictures ainda no domingo.

Batman - O Cavaleiro das Trevas      Batman - O Cavaleiro das Trevas

Assim como os números, o filme também impressiona. Batman definitivamente não é um programa para crianças. Acho que os pais que levaram seus filhos menores de 16 anos estão arrependidos. Batman - O Cavaleiro das Trevas é um filme que mexe com os segredos mais bem guardados da psique humana. Tudo aquilo de ruim que tentamos esconder na sombra de nossa imagem pública, O Cavaleiro das Trevas revela, ridiculariza, ateia fogo e se embriaga com nosso medo. É bem verdade que nos quadrinhos o Homem-Morcego nunca foi um herói normal, daqueles com superpoderes e uma cartilha ética debaixo do braço. Ele sempre soube criar suas próprias regras.

Batman - O Cavaleiro das Trevas é perverso do início até o fim. O filme começa com sol a pino. Gotham City brilha enquanto assaltantes com máscaras de palhaço roubam um grande banco. Bastam poucos segundos para descobrirmos que o Coringa (Heath Ledger) está por trás da ação. Mais do que dinheiro, o vilão deseja notoriedade. Muito boa a primeira aparição, porém, é na seqüência seguinte que Coringa conquista o público. O ar debochado com que enfrenta todos os chefões da máfia de Gothan arranca riso de todos no cinema.

Coringa e deboche são duas palavras que se confundem. O melhor exemplo disso é a cena do interrogatório conduzido pelo Batman. O então prisioneiro Coringa no papel que mais gosta: brincar com a vida das pessoas. Apanhando e rindo do desespero do Homem-Morcego. Excepcional atuação. Amoral Coringa, um sujeito sem remorso, culpa ou piedade, um vilão que aprecia o sabor da morte, pois é na iminência dela que as máscaras caem e se pode conhecer a verdadeira face das pessoas.

Batman - O Cavaleiro das Trevas      Batman - O Cavaleiro das Trevas

Coringa é tão louco que queima dinheiro. O que representa isso? Que vilões devem desejar mais do que simplesmente grana? Provavelmente. Note, porém, que essa estratégia faz de Coringa uma carta aleatória no baralho. Todo bandido que busca dinheiro obedece a uma lógica matemática, Coringa não. O vilão deseja apenas grana suficiente para comprar dinamite, gasolina e pólvora, ingredientes suficientes para provar que o mais incorruptível dos cidadãos não presta. Coringa representa o caos, é ele quem faz o circo pegar fogo. Destaque para cena em que o Homem-Risada aparece vestido de enfermeira. Impagável.

Que Coringa é louco, todo mundo já sabe, mas ele trabalha com armadilhas mortais bem interessantes. Impossível não lembrar da Teoria dos Jogos, principalmente o Dilema do Prisioneiro: dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para condená-los. Porém, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo. Se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia.

Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir? O Dilema do Prisioneiro é um problema da Teoria dos Jogos, um exemplo claro de um problema de soma não nula. Neste problema, como em outros muitos, supõe-se que cada jogador, de modo independente, quer aumentar ao máximo a sua própria vantagem sem lhe importar o resultado do outro jogador.

Batman - O Cavaleiro das Trevas      Batman - O Cavaleiro das Trevas

O resultado desses jogos é o que menos importa ao Coringa, o que vale é a diversão. E justamente nessa "diversão" – acompanhada com entusiasmo pela platéia – que reside meu medo. A cada gracinha o cinema vinha abaixo, rindo das atrocidades do Coringa. A morte tem graça? A crueldade é divertida? Heath Ledger conseguiu descobrir o tempero certo dessa brincadeira e fez da morte uma piada. O ator acabou apelando aos remédios para desencarnar o perturbador personagem. E de certa forma conseguiu! A questão é: alguém terá coragem de substituí-lo num próximo filme? O público aceitará um novo Coringa?

Apesar das muitas vitórias, o palhaço também engole alguns dissabores em Batman - O Cavaleiro das Trevas. O resultado de um de seus jogos acaba zero a zero, com todo mundo ganhando. Inclusive, numa seqüência envolvendo dois barcos de passageiros, o personagem mais medonho toma uma atitude que extrapola todos os modelos ético-comportamentais pré-concebidos. O que o autor tentou nos dizer? Que existe esperança nos seres humanos? Que o lado bom de cada um é mais forte que o lado ruim? Não sei. Acho que teria sido mais legal uma catástrofe no lado dos bonzinhos causada por eles próprios. Acho que a mensagem ressoaria mais alto.

Batman - O Cavaleiro das Trevas não se equipara com outros grandes filmes de ação quando se fala de Efeitos Especiais. Porém, confesso nunca ter visto uma cena de tombamento de caminhão como mostrado no filme. Todos na platéia soltaram aquele ohhhhh... Some-se a isso uma bela edição de som, tendo conseguido deixar o ambiente nervoso e apavorante, causando angústia a cada tic-tac das armadilhas do Coringa. Eu gostei especialmente do trabalho de maquiagem feito no vilão Duas-Caras, o rosto ficou parecendo um zumbi de "Resident Evil".

Batman - O Cavaleiro das Trevas      Batman - O Cavaleiro das Trevas

Por falar nesse novo vilão, O Cavaleiro das Trevas soube trabalhar muito bem a dinâmica no uso dos três rivais: Espantalho, Coringa e Duas-Caras. Mas o resultado individual desse último não foi bem o que eu esperava. O ator Aaron Eckhart convence como Harvey Dent, promotor de Gotham City, novo rosto da lei e da ordem, um herói que não precisa usar máscaras para combater o crime, mas como Duas-Caras ficou devendo. Achei o processo de conversão do mocinho em vilão muito ruim, rápido demais. Em nenhum instante você acredita na maldade do personagem.

Na mesma medida, foi pequena a participação dos mafiosos. No precedente "Batman Begins" (2005) os chefões foram melhor aproveitados. Também acho que a série perdeu com a saída de Kate Holmes. Pra mim a mulher do Tom Cruiser é mais atriz que Maggie Gyllenhall, principalmente para interpretar Rachel Dawes, a mulher entre Bruce Wayne e Harvey Dent. Além disso, achei sem sentido o rapto do empresário em Hong Kong, sua participação na história é superficial demais. Pior só o patético trabalho desenvolvido pela SAWT de Gotham City, um verdadeiro desastre, não conseguem sequer transferir um preso, ridícula a ação da polícia.

O final é muito bom, ao invés de terminar com o clichê do vilão sendo preso e mocinho saindo na capa do jornal, Batman - O Cavaleiro das Trevas optou por colocar o vilão sendo alçado à categoria de herói-mor e o nosso Homem-Morcego sendo perseguido por cães, caçado como um animal, um criminoso. Pois como diria o grande Harvey Dent: "Ou se morre como herói, ou se vive o bastante para se tornar o vilão". Naturalmente, a primeira sensação quando a luz do cinema acende é de melancolia, um resquício do pavor causado pelo "defunto" Coringa. Afinal, como pode um simples homem causar tanto medo? Talvez essa pergunta nunca encontre resposta, principalmente quando se chega ao ponto de discutir se Batman é um herói ou guardião. Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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