sexta-feira, 28 de novembro de 2008 às 07:00

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Max Payne: a velha trama do policial em busca de vingança

Max PayneMax Payne (Max Payne, 2008) é uma adaptação de um game homônimo de tiro em terceira pessoa. O longa conta a saga trágica do policial interpretado por Mark Whalberg. Depois de vê sua mulher e filho assassinados, se isola do mundo, muda para o departamento do arquivo morto e envereda pelo caminho da investigação por conta própria em busca de vingança.

Iniciei logo fazendo um breve resumo do filme porque essa receita é velha conhecida dos filmes policiais de Hollywood. Porém, mesmo com uma péssima crítica em todos os meios de comunicação, como antigo jogador da série eu vi que o filme foi fiel à ambientação e fotografia do jogo de 2001, caso raro.

Para o final do filme não ficar evidente para quem conseguiu terminar o jogo, eles fizeram algumas mudanças na história, porém foram coisas poucas. E para mim o interessante foi verificar que um jogo que foi concebido para transpor os efeitos do filme "Matrix" (1999) para as telas dos vídeos games, teve sua estréia no cinema, mídia essa que praticamente foi o útero da idéia do game.

Para os que gostam de reparar na fotografia de filmes, verão tendências que remete a cenas do filme "Constantine" (2006), com a dualidade inferno e paraíso, algo que foi alvo de bastante crítica ao diretor John Moore e que não possui no jogo, mas que casou bem com a trama e o ar pesado e saturno que permeia todo o filme.

Max PayneMax Payne

O interessante é que apesar das críticas pesadas que recebeu, o filme conseguiu na sua estréia nos Estados Unidos ficar com a primeira posição das bilheterias, talvez efeito dos amantes do jogo que queriam ver a transposição para o cinema ou da publicidade que ele gerou na internet, pois no caso do jogo a publicidade foi carro chefe que alavancou milhões de vendas pelo mundo.

De resto sobra muito tiro, cenas de stop-time que remetem a "Matrix" e muitos atores que são facilmente encontrados em séries americanas. O fato evidencia um orçamento e uma aposta acanhada. Mesmo sendo protaginizado por um ator ganhador do Oscar, Max Payne não é garantia de sucesso. Diante de todas as adversidades o filme merece pontos. Max Payne manteve muitos elementos presentes no jogo. O final pode surpreender quem conseguiu zerar o game e poderá ser facilmente descoberto por quem prestar muita atenção ao filme. Nota 3/5

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008 às 07:00

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Super Street Fighter II Turbo HD Remix: uma releitura do clássico game 2D de lutas marciais

Super Street Fighter II HD RemixÉ muito difícil encontrar pessoas que não conheçam ou tenham ouvido falar no jogo "Street Fighter", pois o mesmo até filme ruim estrelado por Van Damme já foi criado.

"Street Fighter" surgiu no Japão no ano de 1987, nos famosos fliperamas, como eram conhecidos no Brasil. Porém em terras tupiniquins seu sucesso aconteceu na geração dos vídeo-games de 16-bits, disputado no Mega Driver da Sega e o SNES da Nintendo. Muitos anos se passaram, várias versões do "Street Fighter" foram lançadas e a franquia continuou existindo. Mesmo sem muito impacto nos anos entre 1991 e 1996, as tentativas da mudança para a perspectiva 3D não agradou ao público.

Agora nessa nova geração de consoles Xbox360 e PS3, o game voltou como Super Street Fighter II Turbo HD Remix (Capcom, 2008), em formato 2D, resolução de 1080p, melhor programação dos sprites e uma maior dinâmica. Street Fighter II Turbo trouxe um ar de nostalgia à velha guarda dos vídeo-games. De quebra apresentou a série para a nova geração. Paralelamente o game também aquece os joysticks para o que virá no futuro: "Street Fighter 4", jogo tão esperado quanto o novo álbum do Guns N' Roses. Porém, sem chance de decepcionar os fãs da série, o que não posso dizer o mesmo do CD de Axl Rose.

Super Street Fighter II HD Remix
Super Street Fighter II HD Remix

Street Fighter II será vendido pela Live e pela PSN por download, mas os produtores já disseram que podem portá-lo para qualquer sistema que possua um direcional em forma de cruz e 6 botões. Dessa forma, as outras plataformas que ficaram de fora podem iniciar a pressão junto ao blog da empresa para que o jogo saia para todos.

Sem dúvida "Street Fighter" marcou toda uma geração e esse regresso em formato original é um presente a todos. Mesmo apreciando vários jogos em 3D, as lutas em formato side-scroling 2D ainda são minhas preferidas, espero que esse lançamento marque uma tendência de mercado e quem sabe venha um "Top Gear HD Remix". Sonhar não custa nada. Nota 5/5

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008 às 06:00

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O Convidado: uma engraçada crítica aos modelos de entrevista de emprego

O ConvidadoO Convidado (L'invite, 2007) é uma comédia francesa. O filme usa um humor ácido para criticar a maluquice que está se tornando o processo seleção de empregados. Todos sabemos que é vital para uma empresa conhecer se o funcionário contratado irá corresponder ao trabalho, mas qual o limite ético para esse tipo de investigação?

Conhecer uma pessoa geralmente requer tempo, muito tempo, algo que um currículo e uma rápida entrevista nem sempre são suficientes para sanar todas as dúvidas. Por isso são criados métodos diferentes para tentar escolher o melhor. Para quem observa do lado de fora, esses métodos são bem curiosos e engraçados.

É disso que trata O Convidado: como a busca pelo melhor funcionário está criando situações bem malucas nas entrevistas de emprego. O filme mostra a encrenca que o desempregado Gérard (Daniel Auteuil) se meteu ao convidar seu novo chefe para jantar em sua casa. Aparentemente seria apenas uma comemoração pelo novo emprego, porém, seu vizinho Alexandre (Thierry Lhermitte), alerta que o jantar é apenas um teste e a entrevista de emprego não acabou.

O ConvidadoO Convidado

Nessa nova etapa da entrevista reside toda comédia e a crítica do filme. História pertinente, já que a França passa por sérios problemas sociais, sendo um deles a falta de emprego. O mercado de trabalho está estagnado devido aos muitos direitos dos trabalhadores e as empresas não contratam pelo custo do empregado.

Mesmo sendo uma comédia, O Convidado trás uma linguagem diferente de Hollywood. Aqui não temos situações marcadas para serem piadas, ele é engraçado pelo contexto vivido pelos personagens e sustentado pelo excelente texto. Mesmo sendo um filme de produção modesta, consegue agradar ao não exagerar ou forçar situações.

Só espero que nas minhas entrevistas futuras de empregos eu não tenha que passar por nenhuma dinâmica de grupo. Imagine um teste psicológico do tipo: interprete uma árvore ou pegue um objeto que o represente. Prefero pular de bungee jumping. Nota 3/5

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008 às 06:00

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Mamma Mia!: musical divertido para quem é apaixonado pelo ABBA

Mamma Mia!Onde se pode ver pessoas correndo por ruas de uma pequena cidade cantando o que sente e, num cais à beira mar, improvisar uma coreografia sincronizada perfeitamente? Se você imaginou num musical acertou. Mamma Mia! (Mamma Mia!, 2008) é a adaptação de um musical que fez muito sucesso em Londres e na Broadway. Apesar do filme ter sido lançado somente nesse ano, a idéia de levar as músicas do grupo sueco ABBA aos palcos iniciou na década de 80.

Apesar dos sérios problemas de iluminação, fotografia e músicas que não encaixam perfeitamente na história, o musical consegue divertir quem assiste. Além do mais, para quem gosta do ABBA ou viveu a época da discoteca, Mamma Mia! é uma chance de voltar no tempo. Com certeza o verdadeiro fã acabará dançando ou cantando alguma canção.

O centro da trama é o casamento de Sophie (Amanda Seyfried). Criada pela mãe Donna (Merryl Streep), que na juventude viveu uma história de amor com três homens Bill Anderson (Stellan Skarsgård), Sam Carmichael (Pierce Brosnan) e Harry Bright (Colin Firth), Sophie que descobre o diário de sua mãe ver a possibilidade de um deles ser seu pai desconhecido e convida os três para a festa, sem Donna saber.

Mamma Mia!Mamma Mia!

O final é inesperado, mas até que ele ocorra, haja música do ABBA. Porém, ver o antigo 007 cantando ao lado da tenebrosa Miranda Priestly (vilã do filme "O Diabo Veste Prada", leia a resenha) é muito interessante. Ambos mostram que, mesmo num musical arrasam como atores e Amanda Seyfried, mesmo atuando com uma grande atriz não faz feio.

Mamma Mia! tem situações que não convencem. Não sendo muito crítico nesse aspecto o filme diverte, tendo um fundo de comédia romântica que deve agradar mesmo os casais que não conhece o repertório do ABBA. Nota 3/5

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008 às 14:57

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Sukiyaki Western Django: o velho bang-bang com nova roupa

Sukiyaki Western DjangoO oriente prova novamente que sabe fazer filme e tráz à tona um gênero que estava sendo pouco explorado nessas últimas décadas, revivendo a história de Django, um western espaguete de 1966 e fazendo ponta na história Quentin Tarantino, cidadão que considero um monstro por participar de projetos que incluem referências a filmes antigos do cinema mundial.

É o que acontece com Sukiyaki Western Django (Sukiyaki Western Django, 2007), um filme que conta a disputa das gangues vermelha e branca por um tesouro escondido. Nesse início acontece cenas fantásticas quando um estranho surge na cidade e é forçado pelas gangues a escolher um lado. Numa parte o estrangeiro e uma avó, que cuida do neto que teve o pai assassinado pelos vermelhos, na outra a mãe que se alia aos brancos, tornando-se uma espécie de cortesã do líder.

O longa faz referências ao clássico italiano "Por um Punhado de Dólares" (1966), filme esse que eu não assisti. A trama se desenvolve explicando o surgimento de Django, um herói que vaga pelas cidades arrastando um caixão e dentro dele reside uma potente metralhadora. Seu espírito justiceiro é explicado pela morte de seus pais quando era uma criança.

Sukiyaki Western DjangoSukiyaki Western Django

Sukiyaki Western Django é de certa maneira uma releitura do gênero, pois o herói que vinga e mata todos, peculiar dos filmes de western, não existe e estão todos os personagens em pé de igualdade lutando para sobreviver ou para dominar a região e no meio da guerra os outros personagens tem que escolher que lado lutar.

Sukiyaki Western Django tem uma boa fotografia, cenas eletrizantes e pitadas de comédia. Escrito por Takashi Miike e Masa Nakamura, dirigido por Takashi Miike, o filme é um western que trás toda a cultura japonesa embutida e um modo de história com várias vertentes. Nota 3/5

Atualização em 15/08/09: O nome desse filme no Brasil é "Sukiyaki Western Django".

Clique em play para ver o trailer:

Daniel: Sukiyaki Western Django deve ser bem legal mesmo. Fiquei até surpreso quando os caras do Massaroca (quadro do programa Metrópolis da TV Cultura) recomendaram o filme. Veja o vídeo:

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008 às 06:36

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A Era da Escuridão: mais uma fracassada adaptação dos games

A Era da EscuridãoCaso o diretor Simon Hunter tivesse transformado A Era da Escuridão (The Mutant Chronicles, 2008) num curta-metragem, com certeza ganharia o Oscar. Os primeiros 15 minutos do filme são excelentes, o campo de batalha parece muito com as imagens da Segunda Guerra Mundial. Enquanto cai uma chuva de bombas e tiros, soldados encurralados numa trincheira trocam idéias, pensam sobre a vida, fazem planos e contam seus feridos. As imagens monocromáticas com efeitos estilizados ajudam a criar o clima ideal de um futuro pós-apocalíptico. Um destino possível, por que não? A falta de alimentos, o aquecimento global, a guerra energética, ingredientes não faltam nesse caldeirão autodestrutivo.

Segundo a lenda mostrada no filme, uma grande estrutura alienígena chamada "A Máquina" veio para nosso planeta. Seu único propósito era transformar homens em mutantes. Depois de muito sofrimento, a união de antigas tribos dos homens conseguiu selar a mortífera engenhoca embaixo da terra. Por anos ela ficou protegida, sendo sua história contada apenas num livro sagrado de crônicas. Porém, no ano de 2707 as quatro grandes corporações que governavam o mundo entram em guerra. Acidentalmente acabam acionando a estrutura que mantinha "A Máquina" protegida. Os mutantes ganham a liberdade e partem para exterminar a raça humana.

A Era da EscuridãoA Era da Escuridão

O irmão Samuel (Ron Perlman), líder religioso da seita que protegia "A Máquina", une esforços com Constantine (John Malkovich), líder de uma das grandes corporações, e montam uma tropa de elite formada por sete fortes combatentes. Entre eles o major casca-grossa Mitch Hunter (Thomas Jane) e a bela guerreira oriental Valerie Duval (Devon Aoki). Eles vão ter que encarar uma jornada suicida até o miolo da terra, destruir a tal máquina e acabar com todos os mutantes. Um a um nossos guerreiros vão sendo capturados e transformados em mutantes. Entre uma decapitação e outra, espaço para rápidas demonstrações de falso heroísmo.

Baseado no velho jogo de RPG "Mutant Chronicles" (1993), em que os jogadores personificam seus personagens e saem pra matança, A Era da Escuridão não funcionou com filme. E nenhum game nesse estilo vai funcionar. Não sei o que passa na cabeça dos caras que resolvem adaptar histórias como essa. No console a lógica é atirar e correr, bastando ficar atento para evitar game-over. Mas quando se tenta vendê-la pra uma massa de gente que nada tem a ver com videogame, o resultado não podia ser outro: fracasso. Adaptam-se livros, quadrinhos, até músicas, mas ninguém conseguirá adaptar um game com qualidade. A dinâmica de um jogador é diferente do espectador. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008 às 00:22

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Arquivo X - Eu Quero Acreditar: requentando a velha paranóica fé sobrenatural

Arquivo X - Eu Quero AcreditarEu acredito em seres extraterrestres. Não é simplesmente uma questão de probabilidade decorrente da infinidade de galáxias. Nem tão pouco cultural, influenciada pelos inúmeros filmes de ficção-científica. Alguns poderiam achar que a questão se sustenta na veracidade de fotos e vídeos amadores, depoimentos de testemunhas, vestígios e arquivos ultra-secretos. Outros culparão o racionalismo da "era científica". Mas nenhuma delas oferece respostas. Eu quero acreditar por uma questão de fé, nada mais. Felizmente isso não faz de mim um cientologista. Já imaginou, lutar contra um ser supremo intergaláctico demoníaco que oprime os espíritos livres?! Haja sabre de luz.

Inteligência extraterrestre, eis o tema mais fascinante da história da humanidade. "Star Wars", "Star Trek", "Stargate", várias produções artísticas já nos provocaram com respostas prontas e fáceis. Talvez a de maior sucesso tenha sido "Arquivo X" (1993-2002), uma série de TV que fazia justamente o contrário. Ao invés de respostas, oferecia perguntas. Os dois atores principais faziam papéis de agentes do FBI, encarregados de investigar casos inconclusos envolvendo fenômenos não explicados. Alienígenas, religião, teorias da conspiração, paranormalidade, satanismo, fantasmas, tudo fazia parte de um grande universo de possibilidades.

Arquivo X - Eu Quero Acreditar Arquivo X - Eu Quero Acreditar

Mais de seis anos após o término do seriado televisivo, Arquivo X - Eu Quero Acreditar (The X-Files: I Want to Believe, 2008), segunda incursão cinematográfica, volta a nos oferecer a mesma atmosfera de mistério e suspense. A trama do filme desenvolve-se a partir da intimidade do casal Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson). A crença é combustível para um duelo entre ciência e religião. Perdemos um pouco de dinâmica e velocidade, mas ganhamos em qualidade narrativa e destreza ao trabalhar com duas histórias simultâneas.

O filme começa mostrando o desaparecimento da agente do FBI Monica Bannan (Xantha Radley). Eu cheguei a pensar em abdução, um pouco de ufologia para matar a saudade, quem sabe, mas logo de cara percebi que não era esse o caminho. Para investigar o crime o FBI desloca a equipe da agente Dakota Whitney (Amanda Peet). A única pista que possui vem dos poderes psíquicos do padre Joe (Billy Connolly), um homem que abusou sexualmente de 37 coroinhas no passado. Sensacional a forma como o tema é abordado. Diante do padre pedófilo, Scully tem suas melhores participações.

Para interpretar as visões do padre, a agente Whitney apela para a experiência do ex-agente Mulder. Mesmo relutante, ele entra de cabeça na investigação. Scully, que também saiu do FBI, prefere focar sua atenção no hospital católico em que atua como médica. Ela terá de decidir se usa ou não células tronco no tratamento de um doente cerebral. Como se sabe, a Igreja Católica é contra esse tipo de intervenção, alegando que contraria a "vontade divina". Apesar de ficar de fora de boa parte da investigação, Scully é o personagem principal do filme.

Arquivo X - Eu Quero Acreditar Arquivo X - Eu Quero Acreditar

A história termina de maneira bem decepcionante. O final da investigação chega a uma descoberta bizarra. Psicologicamente a trama é tão criativa que fica difícil um leigo compreender a fundo as motivações e comportamento de cada personagem. Qual o verdadeiro envolvimento do padre pedófilo com a história dos desaparecimentos? Por que ele está ajudando o FBI? Por que alguém trocaria o crime de tráfico de órgãos por assassinato de uma agente federal? Qual a finalidade prática da experiência russa?

Mesmo sendo apenas um suspense mediano, Arquivo X - Eu Quero Acreditar é denso, forte e convidativo, nos provocando a debater questões importantes como: pedofilia, tráfico de órgãos e células tronco. O único momento de descontração é quando Mulder e Scully ficam diante de uma foto do presidente George Bush. Ao fundo surgem as seis notas da saudosa música-tema. Hilário! É nessa levada crítica que Arquivo X recoloca a paranóica fé sobrenatural no centro de questões humanas universais. Nota 3/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008 às 13:03

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Meu Nome Não é Johnny: o glamuroso e irresistível caminho das drogas

Meu Nome Não é JohnnyA capa da revista Veja dessa semana é o ator Fábio Assunção. Sem condições de atuar, o galã deixou a novela "Negócio da China", para tentar se livrar do vício em cocaína. A reportagem mostra que não faltam exemplos de celebridades quem afundaram nas drogas: Elis Regina, Vera Fischer, Nelson Gonçalves, Felipe Camargo, Marcello Antony, Cássia Eller. Alguns morreram no auge do sucesso. Outros amargam um ostracismo precoce por causa do vício.

Por que alguém rico, famoso e com tanto talento recorre às drogas? Por que existem tantas pessoas que consomem, mesmo sabendo das consequências humanas e sociais? Meu Nome Não é Johnny (Meu Nome Não é Johnny, 2008), um dos filmes brasileiros de maior sucesso desse ano, fala exatamente sobre isso. Baseado em livro do jornalista Guilherme Fiúza, o diretor Mauro Lima pôs na tela a história real do ex-traficante João Guilherme Estrella.

Meu Nome Não é JohnnyMeu Nome Não é Johnny

João (Selton Mello) nasceu em uma família de classe média do Rio de Janeiro. Filho de um diretor do extinto Banco Nacional, ele cresceu no Jardim Botânico e frequentou os melhores colégios, tendo amigos entre as famílias mais influentes da cidade. Carismático e popular, João viveu intensamente os anos 80 e 90. Neste período ele conheceu o universo das drogas, mesmo sem jamais pisar numa favela. Logo se tornou o maior vendedor de cocaína do Rio de Janeiro, sendo preso em 1995.

Meu Nome Não é Johnny se divide em duas etapas. Na primeira João deixa de ser "apenas" um usuário de cocaína e começa a ganhar dinheiro com o tráfico. O pano de fundo é o divórcio de seus pais. Depois que sua mãe (Júlia Lemmertz) saiu de casa, seu pai (Giulio Lopes) mergulhou numa depressão, agravada por uma doença pulmonar. Sem ninguém para impor limites e com a casa livre, João promovia constantes festas em que vendia drogas para a abastada juventude carioca.

É nessa época que conhece Sofia (Cléo Pires). Os dois se apaixonam e passam a aproveitar tudo que a vida desregrada é capaz de oferecer. Toda a grana que João ganha nas drogas torra de imediato. Já bastante famoso no Rio de Janeiro, o playboy recebe um convite para levar alguns quilos de cocaína para a Espanha. Disfarçando o bagulho em casacos ele consegue entregar a mercadoria. Com o dinheiro em mãos, João e Sofia fazem um fantástico tour pela Europa.

Meu Nome Não é JohnnyMeu Nome Não é Johnny

Quando voltam recebem mais uma proposta do tráfico internacional. O problema é que nessa época a Polícia Federal já estava na sua cola. Preso em flagrante juntos com seus amigos, João encara o outro lado do mundo das drogas. Meu Nome Não é Johnny chega então à sua segunda e melhor etapa. É mergulhado na cadeira lotada, junto com estupradores e assassinos, que João conhece seu novo lar, seus novos amigos. Quase sem palavras, João resume-se a enxergar as consequências de seus atos. No tribunal, diante da juíza (Cássia Kiss), a vida de João é posta em xeque. O filme termina de forma realista.

Meu Nome Não é Johnny é bem menos do que eu esperava. Gostei do filme, mas acho que faltaram surpresas e um enredo mais caprichado. A história do João Estrella é espetacular, mas não tem diferença daquilo que estamos acostumados a assistir todo dia na imprensa, seja com playboys, celebridades ou pais de família. Um filme com uma mensagem otimista, mostrando aos jovens que apesar de irresistivelmente glamuroso, o caminho das drogas cobra um preço alto demais. Pena que o aprendizado humano – ao longo dos séculos - venha se resumido à experimentação. Nota 3/5

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sábado, 15 de novembro de 2008 às 23:12

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Viagem ao Centro da Terra - O Filme: o mundo ficando cada dia mais tridimensional

Viagem ao Centro da Terra - O FilmeEm 2001 fui conhecer Orlando-EUA, paraíso dos parques temáticos. Na Universal Studios encontrei duas das melhores montanhas-russas do mundo: "Incredible Hulk" e "Dueling Dragons". Já a MGM Studios ofereceu-me a mais psicodélica: "Rock 'n' Roller Coaster", em que se viaja ao som do Aerosmith. Divertidas, mas nada que chegue perto da imponente "Kraken", em SeaWorld. Porém, para quem gosta de cinema, toda essa adrenalina não passa de acessório. O melhor de Orlando é passear pelos estúdios de gravação, conhecer os bastidores e assistir filmes em primeira mão.

No meio desse labirinto visual, acabei descobrindo um cinema 3D. A sala era pequena, cabiam apenas umas 50 pessoas. As poltronas me pareceram estranhas, cheias de itens de segurança (iguais aquelas mostradas em "Jurassic Park"). Na porta um sujeito fantasiado me entregou um velho óculos anáglifo de papelão, parecia bem surrado. Com um pouco de vergonha coloquei o óculos colorido e sentei perto da saída de emergência. Segurei minha expectativa. Mas bastou a animação começar para perceber diferenças em relação a um cinema normal.

Viagem ao Centro da Terra - O FilmeViagem ao Centro da Terra - O Filme

A primeira delas é a sensação de estar sozinho. A sala fica ainda mais escura e a projeção ainda mais viva. O resultado disso é que a concentração no filme cresce a níveis espantosos. Para quem sofre de TDAH isso é bastante estranho, parece que o cinema 3D não deixa você viajar. O mais legal é que algumas imagens saltam aos olhos. A primeira coisa é tentar agarrar o objeto que parece planar diante do seu nariz. A sala ainda contava com "efeitos especiais", como uma baforada de água na cara (simulando um espirro), spray com cheio ruim (flatos) e umas sacudidas na poltrona. Já era o bastante para me convencer que o 3D é o futuro do cinema.

Um exemplo disso é o lançamento de Viagem ao Centro da Terra - O Filme (Journey to the Center of the Earth, 2008), primeiro filme com atores a ser inteiramente rodado em 3D. E o mais legal em tudo isso é que a tecnologia evoluiu muito de 2001 pra cá. As imagens estão mais reais, o efeito tridimensional é mais convincente e até a qualidade dos óculos agora é outra. Infelizmente o Brasil possui apenas nove salas. Mas acredito que num futuro bem próximo essa tecnologia fique mais popular. Os estúdios estão ajudando, em 2009 teremos o lançamento de grandes títulos em 3D, como: "Toy Story 3D" e "Avatar".

Viagem ao Centro da Terra - O FilmeViagem ao Centro da Terra - O Filme

Assisti Viagem ao Centro da Terra em 2D, sem qualquer tipo de efeito especial ou artimanha interativa. Mesmo assim, em várias cenas dá para notar o efeito impresso pelo diretor Eric Brevig, como nos pássaros fosforescentes, na chuva de baixo pra cima, na planta carnívora, nas piranhas, nos monstros marinhos e, principalmente, na perseguição do tiranossauro rex. O espectador que assistiu numa sala 3D com certeza percebeu muitas outras cenas.

De qualquer forma, Viagem ao Centro da Terra é muito bom. Por se tratar de uma aventura juvenil, acreditei que o longa fosse passear pela mesma miudeza de personalidade que sofrem outros filmes do gênero. Embora tenhamos o adolescente Sean (Josh Hutcherson) no centro da história, esse perde espaço para o casal Trevor Anderson (Brendan Fraser) e Hannah (Anita Briem). Um jovem rebelde, um visionário cientista e uma guia racional: nada de personagens débeis com inspirações heróicas.

Viagem ao Centro da Terra - O FilmeViagem ao Centro da Terra - O Filme

Baseado na obra do escritor francês Júlio Verne (1828-1905), o filme começa mostrando o desaparecimento do cientista Max (Jean Michel Paré), irmão de Trevor e pai de Sean. Ele sumiu enquanto fazia estudos sobre instabilidades vulcânicas na Islândia. Esperançosos que poderiam encontrá-lo, os personagens embarcam na aventura seguindo os passos descritos no livro. Entretanto, no meio da expedição eles ficam presos em uma caverna. Quanto mais caminhavam buscando uma saída, mais chegavam perto das profundezas da Terra. Quando finalmente atingem o centro, eles descobrem um exótico mundo perdido.

Viagem ao Centro da Terra é um filme divertidíssimo. Boa parte disso deve-se ao talento e espiritualidade do aventureiro Brendan Fraser. Depois de protagonizar a trilogia de "A Múmia" e encarar uma viagem verniana, o astro vai continuar em cartaz, dessa vez com a fantasia "Coração de Tinta". E pelo andar da carruagem, em breve faremos uma nova viagem a "Atlantis - O Reino Perdido", dessa vez num universo 3D. Só espero que até lá o mundo tridimensional chegue mais perto dos mortais. Verne agradeceria. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008 às 06:00

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3 Días: a visão caótica, confusa e humana do fim do mundo espanhol

3 DíasUm meteoro se dirige à Terra em rota de colisão, russos e americanos fizeram de tudo para destruir o imenso corpo que vem como um míssil ao nosso planeta. Depois das tentativas sem sucesso, é dado o comunicado na televisão avisando ao povo que o fim se aproxima e só teremos três dias de vida.

Essa trama já foi muito batida pelo cinema de Hollywood, porém no filme espanhol 3 Días (3 Días, 2008), não temos um Harry S. Stamper (do filme "Armageddon"), que perfurando plataformas marítimas de petróleo adquiri conhecimento para projetar uma perfuradeira e salvar o mundo com uma equipe bastante exótica. Em 3 Días, ir atrás de um herói é a última coisa a se pensar. Os humanos tem "atitudes humanas", ou seja, o caos se instala em todos os lugares e cada pessoa procura a melhor saída ao seu modo.

A história se passa numa cidade no interior da Espanha, uma cidade bem humilde, onde vivem Alejandro (Víctor Clavijo) e sua mãe Rosa (Mariana Cordero). Que pela televisão assiste ao comunicado do secretário de governo da Casa Branca, informando que apesar dos esforços o mundo vai acabar. Durante todo o filme a colisão do meteoro é algo bastante presente, porém não é o foco absoluto da trama. Paralelo a isso temos o impacto da notícia na vida das pessoas. Rosa ver na televisão que devido a essa notícia, agentes penitenciários abandonam o emprego e os presos começam a fugir das prisões.

3 Días3 Días

E no passado dessa família reside uma história pior que a queda de qualquer meteoro, uma trama envolvendo o irmão de Ale que consegui prender um "serial killer" e colocá-lo atrás das grades e que agora pode está à solta novamente e querendo vingança.

3 Días é um filme bem fácil de entender, porém difícil de rotular num gênero específico, pois ele é um suspense, drama e sci-fi, em que a queda do meteoro age mais como um personagem, algo que irá chegar do que como o foco principal da história. Porém, todo stress enfrentado pelos personagens deve-se a outros fatores, que não devem ser contados para ser uma surpresa aos espectadores.

Um filme ganhador do Festival Espanhol de Filme de Málaga que traz a assinatura marcante do modo de contar uma história pelo cinema espanhol, pois tudo é muito rápido, confuso, caótico, centrado no humano, mas com uma bela fotografia e alguns bons efeitos especiais, mas não espere efeitos como os de Hollywood. Nota 4/5

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008 às 16:49

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Trovão Tropical: uma surpreendente e perversa sátira do universo hollywoodiano

Trovão TropicalTrovão Tropical (Tropic Thunder, 2008) é uma comédia que mistura dois clássicos da Guerra do Vietnã: "Platoon" (1986) e "Apocalipse Now" (1979, leia a resenha). Mas a paródia não se limita ao gênero, fazendo ampla crítica à indústria das superproduções hollywoodianas. O tema é batido, facilmente poderíamos cair num pastelão estilo "Top Gang 2 - A Missão" (1993), com Charlie Sheen. Escrita, dirigida e estrelada por Ben Stiller, Trovão Tropical diferencia-se pelo talento de Robert Downey Jr. e Jack Black, formando assim um poderoso triunvirato.

Ben Stiller interpreta Tugg Speedman, ator famoso por estrelar filmes de ação descerebrados. Sua carreira entrou em decadência depois da fracassada tentativa de ganhar um Oscar. O drama em que fazia o papel de um fazendeiro doente mental virou motivo de chacota na Academia (e polêmica na vida real, veja). Com sérios conflitos existenciais, o único que parece confiar no talento do ator é seu empresário bajulador, que usa várias estratégias para colocar o cliente na mídia: "Adote uma criança! Lute pela salvação dos ursos panda!"

Trovão TropicalTrovão Tropical

No lado oposto temos Robert Downey Jr. no papel do aclamado ator Kirk Lazarus. O personagem é uma sátira dos atores que se sacrificam fisicamente buscando ganhar prêmios e conseguir o reconhecimento da crítica. Para representar um sargento negro no novo filme, por exemplo, o ator passou por uma cirurgia para pigmentar a pele. Por último temos Jack Black no papel do ator Jeff Portnoy, sujeito conhecido por estrelar comédias grotescas e pelo vício em drogas.

Esses três "grandes" atores se juntam para filmar "Trovão Tropical", que prometia ser o maior filme de guerra da história. O problema é que o diretor Damien Cockburn (Steve Coogan) não estava conseguindo controlar o excesso de estrelismo do trio, fazendo as gravações atrasarem e aumentando os custos da produção. É quando entra em cena Less Grossman (Tom Cruiser), o tirano executivo do estúdio que financia o projeto. Pra mim esse é o melhor personagem do filme. Hilário vê o Tom Cruiser barganhando a vida dos atores ao som de "Florida ft. T-Pain - Low". No final do filme Tom Cruiser dá outra canja, dessa vez com "Ludacris - Get Back".

Trovão TropicalTrovão Tropical

Depois da pressão, o diretor do projeto adota uma medida drástica: joga seus atores no meio da floresta asiática. Sem assistentes, equipe de apoio ou telefones celulares, o elenco recebe apenas o roteiro do filme e um mapa de como encontrar a saída. O problema é que o lugar escolhido para as filmagens é dominado por um perigoso bando de traficantes de drogas. O único que não percebe o perigo é o personagem do Ben Stiller. Ele passa a maior parte do filme acreditando que tudo fazia parte do roteiro. Capturado e torturado, ele contará com a ajuda dos amigos para ressurgir das cinzas.

Além da ótima história, temos pequenas surpresas espalhadas pelo filme. Uma delas é o trailer de um falso filme estrelado por Robert Downey Jr. (o Homem de Ferro) e Tobey Maguire (o Homem-Aranha). Os heróis interpretam monges gays que se apaixonam e desafiam a Igreja Católica. Outro momento curioso é Ben Stiller assistindo Star Trek via iPod no meio da floresta. O roteiro é cheio dessas loucuras, fazendo de Trovão Tropical uma surpreendente e perversa sátira do universo hollywoodiano. Nota 4/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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