terça-feira, 30 de dezembro de 2008 às 07:19

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Perigo em Bangkok: um apaixonado assassino de aluguel transformando negócios em sede de vingança

Perigo em BangkokUm bom assassino profissional de aluguel segue quatro regras universais. Primeira: não faça perguntas. Nesse ramo não existe essa coisa de certo ou errado. Segunda: não fique interessado por pessoas do lado de fora do trabalho. Essa coisa de confiança não existe. Terceira: apague qualquer rastro. Fique anônimo e não deixe nada para trás. Quarto: não há forma de sair. Não existe esse negócio de "última missão" para garantir uma aposentadoria. E qualquer que seja seu fim, tenha certeza que será trágico.

Pelo menos é isso que nos ensina Joe (Nicolas Cage) no início do filme Perigo em Bangkok (Bangkok Dangerous, 2008), remake de "Assassino em Silêncio" (1999). O problema é que ao longo da história o próprio protagonista esquece seus mandamentos. O matador envolve-se emocionalmente com uma garota, faz amigos e passa a ter misericórdia de seu alvo. A mudança de atitude acabou transformando um bom thriller de ação num imprestável caminhada de penitência e redenção.

Perigo em BangkokPerigo em Bangkok

Tudo acontece quando Joe chega à capital da Tailândia para executar quatro assassinatos a mando do gângster Surat (Nirattisai Kaljaruek). Para fazer o intermédio entre eles, Joe contrata Kong (Shahkrit Yamnarm), um ladrãozinho de turistas que atua nas ruas de Bangkok. Ao invés de matar o moleque no fim do serviço, como habitualmente fazia com seus ajudantes, ele resolve ensinar tudo que sabe sobre sua arte. Ao mesmo tempo o matador conhece Fon (Charlie Yeung), uma tailandesa por quem se apaixona.

O repentino amor faz o sujeito questionar seus princípios, transformando negócios em sede de vingança. Tudo bem que Perigo em Bangkok é não é um grande filme, mas a história corajosa. Juro que não imaginei um final tão trágico. Talvez a ousadia deva-se à Bangkok. Minha teoria é a seguinte: existem coisas que as pessoas só fazem fora de casa. Provavelmente os produtores não tivessem a mesma audácia num filme rodado nos EUA. Mas como é em Bangkok, usando atores de lá, fica mais fácil.

Perigo em BangkokPerigo em Bangkok

Tirando as idiotices, resta em Perigo em Bangkok uma bela fotografia. Toda a beleza das cores e traços tailandeses foi capturada com perfeição. Os irmãos chineses Danny e Oxide Pang também merecem destaque na direção do longa. É preciso muito talento para realizar tomadas tão teatrais e diferentes, como na cena da perseguição de barcos. A imagem das balas cortando a água, depois o sangue escorrendo e o protagonista visto debaixo pra cima com a arma em punho é de arrepiar. No resto só a mesma apologia gratuita de sempre. Nota 2/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008 às 08:08

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Batman #73 - A Origem do Demônio: morte e trajédia antes da ressurreição do lendário Ra's Al Ghul

Batman #73 - A Origem do DemônioFinja que você está passando por uma banca de revista. Meio escondido na prateleira você enxerga a HQ Batman #73 - A Origem do Demônio (Panini Comics, Dezembro/2008). Algo lhe chama atenção. Talvez o verde fluorescente que nasce nas entranhas do demônio e invade a imensidão negra que esconde o Morcego. Quem sabe a chamada anunciando a ressurreição do lendário Ra's Al Ghul ("Cabeça do Demônio" em árabe), vilão popularizado no filme "Batman Begins" (leia a resenha) em 2005.

Veja novamente a imagem e fale a verdade: é possível não parar e folhear? Acho que não. Os dois personagens na clássica cena de duelo bangue-bangue, prontos para um embate colossal. Difícil deixar o gibi dormindo na banca, principalmente porque nesses últimos meses, em que Gotham City anda bem movimentada. Primeiro com o estrondoso sucesso do filme "O Cavaleiro das Trevas" (leia a resenha) e agora chega a notícia da "morte" de Bruce Wayne na saga Batman RIP (que deve desembarcar por aqui em 2009). Não dá para ignorar esses acontecimentos.

Batman #73 dá continuidade ao bom momento vivido pelo Homem-Morcego. Na primeira história Batman, como Bruce Wayne, contrata o Charada para investigar o roubo de um soro experimental por uma de suas funcionárias. A pista acaba no Abrigo Mulheres de Atenas, no qual a Arlequina se encontra. Fazia tempo que não via Charada em ação. Pelo que deu para perceber, ele está tentado se regenerar. Tenho minhas dúvidas se isso é possível. Acho besteira esse vai e vem de vilões. Já trouxeram a Mulher Gato e agora o Charada? Bobagem.

A história seguinte continua o arco "321 Dias". Achei bacana a dramaticidade empregada pelo roteiro de Marv Wolfman. O conflito entre o Asa Noturna e Eddie Metal chega à Wayne Farmacêutica e tem um desfecho trágico e violento. O lado bom é que Dick Grayson está começando a entender as lições deixadas por Batman. Vigilantes sim, assassinos não. Mesmo sendo intelectualmente bastante limitado, ele é minha maior aposta para herdar o manto negro do Homem-Morcego.

Mulher-Gato aparece na terceira história de Batman #73, ela conduz o arco "Dia das Mães", em que enfrenta um desafio psicológico para conduzir as carreiras de mãe e heroína. Realmente deve ser muito difícil criar sozinha um bebê e participar das aventuras de Batman. A solução mais improvável encontrada é a morte de Selina e sua filha! Acredite. Pelo que entendi, outra mulher assumirá a máscara. Roteiro interessante que me pegou de surpresa.

Finalmente chegamos ao arco "A Gênese do Demônio", que ilustra a capa da HQ. O roteiro faz um belo passeio histórico pelo passado de Ra's Al Ghul, líder da organização criminosa "Liga das Sombras" e um dos maiores inimigos do Cavaleiro das Trevas. A trama é bastante criativa, levando Batman a mais uma brilhante investigação. Curiosidade: Batman #73 contém uma página dupla com vilões do Universo DC com a frase "...e o mal herdará a Terra". Muito, muito legal! Nota 3/5
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domingo, 28 de dezembro de 2008 às 00:04

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Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado: ação e grandiosidade para redimir velhos fracassos

Quarteto Fantástico e o Surfista PrateadoDepois de tanto tempo resolvi assistir Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four: The Rise of the Silver Surfer, 2007). Provavelmente porque o procedente "Quarteto Fantástico" tenha me decepcionado em 2005. Naquela época achei a história ridícula, os personagens patéticos e os efeitos de segunda categoria. Nesse novo filme os caras resolveram caprichar, colocaram muito mais ação, um personagem enigmático e uma grandiosa missão: livrar a Terra da extinção. O resultado é convincente, dando fôlego para o lançamento de novos filmes.

O longa começa mostrando a relação de cada personagem com a nova fama. Enquanto Johnny Storm/Tocha Humana (Chris Evans) e Ben Grimm/Coisa (Michael Chiklis) tiram onda de celebridade, Reed Richards/Sr. Fantástico (Ioan Gruffudd) e Susan Storm/Mulher-Invisível (Jessica Alba) sofrem com o assédio da imprensa, que atrapalha os preparativos para o casamento deles. Muito divertido Susan acompanhando os programas sensacionalistas discutindo sua vida pessoal. Pena que o filme tenha explorado demais esses dramas matrimoniais.

Quarteto Fantástico e o Surfista PrateadoQuarteto Fantástico e o Surfista Prateado

Durante a cerimônia, algo estranho surge nos céus de Nova York. Trata-se do Surfista Prateado (Doug Jones com voz de Laurence Fishburne), um ser alienígena que possui grandes poderes e que trabalha como arauto de Galactus, um destruidor de planetas. O Surfista Prateado veio à Terra para prepará-la para ser destruída por seu mestre. Victor Von Doom/Dr. Destino (Julian McMahon) aproveita e propõe uma (suspeita) parecia com o governo dos EUA e o Quarteto Fantástico.

Gostei do filme, sem dúvida redimiu o fracasso deixado pelo longa anterior. As cenas de ação estão melhores e o filme ficou mais engraçado. O Quarteto Fantástico sempre teve esse humor infantil que diverte os adultos. A cena da despedida de solteiro do Sr. Fantástico é muito boa. Destaque também para a troca de poder entre os personagens. Deu para dá uma mexida nos brios da galera, principalmente no vaidoso Tocha Humana. Bastou virar pedra pro sujeito começar o fazer drama.

Quarteto Fantástico e o Surfista PrateadoQuarteto Fantástico e o Surfista Prateado

Mesmo tendo gostado do filme e notado a enorme diferença em relação ao primeiro, Quarteto Fantástico me soa muito artificial. Todos os problemas parecem pré-moldados a soluções fáceis e industrializadas. Não existe o fator surpresa, o improviso, um pouco de MacGyver não faz mal a ninguém. Também não gosto de personagens demasiadamente estereotipados. De qualquer forma, a briga entre Dr. Destino e Johnny Storm (compilando o poder do quarteto) é algo imperdível. Nota 3/5

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sábado, 27 de dezembro de 2008 às 07:08

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Superman #73 - Estrelando a Liga da Justiça Bizarra!: as imagens valem mais do que as histórias

Superman #73 - Estrelando a Liga da Justiça Bizarra!Superman #73 - Estrelando a Liga da Justiça Bizarra! (Panini Comics, Dezembro/2008) vale muito mais pelas imagens do que pelas histórias. A arte conceitual de Eric Powell no arco "A Fuga do Mundo Bizarro" é espantosa. Lamentei o traço do artista não ter vindo estampado a capa da edição anterior, mas fui recompensado com uma belíssima representação daquela que seria "A Liga da Justiça Bizarra". E não só os heróis da capa estão presentes na história, temos as principais figuras do Universo DC em suas contrapartes degeneradas, incluindo Coringa e Lex Luthor.

A seguir temos a Supergirl numa inesperada missão envolvendo Batman, Superman e a Tropa dos Lanternas Verdes. Sem dúvida uma aventura bem diferente para marcar uma nova fase de Kara. Quase sem diálogos, a história ressalta a arte de Drew Johnson. Gostei apenas do começo, Batman testando a curiosidade da Supergirl. Um pouco demais o Homem-Morcego achar que uma mulher (adolescente) consegue controlar a curiosidade. O resto é uma história confusa e embaralhada, aliás, como tudo no universo dos Lanternas Verdes.

A HQ Superman #73 encerra com a primeira parte do arco "Relação Sinal-Ruído", em que mais uma vez a arte supera a qualidade do roteiro. O traço firme, moderno e bem acabado de Phil Hester é digno de destaque entre as melhores representações do Homem de Aço. Na história Clark Kent sofre para manter sua identidade secreta. O jovem impetuoso Jimmy Olsen só faz besteira, parece uma criança querendo chamar a atenção de Superman. Nosso herói está cercado de idiotas, talvez por isso não consiga mais crescer. Nota 2/5

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008 às 08:58

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Resident Evil - Degeneração: um entediante joguinho de valores morais e monstros bizarros

Resident Evil - DegeneraçãoAté hoje nenhuma adaptação de videogame deu muito certo cinema. Sendo muito bonzinho poderíamos citar "Mortal Kombat" (1995), "Lara Croft: Tomb Raider" (2001) e "Terror em Silent Hill" (2006) como exceções. Porém, ao que parece, a coisa começa a mudar. O sucesso de "Max Payne" (leia a resenha) está fazendo muita gente vislumbrar uma parceria duradoura entre games e cinema. Aos poucos a lógica dos jogos virtuais é destravada. Provavelmente num futuro próximo teremos um grande filme do gênero.

Resident Evil - Degeneração (Resident Evil: Degeneration, 2008) é a nova aposta da parceria entre Sony Entertainment e Capcom. Depois de três filmes com atores reais, o novo longa da série "Resident Evil" é todo feito em computação gráfica, usando a mesma técnica de captura de movimentos vista em "A Lenda de Beowulf" (leia a resenha). O resultado é bem convicente, embora tenha percebido uma má sincronia entre voz e movimentos labiais dos personagens e certa artificialidade durante todo o filme.

Resident Evil - DegeneraçãoResident Evil - Degeneração

Resident Evil - Degeneração começa com um ataque bioterrorista no Aeroporto Harvardville. Um avião comercial cai bem no meio do saguão onde desembarcam centenas de pessoas, entre elas Claire Redfield (voz de Alyson Court), que está envolvida com a causa associada à ONG Terra Save. Os passageiros sobrevivem à queda, mas todos foram contaminados por um vírus que os transformou em zumbi. É quando entra em cena a equipe da SRT (Special Response Team), comandada por Angela Miller (voz de Laura Bailey) e Leon S. Kennedy (voz de Paul Mercier).

A primeira parte da trama até que diverte, mas quando os zumbis dão lugar a um gigantesco monstro bizarro, Resident Evil - Degeneração fica entediante. Bom mesmo só o pequeno mistério sobre as boas intenções da empresa farmacêutica Umbrella. Afinal, quem estará por trás do incidente? O joguinho político com os valores morais da protagonista nos faz pensar sobre verdades e mentiras que nos apegamos. Mas é muito pouco para um game com tantos fãs. Mesmo assim a franquia vai continuar. Azar o nosso. Nota 1/5

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 às 14:47

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Não Estou Lá: a andrógena cinebiografia (fictícia) de Bob Dylan

Não Estou LáEstava em São Paulo quando Bob Dylan pintou pela capital paulista. Os ingressos já estavam chegando à casa dos três zeros quando desisti do show. Então nosso amigo senador Eduardo Suplicy deu a idéia de uma apresentação gratuita, no grande espaço do Museu da Independência. Seria algo inesquecível, grandioso, um evento para a eternidade! Pena que a produção do músico não tenha achado espaço na agenda. Furou.

Bob Dylan é uma dessas figuras lendárias. Talvez seja o maior artista americano de todos os tempos, superior até ao Elvis Presley. O único problema de Dylan é ainda não ter morrido. Uma tragédia faria Dylan maior que Elvis. Do mesmo jeito que Paul McCartney é bem mais artista que John Lennon, mas Paul ainda está vivo e John... bem, John virou um deus. Também acho Carlos Santana mais guitarrista que Jimi Hendrix, assim como Engenheiros do Hawaii mais banda que Legião Urbana e por aí vai.

Não Estou LáNão Estou Lá

Não Estou Lá (I'm Not There, 2007) é uma espécie de andrógena cinebiografia (fictícia) de Bob Dylan. Cinco atores e uma atriz se revezam na pele do músico, interpretando diferentes fases de sua conturbada carreira: Christian Bale, Heath Ledger, Marcus Carl Franklin, Richard Gere, Ben Whishaw e Cate Blanchett. A ousadia de colocar uma mulher fazendo Dylan rendeu bons frutos, ela venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Veneza, o Globo de Ouro e recebeu indicações ao Oscar, BAFTA, Independent Spirit Awards.

Bob Dylan sempre viveu em constante mutação ao longo da vida, especialmente durante os revolucionários anos 60. As alterações do seu "personagem público" estavam intimamente ligadas aos acontecimentos sociais de sua época, ocasionando múltiplas repercussões culturais. De jovem menestrel a profeta folk, de poeta moderno a roqueiro, de ícone da contracultura a cristão renascido, de caubói solitário a pop-star, Bob Dylan transformou-se em porta-voz de toda uma geração.

Não Estou LáNão Estou Lá

Não Estou Lá acabou se tornando um caldeirão temperado com mitos e fatos reais. A imagem que fiquei foi de um artista perdido, que vive fugindo. Apesar dos bons atrativos, Não Estou Lá é uma história difícil de encaixar, principalmente para quem não acompanha os fatos marcantes da carreira do artista. O lado engraçado é a maneira como as pessoas retratadas no filme esperam de Dylan tenha opiniões sobre tudo. Ele simplesmente ignora, sua única missão é escrever músicas e seguir a vida.

Embora tenha achado o filme chato, destaco alguns momentos marcantes, como Bob Dylan na pele negra no menino Marcus Carl Franklin. Nele, Dylan é um guitarrista prodígio de 11 anos, seguidor dos passos debochados do matador de fascistas Woody Guthrie. Também gostei do personagem extraído do ventre da atriz Cate Blanchett. Apesar de perder o charme do "poeta andante", Dylan surge muito mais cerebral e misterioso. Em conjunto, Não Estou Lá é uma homenagem à altura de Bob Dylan, um músico que cantou sobre sua época e viveu à frente de seu tempo. Nota 2/5

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 às 18:03

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Watchmen - Volume 3: a importância dos super-heróis numa fábula social sobre tempo, poder e justiça

Watchmen - Volume 3Depois de muita luta finalmente consegui comprar Watchmen - Volume 3 (Via Lettera, 2005). A briga por um exemplar da HQ está grande. Nos Estados Unidos o presidente da DC Comics avisou que Watchmen terá mais de 1 milhão de exemplares lançados em sua versão encadernada. Para se ter uma idéia da dimensão do fenômeno, as HQs mais vendidas no mercado chegam no máximo a 100 mil exemplares/mês. Desde seu lançamento em 1988, Watchmen não para de crescer, notícias dão conta que a revista vende entre 5 ou 6 dígitos todo ano.

O bom é que mesmo sem querer, acabei lendo Watchmen numa cronologia próxima daquela vivida pelas personagens da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons. Essa edição engloba os capítulos 7, 8 e 9, contando com alguns tesouros entre as histórias. Para começar somos presenteados com um minucioso perfil de cada personagem. O texto explica as motivações, influências, detalhes de personalidade, habilidades, fraquezas e, principalmente, a conexão com o mundo real. Uma oportunidade para desvendar detalhes que muitas vezes passam despercebidos e navegar pela complexidade do processo de criação de uma história em quadrinhos.

O Doutor Manhattan é apresentado pelo próprio Alan Moore como um alienado, isolado, eremita, místico. Doutor em física, ele recebeu suas temerosas habilidades durante uma experiência destinada a subtrair partículas de um padrão atômico deixando, no entanto, intacto o próprio padrão eletromagnético. Seus poderes tendem a se manifestar de modo mais sutil e misterioso do que as pirotecnias empregadas em outros super-heróis atômicos, como por exemplo, o Nuclear.

Ozymandias é um homem perfeitamente desenvolvido que leva a capacidade humana a seu limite extremo. Rico, perfeito, solitário, vê o mundo como um organismo com ele no centro. O Coruja II é uma espécie de híbrido de super-heróis, influenciado por Batman, ele possui um enorme refúgio e uma sólida nave voadora tipo coruja. É um sujeito comum, falível, humano e naturalmente corajoso. Rorschach é um assassino, psicopata, implacável, bruto, imprevisível.

O Comediante é a personagem pivô de Watchmen, mesmo tendo morrido na primeira página. Ele é o jogador sujo, animal, representa toda a América agressiva e militarista presente na história. Anda sempre com um bótom de uma cara amarela sorridente presa no peito. Espectral II é da segunda geração de super-heróis. Mesmo a contragosto, herdou a incumbência de combate ao crime. Watchmen - Volume 3 ainda apresenta outros heróis da velha guarda, serve como argumento histórico.

Mas vamos ao que interessa. Depois de abandonar o Dr. Manhattan, Laurie (a Espectral II) inicia o Capítulo 7 (Irmão dos dragões) indo morar na casa do Daniel Dreiberg (Coruja II). Fuçando no laboratório do sujeito, ela acaba despertando velhas lembranças. Esse é um episódio centrado em recordações, num clima bem nostálgico. Eles conversam sobre a idéia infantil e constrangedora de combater o crime fantasiado. Essa é uma das poucas oportunidades para conhecer um pouco mais sobre as ferramentas de combate do ex-herói.

Daniel lembra que uma das motivações na época era fazer parte de um grupo de guerreiros contra o crime, uma confraria lendária, uma irmandade como os Cavaleiros da Távola Redonda. Por outro lado, os críticos diziam que era besteira montar um arsenal para prender putas e trombadinhas. Enquanto os dois conversam, a Terceira Guerra Mundial ganha fôlego com o desaparecimento do Dr. Manhattan. A contagem regressiva para o embate nuclear começou e o clima é de desconfiança generalizada.

Fico imaginando o impacto psicológico de Watchmen na população daquela época. Deve ter sido um ponto de cartase para toda uma geração. Imagine-se lendo algo que parecia tão profético, no meio de uma guerra entre Estados Unidos e União Soviética. Fico arrepiado só de pensar. Talvez por isso a HQ pareça refletir muito mais sentimentos em quem viveu aquela época do que na geração pós-Guerra Fria. De qualquer forma, Watchmen é um legado histórico que deveria fazer parte de qualquer aula sobre geopolítica.

Além de todo esse viés, temos em Watchmen - Volume 3 uma constante sexual que humaniza as personagens e as coloca a mercê de seus instintos mais primitivos. Laurie leva Daniel para cama, mas o coitado do Coruja acaba brochando. O trágico acontecimento faz o ex-herói perceber o bosta-mole que se transformou. Daniel ressuscita o Coruja e Laurie a Espectral. Fantasiados eles embarcam na Nave-Coruja em um passeio pela cidade. No caminho salvam umas pessoas de um incêndio, fazem sexo selvagem e definem um novo objetivo: libertar Rorschach.

O capítulo termina e logo em seguida temos um artigo do Daniel chamado "Sangue dos Ombros de Pallas", em que ele traça um metafórico paralelo entre o estudo do universo das corujas e a imaginação humana. O que mais me chamou atenção nesse capítulo é o fato do resgate ser a primeira cena de ação com heróis atuando de maneira "tradicional". E veja que durante o resgate a nave tocava música e foi servido cafezinho para acalmar o pessoal. Por esses detalhes exóticos aposto que muita gente vai ficar decepcionada com o filme prometido para maio de 2009.

O Capítulo 8 (Velhos fantasmas) começa no Dia das Bruxas. Hollis Mason (o primeiro a vestir o uniforme do Coruja) liga para Sally Júpiter (a mãe da atual Espectral e primeira a usar o uniforme) para comentar a notícia que dois heróis mascarados haviam salvado um grupo de pessoas de um cortiço em chamas. A descrição batia com a filha de Sally, que declaradamente nunca gostou da missão heróica que herdou da mãe. A repercussão nas ruas do fato é o ponto forte desse episódio. As pessoas estão confusas com a volta dos heróis mascarados.

No laboratório do Coruja, Daniel começa a montar o quebra-cabeça de Rorschach sobre o "matador de máscaras" e acelera o plano para soltar o ex-companheiro. Daniel é pego de surpresa com a visita de um detetive. Ele especula sobre seu envolvimento com Rorschach. Vendo que não tem mais nada a perder, Coruja e Espectral invadem a prisão. O resgate foi muito legal, ponto alto do capítulo e um dos melhores acontecimentos da série. Rorschach é muito sacana, mesmo preso na solitária conseguiu brilhantemente escapar das garras dos inimigos.

O capítulo também é marcado pelo embate jornalístico entre a revista Nova Express e o jornal New Frontiersman. Enquanto um associa os heróis mascarados com a famigerada Klu Klux Klan, outro capta o clima das ruas, a paranóia da guerra e sai em defende dos mascarados. Nessa hora a cidade já estava sabendo da fuga do cara manchada. A notícia dava conta que o Coruja tinha sido o responsável. Alguns baderneiros ensandecidos correram para casa do Coruja I e mataram o pobre Hollis Mason, que não tinha nada a ver com isso.

O capítulo encerra com Dr. Manhattan levando Espectral embora. Antes disso aparecem seis quadrinhos estranhíssimos. Neles a Manish e o Shea nos mostram uma imagem de um monstro e diálogos sobre uma possível conspiração. Será que esses caras são os responsáveis pelo morte dos super-heróis? De difícil compreensão. A sensação é de uma mensagem subliminar. No final do capítulo temos o esboço da matéria "A honra é como o falcão, as vezes deve ser encapuzada", do jornal New Frontiersman.

O Capítulo 9 (As trevas do mero ser) começa com Dr. Manhattan e Espectral no planeta Marte. Um castelo de cristal emerge diante dos olhos da moça. Ela tem a difícil missão de convencer o azulão a volta à Terra. Deve ser difícil conversar com alguém que enxerga o futuro. Segundo Dr. Manhattan, tudo é predeterminado, até suas próprias reações. Espectral alfineta dizendo que o ser mais poderoso do universo não passa de uma marionete seguindo um script. "Todos somos, eu somente vejo as cordas", responde Manhattan.

O capítulo é um flashback de Espectral. Viajando pela insipidez do planeta vermelho ela une fragmentos que revelam um segredo do passado: o Comediante é seu pai. No lado oposto, Manhattan demonstra total desprezo pelas emoções humanas. Ainda assim, diante de um "milagre termodinâmico", o Doutor passa a enxergar a beleza da vida e os mistérios da probabilidade humana, fazendo-o mudar de idéia e decidindo voltar para salvar a Terra da autodestruição. Após o capítulo temos recortes de jornal e algumas cartas de Sally Júpiter.

O importante daqui pra frente é perceber que nada nas páginas de Watchmen é gratuito. O título dos capítulos, por exemplo, é recheado de referências. Bob Dylan, Elvis Costello e John Cale emprestam versos de suas canções, William Blake e Percy Shelley aparecem com seus poemas, temos ainda Gênesis 18:25, Albert Einstein, Nietzsche, Eleonor Farjeon, Carl Jung e o profeta Jó. A própria pichação "Who watches the watchmen?" que aparece na HQ, vem do latim "Quis custodiet ipsos custodes?", verso extraído das "Sátiras" do poeta romano Decimus Junius Juvenalis. Traduzindo seria algo como: "Quem vigia os vigilantes?".

Paralelamente, numa tradução literal, "Watchmen" significa Homens-Relógio. O que acaba encontrando um excelente ponto de convergência com a própria lógica argumentativa desenvolvida por todo o texto. Em síntese temos uma fábula social sobre tempo, poder e justiça. A pichação simboliza tudo isso. A dúvida é: em que contexto os super-heróis seriam importantes? Watchmen nos desafia a encontrar respostas num mundo à beira da destruição total. Nota 4/5

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domingo, 21 de dezembro de 2008 às 06:00

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Os Contos de Beedle, o Bardo: a volta do universo de "Harry Potter"

Os Contos de Beedle, o BardoCom o fim da série Harry Potter e o enriquecimento de sua escritora J.K.Rowling, o universo fantástico que ela criou volta à tona com seu novo livro: Os Contos de Beedle, o Bardo (Editora Rocco, 2008). A proposta do livro é mostrar os contos que permeia a vida dos bruxos quando crianças, contos que contém mensagens e lições de moral, como tantos contos que lemos para nossas crianças.

Tendo 5 histórias escrita por Beedle, o Bardo, é uma coletânea de histórias destinadas às crianças bruxas ao passar dos séculos, porém "como quem conta um ponto aumenta um ponto" eles foram modificados para se adequar melhor a pensamentos atuais de certos preconceitos dos bruxos ou modificados para amenizar aspectos cruéis encontrados em certos contos do livro, por isso que no início é mostrado que o livro foi traduzido do original por Hermione Granger e com notas do professor Dumbledore.

Por ser um livro de contos infantis a autora que fez um bom trabalho com a série Harry Potter mostra que também sabe escrever histórias de fantasias iguais a presente em várias de nossas culturas, e que há muitos anos embalaram e aterrorizaram crianças.

Essa crítica que a autora faz contra a censura e modificação de contos infantis em minha opinião dizem respeito aos contos dos Irmãos Grim que também é uma coletânea de histórias que já existiam na Europa e que por eles foram postos em livros, porém certos contos são bastante macabros e por isso sofreram mudanças, principalmente nas versões de filmes da Disney.

Além de ser uma leitura agradável e rápida (já que o livro é pequeno), Os Contos de Beedle, o Bardo é recomendado até para aqueles que conhecem a série Harry Potter apenas das telas do cinema, e para melhorar a boa imagem da escritora, parte do dinheiro arrecadado com as vendas será destinado ao "Children's High Level Group", entidade que faz campanhas para promover os direitos das crianças e melhorar a vida de jovens em condições precárias. Nota 3/5
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 às 22:33

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Duro de Matar 4.0: um explosivo duelo de hackers no sistema nervoso do governo

Duro de Matar 4.0Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard, 2007) é um excelente filme de ação. Nem lembrava mais como tinha sido a trilogia "Duro de Matar", mas esse foi ótimo. Cenas incríveis como a perseguição no túnel e o choque entre o carro e o helicóptero. Mas o que chamou atenção foi a tecnologia. Simplesmente o máximo! Computadores de última geração e hackers duelando pelo controle de sistemas do governo. O país inteiro ligado e controlado pelas máquinas, de repente: o caos. Acho bem provável que isso ocorra num futuro próximo, principalmente em relação a trânsito.

O tempo todo somos dominados por computadores. Nos últimos meses esse é o terceiro ou quarto filme de ação em que a tecnologia é o foco. Parece que a nova porção mágica é: tecnologia + explosões + terroristas + homens e mulheres autoconfiantes ao extremo = sucesso. Eu gosto dessa mistura, talvez "007 - Cassino Royale" (leia a resenha) tenha sido o melhor exemplo recente de bom uso da tecnologia no cinema. Mais do que isso, ouso dizer que esses novos filmes irão virar tendência na indústria dos eletroeletrônicos, da mesma forma que "Star Wars" até hoje é fonte de inspiração para os cientistas.

Li na revista SET uma matéria interessante. O texto atribui a Bruce Willis, ou melhor, John MacLane, a condição de grande algoz de Sylvester Stallone e Arnald Schwarzenegger. Em 1984, quando Duro de Matar foi lançado pela primeira vez, caras fortões com frases de efeito dominavam o cinema-ação (hasta La vista, baby). Duro de Matar trouxe uma nova fórmula que fez escola. Nesse seara, podemos dizer que Jack Bauer (24 horas) e Jason Bourne (Trilogia Bourne) são filhos de John McClane.

Duro de Matar 4.0Duro de Matar 4.0

Sobre o filme. Duro de Matar 4.0 tem como pano de fundo o ataque terrorista nos Estados Unidos. Só que ao invés de aviões ou gases venenosos, os terroristas usam a informática. Revoltado com o governo que o "traiu", um hacker consegue invadir a infra-estrutura computadorizada que controla as comunicações, transporte e energia do país. Aparentemente ele ameaça causar um gigantesco blecaute. Cada passo do ataque foi planejado eletronicamente. O fator surpresa que ameaça a operação é a entrada em cena de John McClane (Bruce Willis), um policial off-line.

Precedido por "Duro de Matar" (1988), "Duro de Matar 2" (1990) e "Duro de Matar - A Vingança" (1995), Duro de Matar 4.0 engrandece a série e prova que os nerds estão no poder. Bruce Willis continua lá, todo fanfarrão, mas dessa vez ele não conseguirá caminhar sem ajuda dos nerds. O filme inteiro faz constantes brincadeiras com o universo geek. O mais interessante é que a tecnologia "futurista" está ganhando as prateleiras. Ponto para o pessoal do merchandising, que além de promover um bom filme, ainda faturou alto com esses trecos eletrônicos. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 às 00:38

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A Promoção: uma representação simbólica de mundo que oprime diferenças em troca da sobrevivência

A PromoçãoAssim que entrei na faculdade de Administração, um dos meus principais objetivos foi conseguir o primeiro emprego. Na época meu currículo só tinha uma linha, citando em negrito o curso "Operador de Microcomputador", que ganhei num sorteio do colégio que estudava. Com ele em mãos visitei algumas empresas. Numa delas passei por alguns testes escritos até chegar à última fase do processo de recrutamento e seleção. A etapa consistia numa entrevista em grupo com os quatro principais candidatos à vaga. O moderador ia fazendo perguntas e colocando-nos a interagir. Uma semana depois recebi uma convocação da empresa, achei que tinha conseguido o emprego.

Depois de muita ansiedade na sala de espera, entrei no escritório da gerente de Recursos Humanos. Ela me falou alguns elogios, porém disse que eu não havia conseguido a vaga. Naquele momento eu preferia que ela tivesse cuspido na minha cara. O pior é que a mulher continuava falando e falando, eu só queria levantar e ir embora. Só depois comecei a suspeitar que aquela entrevista fosse a etapa final do processo seletivo. Acho que ela falou aquilo para testar minha inteligência emocional. Nesse ponto fui fraco, vacilei. Um pouco de malícia naquela hora teria me ajudado.

A PromoçãoA Promoção

Anos depois paguei uma cadeira de recrutamento e seleção, quando finalmente conheci todas as técnicas na hora de escolher um candidato. Pra você que não teve essa oportunidade, uma boa dica é a comédia francesa "O Convidado" (leia a resenha). Outro bom filme sobre esse assunto é A Promoção (The Promotion, 2008), em que os protagonistas disputam o cargo de gerente de uma nova filial do supermercado em que trabalham. A história explora a disputa a partir da perspectiva dos dois personagens, mostrando a importância daquela promoção para vida pessoal de ambos.

No lado esquerdo do ringue, pesando 70kg, Doooooooug Stauber (Seann William Scott). Mesmo sendo um cara inteligente, em seus trinta e poucos anos de vida nunca conseguiu alcançar o sucesso profissional. Ele vive as angústias de não conseguir oferecer um mínimo de conforto à sua esposa, sofre vendo colegas bem sucedidos e se entristece ao perceber que o futuro prometido nunca chegou. No córner direito, pesando 120kg, Riiiiiiichard Wehlner (John C. Reilly). Esse ex-motoqueiro selvagem é casado e tem uma linda filha, mesmo assim enfrenta problemas familiares, o novo emprego poderia ser a salvação de sua família.

A PromoçãoA Promoção

Além deles, gostei muito da estereotipação dos chefes. Os sujeitos são mostrados sempre em bando, fazendo grandes polêmicas sobre fatos simples. A velha teatralidade do poder! Melhor do que isso só a dinâmica de integração dos empregados, algo tão comum nas empresas. Um dos exercícios consistia em passar sobre brasa para mostrar poder de concentração. Sensacional! Lembrei de uma grande concessionária de veículos aqui perto de casa. Um dia acabei assistindo algumas dinâmicas de grupo constrangedoras que os empregados periodicamente são obrigados a encarar.

A Promoção é uma excelente crítica ao modelo plastificado de empresas que se autoproclamam "família", obrigando os empregados a "vestir a camisa", humilhando-os ao impôr a máxima que os "clientes têm sempre razão" e mentindo ao dizer: "sua sugestão é importante pra nós". Um golpe naqueles que proliferam essas e tantas outras bobagens que escutamos em palestras e lemos nos livros da década passada. Um modelo falido. Esse supermercado suburbano em que Doug e Richard competem, é uma representação simbólica desse nosso mundo sem sonhos, uma máquina social que oprime nossas diferenças e em troca nos dá o mínimo para sobrevivência. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008 às 00:01

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Queime Depois de Ler: um mosaico de pervertidos subtramas envolvendo a segurança nacional

Queime Depois de LerOutro dia eu estava num bar com os amigos assistindo ao jogo do Flamengo. A partida estava tão ruim que as conversas paralelas ganharam força. Um dos assuntos mais discutidos foi a lógica do filme "Onde os Fracos Não Têm Vez" (leia a resenha), ganhador dos principais Oscar nesse ano. Alguns gostaram, outros não. Unânime só o fato de ninguém ter entendido o filme por completo. Que serial killer usaria um tubo de ar comprimido como arma? Qual a importância do cowboy para trama? Que diabo de final foi aquele?

Alguns meses depois da aclamação mundial, os irmãos Joel e Ethan Coen acabam de lançar outro filme polêmico: Queime Depois de Ler (Burn After Reading, 2008). Classificado como comédia, o novo longa foge do convencional ao levar a sério uma história absurdamente bizarra. Queime Depois de Ler parece um mosaico de pervertidos subtramas envolvendo dinheiro, sexo, traições, fitness e a segurança nacional. O mais impressionante nisso tudo é a velocidade com que as peças se movem nesse tabuleiro, quase enlouquecendo o espectador.

Queime Depois de LerQueime Depois de Ler

A história de Queime Depois de Ler começa com a demissão de Osbourne Cox (John Malkovich), um analista veterano que trabalhava para a CIA. Revoltado com a falta de respeito pelos anos de dedicação ao governo, o sujeito resolve escrever um livro contando todos os segredos que conhece. Além de perder o emprego, ele nem desconfia que esteja prestes a ser abandonado por Katie (Tilda Swinton), sua esposa de longa data. Ela tem um caso com Harry Pfarrer (George Clooney), um pervertido investigador federal que também é casado.

Para garantir pontos no processo de divórcio, a mulher grava todos os dados confidenciais do marido chifrudo num CD. Por um acaso da vida, o disco acaba parando nas mãos de Chad Feldheimer (Brad Pitt), um professor de academia meio idiota. Ao analisar o disco ele percebe que se trata de material confidencial do governo. Ele então resolve chantagear o dono do CD, ameaçando vender as informações aos russos (!). Sua parceira na tramóia é Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma rede de academias que sonha com o namorado perfeito. A coroa quer dinheiro para financiar suas várias cirurgias plásticas.

Queime Depois de LerQueime Depois de Ler

O elenco é grandioso. John Malkovich, por exemplo, está perfeito no papel de um ex-agente motherfucker jogado no lixo. A cinquentona Frances McDormand incorpora todos os valores que a indústria da beleza tenta nos vender, pondo suas rugas na lista de prioridades do governo. George Clooney ficou hilário no papel do garanhão papa-tudo viciado em sexo. Brad Pitt foi desconstruído, saiu do pedestal e encarou um adulto-meninão que adora chiclete e milk-shake. A seu modo, cada ator conseguiu empregar nuances físicas e psicológicas como há muito não se via.

As histórias desses personagens se misturam, tornando-os próximos sem saber. Entre uma descoberta e outra, todo mundo começa a ficar paranóico, enxergando ameaças em todos os lugares, confundindo amigos com inimigos, conspirando, enlouquecendo e fabricando o caos. Nesse jogo de emboscadas e tragédias, cada personagem assume um papel fundamental (incluindo os secundários), neles recae todo o desenvolvimento da história. Queime Depois de Ler é um filme sobre pessoas e suas angústias. Aposto que irá receber várias indicações aos atores e nenhuma ao filme. Nota 2/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 às 14:58

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24 Horas - Redenção: Jack Bauer resgatando o seriado mais cruel da TV

24 Horas - RedençãoQuando se conta uma história de diversos capítulos, como na trilogia "Matrix" ou na hexalogia "Star Wars", muito se perde pelo caminho. Furo entre os roteiros é uma coisa normal. Uma das melhores maneiras de corrigir essas falhas é criando um material extra para amarrar as arestas. Quem mais sofre dessa descontinuidade é o mundo das séries televisivas. Talvez pela necessidade de alongar temporadas muitas produções acabam criando histórias inconclusas, enfurecendo os fãs mais metódicos. Como unir as temporadas? Qual a melhor maneira de atrair a atenção de velhos e novos fãs?

24 Horas - Redenção (24: Redemption, 2008) é a estratégia encontrada pela rede americana Fox para saciar os fãs e promover a sétima temporada da série "24 Horas". A idéia de criar um filme direto para a TV é muito bem vinda. Geralmente as demais emissoras preferem lançar dois episódios seguidos, o que difere bastante de um filme. Evidentemente 24 Horas - Redenção não despreza os elementos que tornaram o seriado um sucesso, a diferença é que o filme agrega valor ao sair do ambiente controlado pela CTU, do uso de infindáveis ferramentas tecnológicas, da frieza de um cenário conhecido e saturado.

24 Horas - Redenção24 Horas - Redenção

Dessa vez acompanhamos Jack Bauer (Kiefer Sutherland) até Sengala, na África. O país está prestes a sofrer um iminente golpe de estado. Uma milícia rebelde recruta crianças para seu exército sanguinário, liderado pelo Coronel Ike Dubaku (Hakeem Kae-Kazim). O mote do filme lembra muito o violento "Diamante de Sangue" (leia a resenha), em que crianças são recrutadas e treinadas de maneira cruel. A diferença é que em 24 Horas - Redenção logo ficamos sabendo quem está por trás do levante insurgente: os americanos.

A trama se desenvolve a partir do momento que Jack Bauer recebe uma intimação para voltar aos Estados Unidos para ser julgado. Enquanto pensa sobre o que faz de sua vida, a milícia que tenta derrubar o governo de Sengala invade a pequena colônia educacional onde Jack está morando. Eles buscam crianças para seu exército. É quando a ação começa. Daí em diante é só correria em fuga. A "missão" de Jack é levar o grupo de crianças até a embaixada dos EUA.

Como filme de ação 24 Horas - Redenção é ruim, ao espectador é mais interessante observá-lo como drama, principalemente pelas cenas de chacina e crueldade. Numa das mais fortes, uma criança é obrigada a matar uma "barata" (termo usado para se referir aos inimigos da milícia). Um tiro a queima-roupa que espalha sangue em toda a platéia infantil. Muito bacana o processo de montagem do exército. Nada perto de outros filmes do gênero, mas nem por isso menos comovente.

24 Horas - Redenção24 Horas - Redenção

No longa conhecemos a primeira presidente mulher a ser eleita aos Estados Unidos: Allison Taylor (Cherry Jones). Toda entusiasmada em poder dá um novo rumo à política internacional do seu país, a presidenta mostra força e pulso em seu discurso de posse. Quem se meteu numa encrenca foi seu filho, o jovem Roger Taylor (Eric Lively), que acabou se envolvendo nos planos de Jonas Hodges (Jon Voight), homem responsável pela venda de armas para a milícia africana.

O melhor do filme é quando o discurso da nova presidente dos EUA em Washington divide a tela com o processo de evacuação dos americanos da embaixada em Sengala, deixando o país nas mãos dos rebeldes. Muito emocionante e aterrorizante, uma mensagem pessimista que explora a realidade dos países pobres. Claro que 24 Horas - Redenção tem muita teoria da conspiração, o que acho um pouco exagerado, mas é bem interessante entrar no escritório do presidente e ficar olhando o sujeito tomar decisões que mudam o futuro do planeta. Ficção, mas com um pé na realidade. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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