sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 às 05:20

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O Curioso Caso de Benjamin Button: uma vanguardista crítica social disfarçada de epopéia romântica

O Curioso Caso de Benjamin Button"A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18". Embora não conste em sua lista oficial de citações, a frase é atribuída a Mark Twain, um dos mais famosos romancistas americanos do século XIX. Fascinado pela ciência e tecnologia, Twain acabou inspirando outro gênio literário: Francis Scott Fitzgerald. Contrariando a tradição humanista da literatura mundial, Fitzgerald retratou em sua obra todo o glamour e a efervescência cultural da nobreza norte-americana da década de 1920. Exímio escritor de histórias curtas, Fitzgerald escreveu o conto "O Curioso Caso de Benjamin Button" (1922), lançado no Brasil através do livro "6 Contos da Era do Jazz".

Quase um século depois, O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008) chega aos cinemas. Sob a direção de David Fincher - famoso pelos thrillers viscerais "Se7en" (1995) e "Clube da Luta" (1999) - o conto de Fitzgerald ganhou uma embalagem moderna e estilosa. Uma minuciosa crítica social vanguardista disfarçada de epopéia romântica. Mergulhado nos dissabores de uma América pós-Grande Guerra, conhecemos Benjamin Button (Brad Pitt), um bebê nascido sob circunstâncias incomuns. Sua aparência é de uma pessoa em torno dos 80 anos. Rejeitado por todos, Benjamin vai morar num asilo.

O Curioso Caso de Benjamin ButtonO Curioso Caso de Benjamin Button

A convivência com os idosos faz Benjamin perder medo da morte e aprender a valorizar a vida. À medida que o tempo passa, estranhamente seu corpo rejuvenesce. Cada dia é uma vitória contra a lógica. Ninguém esperava que o bebê enrugado tivesse uma vida normal. Ainda criança ele se apaixona por Daisy (Cate Blanchett), menina da mesma idade que ele. A questão é que Benjamin está num corpo de um velho sessentão. Até simples brincadeiras despertam a desconfiança dos adultos. Enquanto a menina não cresce, Benjamin roda o mundo em busca de aventuras. Quando ambos estão jovens, a paixão é inevitável. Juntos vivem os melhores anos de suas vidas.

Até que ponto você levaria um romance desses adiante? Como seria para uma mulher acordar ao lado de um homem cada dia mais jovem? E os filhos? Aceitariam um pai-irmão? O tempo, sempre tão cruel com casais apaixonados, é o personagem principal dessa trama. O "tempo" é dono da cena mais emblemática do filme. Durante a inauguração de um novo relógio na estação de metrô da cidade, um fato chama atenção dos presentes: o ponteiro gira ao contrário. "Eu queria que o tempo fosse contado para traz. Talvez assim eu pudesse reescrever a história. Meu filho nunca teria sido convocado para guerra. Hoje ele estaria aqui, ao meu lado.", discursa o amargurado relojoeiro. A presença de Theodore Roosevelt dá o tom de metáfora política ao evento. Uma belíssima crítica ao mau uso da vida.

O Curioso Caso de Benjamin ButtonO Curioso Caso de Benjamin Button

O Curioso Caso de Benjamin Button está carregado dessas referências históricas. Sem dúvida o melhor roteiro do ano. Entretanto, o verdadeiro ponto forte do filme é a qualidade do elenco. Personagens singulares entram e saem numa incansável ciranda sincretista. A cena do pastor "tirando o demônio" do corpo de Benjamin é antológica. Muito divertido o menino-idoso sendo tratado como aberração-medonha. Outra figura carismática é o Capitão Mike (Jared Harris). Embora não pareça, ele sempre sonhou em ser artista, mas o pai o obrigou a comandar um barco. Tatuar o próprio corpo foi a maneira que encontrou para esconder suas frustrações. Outro destaque é a força maternal de Queenie (Taraji P. Henson), mãe-adotiva de Benjamin. Exemplo de mulher.

Com 5 indicações ao Globo de Ouro, 11 ao BAFTA e 13 ao Oscar - incluindo a de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Brad Pitt) e Melhor Roteiro Adaptado - O Curioso Caso de Benjamin Button tem tudo para sair campeão da noite do tapete vermelho. Porém, confesso que quase dormi durante o filme. Além de muito longa, a história é lenta e pouco objetiva. Faltou coragem e ousadia para usar uma edição mais difusa. Os caras devem ter achado que a dinâmica ao avesso já era loucura suficiente. De qualquer forma, o filme é uma bela demonstração da beleza efêmera da vida. Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: Usem filtro solar. Nota 4/5

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 às 01:14

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Quem Quer Ser um Milionário?: o irônico e trágico retrato de um país emergente

Quem Quer Ser um Milionário?Dois irmãos. Quase da mesma idade. Ambos criados na favela. Crescem brincando juntos. Um torna-se ajudante de telemarketing. O outro: matador profissional. Como explicar que dois garotos absolutamente iguais se transformem em pessoas tão diferentes? Até que ponto o ambiente forja o caráter? Nós já nascemos pré-determinados para o bem ou para o mal? Lembro que me fiz todas essas perguntas durante as cinco vezes que fui ao cinema assistir "Cidade de Deus" em 2002. Para nós brasileiros, foi difícil aceitar Buscapé e Dadinho nos despindo ao mundo. Nus, chegamos ao Oscar. Infelizmente tinha um "O Senhor dos Anéis" pelo caminho.

Fenômeno parecido está acontecendo com o filme indiano Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008). Não tão forte, mas com o mesmo impacto visual, Quem Quer Ser um Milionário? trouxe de volta aquela conhecida avalanche de opiniões exógenas. Primeiro foi Amitabh Bachchan, ator veterano das produções de Bollywood, que repudiou a forma como a Índia é retratada na produção: "um país do terceiro mundo, sujo e desprotegido". Agora os caras andam questionando o título original, algo como "Vira-lata Milionário" ou "Favelado Milionário". Moradores de Mumbai foram protestar na frente da casa de Anil Kapoor, uma das estrelas do filme.

Quem Quer Ser um Milionário?Quem Quer Ser um Milionário?

O filme do inglês Danny Boyle é uma adaptação de "Sua Resposta Vale um Bilhão", livro do indiano Vikas Swarup. O enredo conta a história de um menino que vive nos guetos de Mumbai e ganha uma bolada milionária em um programa de TV (igualzinho ao "Show do Milhão" do Silvio Santos). O problema é que os produtores desconfiam que o rapaz esteja trapaceando. Torturam o pobre moleque em busca de respostas. Com a corda no pescoço, Jamal Malik (Dev Patel) abre seu livro de memórias. Para cada resposta, uma recordação de sua infância com Salim (Madhur Mittal).

Esse apanhado de histórias curiosas transformou Quem Quer Ser um Milionário? numa divertida aventura dinâmica e fragmentada. Logo no começo do filme temos uma perseguição empreitada por uma dupla de policiais contra uma turma de moleques no meio da favela. Espetacular a câmera passeando por cima dos barracos acompanhada de uma bela trilha musical. Isso sem contar a gaiatice dos meninos. Hilário, empolgante e imprevisível. Não foi de graça que o filme tem conquistado tantos prêmios, incluindo as principais categorias do Globo de Ouro 2009 e incríveis 10 indicações ao Oscar, já despontando como grande favorito.

Além da diversão, temos uma complicada história de amor. Desde "Apocalypto" (leia a resenha) eu não via uma paixão tão alucinante. O sujeito realmente gostava da menina. É mais fácil ganhar um milhão do que encontrar alguém tão determinado. Diga a verdade, por quanto tempo você esperaria alguém? Melhor ainda: sob que condições você aceitaria esse alguém? Seja sincero: quanto você ariscaria por ele? O favelado Jamal Malik esperou toda a vida, aceitou sua amada Latika (Freida Pinto) sob frangalhos e ariscou milhões. Sorte, destino ou tudo já estava escrito?

Quem Quer Ser um Milionário?Quem Quer Ser um Milionário?

Uma coisa é certa: não foi por conta desse maniqueísmo sentimentalóide que o filme indiano virou febre mundial. Quem Quer Ser um Milionário? ganhou fama ao explorar temas polêmicos e originais. A briga contra os muçulmanos, por exemplo, é de uma brutalidade tão ignóbil que chega a provocar arrepios. Outro ponto forte é a montagem do exército de garotos pedintes. A sedução com Coca-Cola, o processo seletivo das crianças, o treinamento. A indústria da esmola alimentada por nossa frágil sensação de "responsabilidade social". Muito legal também a gangue de pivetes enganando os turistas no Taj Mahal. Irônico e trágico.

Quem Quer Ser um Milionário? responde à altura do frisson. Pra mim é o melhor filme do ano. Uma história mágica e verdadeira. Espetáculo de cores, sons e sensações. Personagens cativantes, tramas envolventes, mistério e ternura. Só não precisava daquele desfecho insosso estilo "High School Musical". Como a última sensação é a que fica, o final ajudou a rotular o filme como romance. Uma pena, já que a relação entre os irmãos foi muito mais complexa e significativa. Ficarei com a idéia de que não importa os desafios que a vida impõe, quando a pessoa tem boa índole ela sempre encontrará a redenção. Nota 5/5

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 às 06:33

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Vicky Cristina Barcelona: uma entediante celebração aos estranhos caminhos do amor

Vicky Cristina BarcelonaDe tanto ouvir falar sobre a inteligência estilística do cineasta Woody Allen, sempre tive curiosidade de assistir alguns de seus filmes. A comédia romântica Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, 2008) surgiu como a oportunidade perfeita. Além do oba-oba em torno do beijo erótico entre Scarlett Johansson e Penélope Cruz, tinha Javier Bardem no primeiro (na verdade segundo) filme depois do sucesso como serial killer no polêmico "Onde os Fracos Não Têm Vez" (leia a resenha). Isso sem contar o cenário: Barcelona, cidade onde tudo conspirava a favor.

O filme mostra a aventura cultural (e sexual) das gringas Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) pelas misteriosas e sedutoras curvas da capital catalã. Logo no início da viagem elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um libertino artista local. Durante um jantar (e na maior cara de pau do mundo) o sujeito chega à mesa das meninas e propõe: "O que vocês acham de viajar comigo para a cidadezinha de Oviedo? Nós podemos visitar algumas igrejas, tomar um bom vinho e transar no final da noite". As meninas acham um absurdo, mas como estamos num filme de Woody Allen, elas acabam topando.

Vicky Cristina BarcelonaVicky Cristina Barcelona

Depois de um final de semana regado a vinho, guitarra espanhola e sexo em praça pública, Vicky Cristina Barcelona começa de verdade. Cristina vai morar na casa de Juan Antonio e passa a viver uma paixão de verão. Só tem um probleminha: Maria Elena (Penélope Cruz), a ex-mulher do sujeito que ainda o ama. Depois de uma tentativa de suicídio Juan Antonio a traz de volta pra casa. Os três passam a dividir a cama. Mas não espere muita coisa, em frente as câmeras não rola muita coisa. "Estranhamente", depois que o garanhão aumentou o rebanho as brigas acabaram. Dá para acreditar? Ficção demais pra meu gosto.

Talvez por isso Vicky Cristina Barcelona seja um bom programa para as mulheres, que terão uma oportunidade para refletir sobre suas relações amorosas. Pra mim chamou mais atenção as atuações pouco convincentes, principalmente de Javier Bardem, o vencedor do Oscar. Decepção também com Penélope Cruz. Não entendo como sua interpretação possa ter merecido uma indicação pela Academia para o prêmio desse ano. Scarlett Johansson é outra. O papel de idiotinha perdida no espaço é bisonho e abaixo do seu talento. Personagens ruins e sem carisma.

Vicky Cristina BarcelonaVicky Cristina Barcelona

A única coisa que salva é o choque cultural entre Europa e Estados Unidos. Destaco a cena de um jantar em que os convidados americanos discutiam a decoração da casa, a quantidade de megapixels da TV e outras bobagens consumistas, enquanto os europeus nem prestavam atenção naquilo. Parece que a cabeça do europeu é mais voltada para a qualidade de vida, a valorização da arte e a integração com a natureza. Vicky Cristina Barcelona serve então para reforçar essa imagem romântica de Barcelona e da Europa de maneira geral.

Não gostei do filme, mas a crítica parece ter aprovado. Além da indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme - Comédia/Musical, tendo sido indicado nas categorias de Melhor Ator - Comédia/Musical (Javier Bardem), Melhor Atriz - Comédia/Musical (Rebecca Hall) e Melhor Atriz Coadjuvante (Penélope Cruz). O longa ainda recebeu uma indicação ao BAFTA e três ao Independent Spirit Awards. Apesar de entediante, reconheço que Vicky Cristina Barcelona é uma bela celebração aos estranhos caminhos do amor. Nota 1/5

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009 às 13:55

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Superdicas para Falar Bem em Conversas e Apresentações: dicas práticas para o sucesso de uma boa comunicação

Superdicas para Falar Bem em Conversas e ApresentaçõesNo livro Superdicas para Falar Bem em Conversas e Apresentações (Editora Saraiva, 2005), o professor Reinaldo Polito desmistifica com bastante competência e de maneira bem simples a comunicação interpessoal. Através das dicas deste pequeno livro, podemos aprender técnicas comprovadamente eficazes que ajudam e facilitam muito a vida de qualquer pessoa ao falar em público, seja numa roda de amigos, em uma reunião de trabalho ou mesmo em apresentações mais complexas para um grande público.

Durante as apresentações que já realizei na minha vida, de todas, tive algumas certezas, e uma das principais foi que o domínio do conteúdo é fundamental para uma boa apresentação, mas nem sempre temos tempo suficiente para nos prepararmos, assim, podemos aprender neste livro, entre outras coisas, algumas técnicas de improviso e, como agir se acontecer o temível "branco".

Um fato que achei bastante interessante foi sobre a velocidade da retórica, pois é notório que alguns oradores falam mais rápido que outros, portanto expõem suas idéias de uma forma mais dinâmica. Neste livro, o autor nos ensina através das suas dicas que o segredo do sucesso de uma boa apresentação é a espontaneidade, por isso é importante que o orador não fuja do seu estilo.

Por exemplo, se algum orador elabora muito rápido suas idéias, não convém que fale bem lento, ou perderá algumas delas. De modo contrário, se o orador elabora suas idéias de forma mais comedida, não convém falar muito rápido, ou poderá se complicar durante a apresentação. Obviamente que o dinamismo da apresentação se deve dar em conformidade com a capacidade da platéia em acompanhar o que esta sendo exposto, por isso, é fundamental o orador ter a sensibilidade de identificar o seu público, o grau de instrução e informação dos ouvintes.

O autor fala também sobre a importância da inovação, da criatividade e da utilização da estratégia certa para cada assunto e cada público. Aprendemos ainda sobre a utilização dos recursos audiovisuais, como por exemplo, a utilizar o microfone, ou ainda sobre a importância de se ajustar o volume da voz; a preferirmos fazer pausas a utilizar expressões como "ããããããããã" ou "éééééééééé", quase intermináveis quando "fogem" as palavras; a abordar assuntos polêmicos, a envolver a platéia e, também, sobre a importância da expressão corporal, do olhar, dos gestos, e como tudo isso pode afetar a atenção dos ouvintes.

A minha crítica em relação ao livro, fica por conta da superficialidade de algumas idéias, o que é perfeitamente compreensível fato ao que se destina o livro, são dicas para serem aplicadas no dia-a-dia, portanto, prefiro acreditar que um maior aprofundamento no assunto, talvez seja melhor sentido na prática. Superdicas para Falar Bem em Conversas e Apresentações cumpre o papel a que se propõe, ajudar as pessoas a falarem melhor em público. Nota 4/5
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 às 21:29

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Sete Vidas: até onde você iria para curar uma ferida?

Sete VidasWill Smith foi o ator mais lucrativo de 2008. Essa foi a conclusão da Pesquisa Quigley, levantamento realizado anualmente desde 1932 com os compradores de filmes e proprietários de salas de cinema dos EUA. Não há dúvida que os sucessos de "Hancock" (leia a resenha) e "Eu Sou a Lenda" (leia a resenha) elevaram o ator a um novo patamar. O cara é certeza de cinema lotado, a crítica o adora, as pessoas o amam. Talento? Com certeza, ainda mais quando vem acompanhado de simplicidade e bom humor.

Superproduções parecem ser a especialidade do eterno Agente J. Mas é justamente quando ele se livra das amarras tecnológicas que consegue demonstrar todo seu potencial artístico. Vide "À Procura da Felicidade" (leia a resenha), do diretor italiano Gabriele Muccino. Em Sete Vidas (Seven Pounds, 2008), do mesmo Muccino, Will Smith mais uma vez prova seu talento. Talvez Sete Vidas represente o ápice de sua carreira do ator. O engraçado é que isso não foi suficiente para merecer uma indicação ao Oscar.

Sete VidasSete Vidas

A história explora o drama vivido por Ben Thomas (Will Smith), um funcionário público que trabalha com cobrança de imposto de renda. Um simples burocrata engravatado? É o que pensamos ao iniciar o filme. Aos poucos descobrimos que Ben foi um brilhante aluno de engenharia da cultuada MIT. Uma tragédia em seu passado o fez perder o gosto pela vida. Carregando um grande sentimento de culpa, ele articula uma maneira de salvar a vida de sete pessoas que nem conhece. Porém, quando conhece Emily Posa (Rosario Dawnson) encontra um novo motivo para viver. Ou não.

O começo é bem estranho, confuso, difícil de entender. Aos poucos, e de forma bem cadenciada, a história vai ficando simples. Conhecemos Ben através de flashbacks. O sujeito - que parecia tão antipático - esconde uma generosidade exacerbada, fora do comum. E essa é justamente a mensagem deixada por Sete Vidas: até onde você iria para curar uma ferida? A resposta é um final emocionante, chorei por uns 10 minutos. É impossível não se enxergar na tela. Uma belíssima mensagem sobre transplante de órgãos, segurança no trânsito e a importância da vida. Tinha que ser obrigatório nas escolas. Nota 4/5

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domingo, 25 de janeiro de 2009 às 14:30

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Gran Torino: um velho e xenofóbico Tio Sam revelando emoções e feridas incuráveis

Gran TorinoGran Torino (Gran Torino, 2008) passaria despercebido por muita gente se não fosse pela marca "Clint Eastwood" estampada em letras douradas. Com US$ 29 milhões arrecadados em seu fim de semana de estreia, o longa tornou-se a melhor abertura da carreira do cowboy. Ainda assim, Gran Torino pode ter sido o último trabalho de sua carreira de ator. O culpado? Ele aponta os 78 anos que carrega nas costas. Eu acredito que a não indicação ao Oscar teve um peso importante. Como pode ele não ter aparecido na lista de Melhor Ator?!

Além de estrelar, Gran Torino é seu 32º filme dirigido, como sempre, cheio de emoção e feridas incuráveis. O resultado é excelente: um filme bem atual, realista e com uma boa lição da como deveríamos agir com os jovens delinquentes. Pessoalmente acredito que ficou abaixo de "Sobre Meninos e Lobos" e "Menina de Ouro", mesmo assim é uma história que ressoa. Um filme para assistir e pensar.

Gran TorinoGran Torino

Tudo começa no velório da esposa do solitário e rabugento Walt Kowalski (Clint Eastwood), um inflexível veterano da Guerra da Coréia. O cara é racista e desenvolve um xenofobismo contras os imigrantes asiáticos hmong, vindos do Laos, que invadiram o bairro onde vive. Ele é um dos únicos americanos que ainda mora por aqueles lados. As reflexões do velho a respeito da invasão estrangeira nos EUA é o ponto forte do filme. Provavelmente Gran Torino seja lembrado no futuro por ter tido a coragem de expor esse lado sombrio do Tio Sam.

Como bom militar, Walt é altamente metódico, passa o tempo fazendo pequenos consertos em casa, bebendo cerveja na varanda e visitando mensalmente seu amigo barbeiro (John Carroll Lynch). Não gosta de quebrar sua rotina. Sua raiva contra os asiáticos aumenta quando seu vizinho adolescente Thao (Bee Vang), invade sua casa para roubar seu belíssimo Ford Gran Torino. No meio da confusão o velho racista acaba salvando Thao e sua irmã Sue Lor (Ahney Her) de uma gangue. Fato que o transforma em herói do bairro. É bem engraçado a cena dos asiáticos levando presentes para Walt e ele recusando-se a receber.

Gran TorinoGran Torino

Com o tempo ele inicia um relacionamento com a família vizinha, desenvolvendo uma amizade com o "pequeno ladrão". Mesmo sem assumir, ele cuida do menino como filho. A rapidez como surge essa amizade talvez seja fruto da ausência dos dois filhos, ambos egoístas. Um abandonou totalmente o pai. O outro, apesar de demonstrar certa preocupação, trata-o como um inútil, insistindo em levá-lo a um asilo. Será esse o destino de nosso pais?

Gran Torino é uma triste história sobre a forma como encaramos a morte, exteriorizadas através dos diálogos entre Walt e o padre (Christopher Carley). Apesar disso, Gran Torino também tem suas doses de humor. O segundo terço do filme é bem engraçado. Clint Eastwood parece muito com Seu Nunga, o bruto divertido. Muito legal também o confronto entre as tradições americanas e as estrangeiras. Além, claro, do final arrasador! Feito sob medida para deixar qualquer um indignado com as injustiças e as formas como as pessoas se agridem gratuitamente. Nota 3/5

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 às 06:00

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Need For Speed Undercover: a franquia perdeu força e não consegue mais inovar

Need For Speed UndercoverAo surgir na década de 90, Need For Speed trouxe um novo tipo de corrida, não mais as corridas legalizadas e esportivas, e sim mas as de rua, com carros reais e desejados por todos que adoram o universo automobilístico. O problema é que a indústria é muito cruel com suas galinhas de ouro, exploram a exaustão tudo que gera lucros e com essa franquia não foi diferente. Surgiram várias continuações, retirando ou adicionando elementos, porém o jogo foi ficando repetitivo e as vendas foram caindo.

Com o filme "Velozes e Furiosos" a EA viu que ela poderia dar uma sobrevida à franquia, adicionando a possibilidade de customização do carro ou "tunning" e assim surgiu o "Need For Speed Underground". No ano seguinte a temática estava de volta, porém, com um mundo a ser explorado e mais de 200km de asfalto virtual. Nascia o "Underground 2", seguido pelo "Most Wanted", "Carbon", "Pro Street" e atualmente o Need For Speed Undercover.

A temática nunca muda e agora em Undercover, temos a historinha de um policial infiltrado na turma que gosta de corridas ilegais, atrás de alguma coisa que, sinceramente, não tive a mínima vontade de ficar vendo a história. Será tão difícil assim entender que num jogo de corrida a pessoa quer correr? Fora que a trama nunca convence, vide "Most Wanted", que misturou uma atmosfera de história em quadrinhos com a disputa por subir no ranking.

Need For Speed Undercover

Tive a chance de joga o novo Need For Speed Undercover em duas plataformas: Wii e Xbox 360, logo posso analisar bem esse jogo multiplataforma, que, diga-se de passagem, me decepcionou muito.

No Wii o jogo vem com uma atualização de firmware, caso a pessoa compre um volante da marca Logitech feito exclusivo para ele. Porém muito caro para ser importado para nossa terra e não serviria para outros jogos de corrida. Seria apostar muita ficha nessa franquia. A jogabilidade melhorou muito em relação ao "Carbon" e "Pro Street" do Wii, com as curvas sendo feitas com maior precisão.

Para quem não sabe, a dirigibilidade do carro é feita usando o controle Wii-remote como um volante, o que pode fazer os acostumados com direcionais literalmente darem uma nó nos braços. Basta recordar a primeira vez que a pessoa dirigiu um carro, a idéia é por aí, porém os controles podem mudar ao adicionar o nunchuk. Os gráficos não estão bons, mesmo sabendo que no Wii o gráfico não é o forte, os desenvolvedores têm uma pontinha de culpa.

Need For Speed Undercover

No Xbox 360 posso afirmar que o jogo se transforma completamente em comparação ao Wii. É quase um outro jogo, com mais asfalto e realismo. Porém ele não surpreende, o mundo aberto não tem nada a ser descoberto como em "Undergroud 2". A pessoa se surpreende com o realismo e a sensação de velocidade que o jogo consegue passar, principalmente jogando com a câmara de dentro do carro. Mas nem tudo são flores.

Na versão do Wii os gráficos são simples demais, acho que não muito superior a de um PS2, porém no Xbox 360 mesmo com todo poder gráfico e realismo, a programação da visão da distância foi mal feita. Uma curva só será vista quando o carro já estiver praticamente em cima, não dando muito tempo para uma reação. Acho que isso deveria ter sido observado durante a produção.

O jogo não surpreende e a franquia sendo lançada todo ano não consegue tempo para pesquisar inovações, tendo dessa vez experimentada em duas plataformas e me decepcionado em ambas. Meu conselho para a EA, que mantém um fórum aberto a usuários do mundo todo, foi esquecer um "Need for Speed 2009" e partir para pesquisa para melhorar o jogo. Ou então matá-lo de vez, pois na indústria de jogos um título sem retorno não merece ver a luz do sol. Nota 1/5

Vídeo do jogo:

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 às 06:00

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Assassinatos na Academia Brasileira de Letras: um bom livro do Jô Soares, mas sem surpresas

Assassinatos na Academia Brasileira de LetrasDepois de se lançar como escritor com "O Xangô de Baker Street", Jô Soares encontra-se atualmente na sua terceira obra com Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Companhia das Letras, 2005). Porém esse livro de história policial mescla vários elementos dos dois últimos livros do escritor, o que torna uma leitura sem muita novidade.

A trama está ligada a um livro escrito pelo Senador Belizário Bezerra, cuja obra tem o mesmo nome da obra, dando um ar metalinguístico à produção: um assassino que mata envenenado no "chá das cinco" todos os imortais da Academia. Obra bastante badalada e com tiragem enorme e bastante vendida no interior de Pernambuco, lugar onde o senador tem muitas terras e recursos, mostrando que nesse país desde a década de 20 tudo pode ser manipulado.

Na trama, o primeiro assassinato é justamente de Belizário, durante a posse na ABL, devidamente fardado com a roupa dos imortais. Dando início a investigação com toda atmosfera dos contos policiais. Com um investigador que atende pelo nome de Machado e sobrenome Machado e o legista Gilberto de Penna-Monteiro. Temos, novamente, um quadro de Sherlock Holmes e Watson, porém devido a independência investigativa do legista esse quadro fica um pouco diferente do original.

Mesmo gostando muito da narrativa do autor, que consegue alocar comédia numa obra policial, devo admitir que a trama não me surpreendeu como nos outros livros, pois na metade do livro já consegui descobrir o assassino e o modus operandi do mesmo. Mas o livro consegue atingir o alvo do entretenimento e mostra nas manchetes de jornais antigas, como nossa língua portuguesa no Brasil mudou da década de vinte para os dias atuais, sendo algo bem atual devido a reforma ortográfica da língua. Ver o nome do jornal "O País" escrito como "O Paiz" é algo a ser refletido. Nota 3/5
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