sábado, 28 de fevereiro de 2009 às 06:00

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Rock Band 2: porque o show deve continuar...

Rock Band 2Rock Band 2 (Harmonix Music Systems, 2008) trouxe de volta a franquia com força máxima, sendo lançada para o console Xbox 360, depois para o Playstation 3 e por último para o Wii. Nesse último houve um pequeno vacilo por parte da produtora, que lançou o jogo depois do Natal e no meio do furacão da crise econômica.

Nas plataformas Xbox 360 e PS3, o jogo mudou um pouco em relação a sua primeira versão. Houve uma melhora nos periféricos que vem com o kit, mas mantendo a compatibilidade com os periféricos da antiga versão e com periféricos dos jogos concorrentes. E nesses consoles que possuem armazenamento foi disponibilizada a capacidade para passar as músicas da versão antiga para ser jogada na nova, como se faz igualmente com as músicas adquiridas no "Rock Band Store" via download.

A lista de música dessa versão está excelente, trazendo bandas e músicas conhecidas do grande público como Pearl Jam com Alive, Nirvana com Drain You, Foo Fighters com Everlong e muitas outras, num total de mais de 80 músicas de várias décadas. Logo é um jogo, de certa forma, bem família. Atrai desde aquele sua sobrinha emo até o tiozão punk.

Já no console da BigN, o Wii, o jogo mudou completamente de roupa, pois tudo que na primeira versão foi suprimido. Tudo graças ao clamor dos fãs e ao peso da grande venda que teve o primeiro kit lançado. Agora Rock Band 2 do Wii tem as mesmas características do jogo dessa geração. Possibilita, por exemplo, customizar o personagem e a banda e partir numa turnê local. À medida que o jogo avança, vai se tornando mundial com o sucesso da banda e o crescimento do número de fãs. A possibilidade de se jogar on-line também apareceu. E o mais importante: agora é possível comprar músicas para o jogo ficar sempre novo (outra mancada da produtora que lançou o jogo no final de 2008 e só em 2009 conseguiu colocar músicas a venda).

Como o mercado de jogos musicais está cada dia mais acirrado (temos 3 franquias, sendo 2 bem fortes), nessa nova versão além das 80 músicas que vem no jogo, o comprador ganha um bônus de 20 músicas que na loja está de graça. A lista é bem fraquinha, mas como diz o ditado "de graça até injeção na testa".

E para mostrar que vivemos num mundo conectado com a internet, o jogo procura a conexão para mandar os pontos obtidos para um ranking mundial. Também para possibilitar ao jogador a montagem de um perfil na página on-line do jogo, como se fosse um blog que guardará seus comentários e estatísticas para o mundo. Há também a possibilidade do seu avatar (personagem do mudo virtual) ser produzido em resina e mandado para sua casa. Tudo mediante compra.

Essa união do jogo com a internet e do real com o virtual, mostra que o pessoal da Harmonix não está para brincadeira e que eles são criativos e multimídia. Nota 5/5

Vídeo promocional:

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009 às 06:00

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Kindle: a biblioteca portátil

kindleInicio com esse post uma série de publicações sobre distribuição digital de conteúdo, pois com o advento da internet e com o crescente aumento de sua velocidade, ficou viável a transferência de arquivos grandes em pouco tempo, lembrando também que o melhoramento e criação de técnicas de compactação de arquivo deram a sua contribuição.

O Kindle para quem não conhece é um produto exclusivo da Amazon, ele é um e-book que conseguiu uma melhor fatia do mercado por utilizar a consagrada fórmula do iPod e sua loja virtual iTunes, pois na década de 90 já estava começando a surgir os mp3 players, porém com pouca memória e os arquivos não eram fáceis de encontrar e ainda teve toda a polêmica do Napster por trás, o que freou muitas empresas a entrar nesse mercado, porém a Apple viu que a tendência era a distribuição de conteúdo on-line, porém para a idéia dar frutos ele teria que centralizar as músicas numa loja on-line, para pagamento dos direitos autorais dos músicos.

Seguindo essa mesma história, surgiram e-books de vários fabricantes, inclusive da Sony, porém com preços caros e sem uma padronização no formato lido os equipamentos não caíram no gosto do público, até a Amazon entrar na jogada e lançar o Kindle, que mesmo não sendo um primor do design estético pregado pela Apple, ele é bastante funcional e tem suporte da livraria Amazon que vende os arquivos para abastecer o “brinquedo”.

kindle

Pesando menos de 300g e com espessura de 8,5mm, ele cabe fácil em qualquer bolsa e têm uma memória que pode ser armazenada mais de 1500 livros, a tela onde são lido os livros chamada de papel eletrônico e diferente do LCD não cansa a vista com a leitura, pois utiliza a tecnologia de E-Ink, que tem a vantagem de consumir pouca bateria, pois após de formada a imagem na tela ela fica fixa e só quando ela é atualizada é que será necessário outro ciclo de energia, com isso uma recarga dura semanas caso o uso seja apenas para a leitura, pois como o Kindle possui conexão wifi, mantê-la ativa consome mais rapidamente a bateria.

Infelizmente esse serviço, assim como tantos outros de distribuição digital, só está acessível a moradores que tenham endereço nos Estados Unidos, mas já mostra que o futuro é vendas de produtos reais conviverem com virtuais e o mercado tem que tratar de levar essas idéias para os quatro cantos do mundo rápido, pois o século XXI mostra que vivemos os tempos do consumo da informação e quem conseguir explorar a distribuição agora, tem grandes possibilidades de no futuro lucrar bastante.

Aperte play para ver a propaganda do Kindle 2:



ps.: Reparem que a propaganda lembra muito a de um produto da Apple, as estratégia de Jobs estão fazendo escola.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 às 06:00

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Dexter - 1ª Temporada: o serial killer mais amado da televisão

Dexter - 1ª TemporadaO seriado Dexter - 1ª Temporada (Dexter: The Complete First Season, 2006-2006), que surgiu no canal Showtime há 3 anos, é realmente algo diferente nesse cenário de seriados policiais. O foco é nas pessoas e na trama de Dexter Morgan (Michael C. Hall), um serial killer que trabalha na polícia de Miami, por isso costuma ser classificado sabiamente como drama. Dexter vai fundo na psicologia humana, ainda que o personagem título não tem nenhum tipo de sentimento. Todo homem ao ver uma cena brutal ou um crime chocante age com instintos primitivos, desejando sempre que o criminoso não vá apenas para uma cela de um presídio e sim que suma logo da face da Terra.

É essa a função de Dexter. Pode até não ser considerado correto por confrontar com todas nossas leis e direitos humanos, mas é um papel heróico. Sua mente psicótica é guiada por um código próprio, ensinado por seu pai adotivo. É como se ele equilibrasse uma balança. Matando os assassinos, ela salva a vida de possíveis futuras vítimas. É quase a proposta da seita de assassinos do filme "O Procurado" (leia a resenha).Porém as mortes que ele causa é de uma crueldade ímpar.

Dexter - 1ª Temporada mostra um pouco da história de Dexter. Filho adotado do policial Harry (James Remar) e com uma irmã adotiva chamada Debra(Jennifer Carpenter. Dexter é uma pessoa que vive atrás de uma máscara para esconder seu monstro interior, por isso ele mesmo não tem sentimentos como amor e paixão. O cara se relaciona com Rita (Julie Benz), mulher que viveu um casamento desastroso com um viciado em heroína e que a espancava.

Dexter - 1ª TemporadaDexter - 1ª Temporada

Não fica explícito na série se a violência contra Rita por parte de seu ex-marido era apenas físico, pois ela demonstra sérios problemas de se relacionar sexualmente com Dexter, o que ele acha ótimo (ao contrário da grande maioria dos homens). Não esqueça que ele é um serial killer, sua realidade é diferente das pessoas normais.

A trama é intercalada entre o passado de Dexter e seu presente como perito forense. Muito interessante o momento em que ele se depara com um cadáver completamente fatiado e sem sangue. Isso o deixa extasiado, pois como assassino ele sabe reconhecer um belo trabalho. Porém, de nada adianta ser especialista em sangue sem a principal matéria-prima.

Dexter - 1ª Temporada marca justamente esse jogo de gato e rato entre o assassino que parece conhecer os segredos obscuros de Dexter e do próprio atrás desse serial killer. Para subjugá-lo sobre sua lâmina, nesse meio tempo muita informações surpreendente acontece deixando cada episódio uma vontade de ver o seguinte. Dexter é um seriado de certo ponto cruel, que retrata a psicologia humana de viver atrás de máscaras e de sempre tentar resolver a violência com violência. Nota 5/5

Para assistir o trailler aperte play:

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 00:01

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Bolt - Supercão: mesmo infantil e sonolento, uma boa lição sobre quem realmente somos

Bolt - SupercãoAdoro filmes de animação. Acho que esse será o legado de nossa geração à sétima arte. Nesse ano, por exemplo, estão na briga pelo Oscar "Wall-E" (leia a resenha), "Kung Fu Panda" (leia a resenha) e Bolt - Supercão (Bolt, 2008). Três filmes apenas. Não entendo porque a Academia não põe lista quíntupla, como faz com as outras categorias. Com isso ficam de fora bons filmes como "Horton e o Mundo dos Quem!" (leia a resenha), "Igor" e "Madagascar 2 - A Grande Escapada". Mas verdade seja dita, só quem faz filmes realmente diferenciados é Pixar e DreamWorks. Ainda assim a lista merecia ser maior, é injusto somente três.

Mas já que a lista é pequena, Bolt - Supercão não merecia constar. O começo até diverte com o clima da série "24 Horas" (o cachorrinho é o próprio Jack Bauer). Mas de maneira geral o filme é chato, infantil e sonolento. Essa é a primeira animação longa-metragem da Walt Disney concebida e produzida inteiramente em formato 3D. "O Galinho" e "A Família do Futuro" (leia a resenha), lançados anteriormente neste formato pelo estúdio, foram convertidos para 3D após serem concluídos. Talvez Bolt seja um filme legal em três dimensões, mas em 2D é muito "ruim". É sempre bom colocar aspas nesse ruim porque provavelmente não faço parte do público-alvo. Aposto que as crianças vão adorar as cores e a dinânima da história.

Bolt - SupercãoBolt - Supercão

A história é centrada em Bolt (voz de John Travolta), um cachorro-ator protagonista de uma série de TV. O personagem canino possui superpoderes, como latidos supersônicos e raios oculares (como os do Superman). Sua companheira é a humana Penny (voz de Miley Cyrus), com quem vive diversas aventuras. Entretanto, Bolt não sabe que o mundo que o cerca é falso. Sua vida é uma grande fantasia criada pela equipe de produção do seriado, acreditando que realmente possuir dons especiais. Quando Penny é sequestrada pelo vilão Dr. Calico (voz de Malcolm McDowell) num dos episódios, Bolt entra acidentalmente no baú de caminhão rumo à Nova York. Ele então é apresentado à vida real.

Parece um pouco com o mito da "Caverna de Platão", em que Sócrates compara nosso mundo cotidiano a um abrigo subterrâneo. Nessa caverna viviam crianças, tendo as pernas e o pescoço acorrentados de modo que não poderiam mover-se. Eles apenas viam o que estava à sua frente. Perto deles uma grande fogueira projetava suas sombras na parede, fazendo-as acreditar que o mundo real era feito de sombras. Bolt - Supercão não chega perto de tamanha filosofia, mas é uma boa lição sobre quem realmente somos. Meus defeitos, fraquezas e imperfeições definem meu caráter. Neles devo me apoiar para enfrentar a vida real. Uma valiosa lição para a criançada em tempos de competitividade exacerbada e superproteção paterna. Nota 2/5

Confira o trailer dublado clicando no botão play da imagem abaixo.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 às 06:20

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A Duquesa: dinheiro, pompa e circunstância consegue comprar o mundo perfeito?

A DuquesaTenho percebido um detalhe interessante nos filmes que estão no páreo pelo Oscar desse ano: a maioria é baseada em fatos reais. A Duquesa (The Duchess, 2008) é mais um nessa lista, concorrendo em duas categorias: Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte, sendo favorito em ambos. Por outro lado, levando em consideração os fortes concorrentes, acredito que A Duquesa vença apenas a estatueta de decoração de interiores. Chega a ser covardia colocar um filme de época concorrer com os outros. Os caras usam e abusam de cenários exuberantes, roupas pomposas, cabelos colossais, danças pitorescas, jogos e conversas solenes. O efeito colateral é deixar o filme chato, mas vale a pena o sacrifício para observar o dia-a-dia daquela época.

Tirando a novela "Que Rei Sou Eu?", as histórias retratadas nesse período geralmente são cansativas, não me atraem. Mas aos poucos estou amadurecendo e aprendendo a perceber algumas boas contribuições que filmes assim podem oferecer. A principal delas é o modo interessante como as mulheres eram tratadas. O casamento é um contrato perfeito, sem espaços para sentimentalismos, empresa mesmo. A mulher faz o papel de uma máquina de fazer filhos homens. As "filhas" representam os "produtos com defeito", inclusive com direito a protestar junto a Central de Atendimento ao Consumidor (no caso, a mãe).

A DuquesaA Duquesa

Tudo isso está presente em A Duquesa. A história começa no dia em que Georgiana Spencer (Keira Knightley) é prometida em casamento. O marido? Duque de Devonshire (Ralph Fiennes), que ela havia visto rapidamente umas duas vezes. Eu pensei que a mulher iria fazer o um escândalo, mas muito pelo contrário, ela ficou feliz. Pobrezinha, chegou ao castelo toda deslumbrada, o olho brilhava diante de tanto luxo e ostentação. Mas bastou ficar sozinha com o Duque para perceber que a vida não seria fácil. O marido a trata feito uma boneca inflável, como uma plantinha que precisasse ser regada para dá frutos.

Mesmo nesse cenário grotesco, Georgiana se mantém firme, demonstrando inteligência e habilidade política no convívio com a corte inglesa. Entretanto, ela não conseguia dar um filho homem ao Duque. Suas tentativas resultaram em abortos e duas filhas. Sensacional observar em terceira pessoa a decepção do homem com suas mulheres. Aos poucos Georgiana vai se deixando consumir pela tristeza. Quando conhece a "solteirona" Lady Spencer (Charlotte Rampling), sua vida começa a mudar. Georgiana leva a amiga pra dentro de casa. Resultado: o Duque se apossa dela e monta um casamento a três.

A DuquesaA Duquesa

Tudo bem que o casamento era só nas aparências, mas o Duque não precisava abusar, correto? O fato abre liberdade para Georgiana propor ao Duque que autorize formalmente que ela também traga seu amante pra dentro de casa. Lógico que ele recusa. O relacionamento, que já era ruim, fica insuportável. Nesse momento A Duquesa ganha qualidade dramática. No momento mais forte, Georgiana é obrigada a abandonar a filha que teve com o amante. Muito emocionante a mãe entregando o bebê nas mãos de estranhos. No meio desse furacão, achei incrível a forma fria como o marido conduziu o caso, sempre pautado na racionalidade e com pouquíssimas palavras.

Mesmo racionando texto, o ator Ralph Fiennes foi muito feliz na interpretação do personagem. Sua excelente postura em cena foi premiada com uma indicação ao Globo de Ouro como Melhor Ator Coadjuvante. Keira Knightley também não fica devendo como a mulher parideira. Acho que só faltou um pouco mais de lágrimas. Mesmos nos momentos em que ela era desafiada, a moça permanecia com as mesmas feições plastificadas. Mesmo assim A Duquesa tem como grande mérito nos questionar se dinheiro, pompa e circunstância consegue comprar o mundo perfeito. Nota 3/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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domingo, 15 de fevereiro de 2009 às 13:34

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O Lutador: uma explícita e cruel caminhada nos frágeis limites da carne

O LutadorEu cresci assistindo telecatch na extinta rede Manchete. Quem é mais novo talvez não saiba, mas a luta-livre fez a alegria de toda uma geração de crianças e adultos das décadas de 60-80. Na época existia um boato que os combates eram coreografados, mas ninguém sabia ao certo. Minha fixação era tão grande que cheguei a participar com meus primos de um torneio no bairro. Semanalmente nos reuníamos numa casa abandonada e organizávamos as disputas. A briga só acabava quando o perdedor dizia "pinico". Era muito legal, principalmente quando alguém comia terra.

O Lutador (The Wrestler, 2008) destruiu essa minha pequena memória romântica. O filme explora os bastidores desses combates, acompanhando as 24 horas da rotina de Randy "The Ram" Robinson (Mickey Rourke), um solitário profissional de luta-livre dos anos 80. Após um intenso combate, Randy sofre um infarto e passa por uma cirurgia. Sem poder praticar atividades físicas sob risco de morte, o lutador entra em processo de aposentadoria. O que parecia ruim, acaba abrindo caminho para uma nova vida. Ele conhece e apaixona-se (ao seu modo) pela stripper Cassidy (Marisa Tomei) e faz as pazes (ao seu modo) com a filha Stephanie (Evan Rachel Wood), que havia abandonado.

O LutadorO Lutador

Muito curioso o processo de adaptação de Randy à nova vida. Os "bicos" que fazia foram substituídos por um emprego no balcão de frios de um supermercado. Legal ele indo pro primeiro dia de trabalho como se estivesse entrando num ringue. A diferença é que os gritos da torcida deram lugar a pedidos de queijo e presunto. Para ocupar o tempo ocioso, Randy chama o filho do vizinho para brincar em seu velho videogame. Mas o garoto logo abusa a simplicidade dos jogos. Em outro bom momento de O Lutador, Randy esculhamba com o Nirvana, dizendo que o estilo grunge de Kurt Cobain acabou com o verdadeiro rock. Ele prova sua teoria cantando "Sweet Child of Mine", do Guns N' Roses. Aquilo sim era rock de verdade!

Tudo parecia caminhar bem para uma aposentadoria tranquila, mas o ringue chama, o público faz falta. Não dá simplesmente para abandonar os amigos, esquecer a velha capa, a máscara, a maquiagem e as fantásticas roupas chamativas. Pressionado a retornar ao ringue para uma revanche de sua clássica luta contra o Aiatolá (Ernest Miller), Randy se vê angustiado. Nesse momento O Lutador entra num estágio de profunda depressão. As lutas são sim ensaiadas, mas o sangue é real. A história representa o fim de uma triste e cruel caminhada rumo à glória, nos frágeis limites da própria carne. Um filme explícito do começo ao fim, seja no abuso do sexo, das drogas ou do rock 'n' roll.

O LutadorO Lutador

O Lutador adapta o livro que Robert Siegel, tendo representado o apogeu do renegado astro Mickey Rourke. O cara simplesmente está destruindo tudo que encontra pela frente. O filme já ganhou dois Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Ator - Drama (Mickey Rourke) e Melhor Canção Original ("The Wrestler"), um Leão de Ouro no Festival de Veneza, o BAFTA de Melhor Ator (Mickey Rourke) e está na briga pelo Oscar com duas indicações nas categorias de Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei). Tudo isso sem que Mickey Rourke tenha recebido um só tostão por sua participação no filme. Quero só vê o que ele dirá quando subir no palco para receber a estatueta dourada. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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Nokia N95: um smartphone de "baixo custo" ótimo em modo off-line

Nokia N95Os smartphones estão começando a atingir as camadas mais inferiores do mercado de celular, agora as pessoas não querem apenas ter comunicação de voz e sim toda uma gama de serviços que apenas a web pode fornecer. Apesar de ainda não está barato, existem certos modelos como o Nokia N95 já tiveram seus preços caídos pela metade e - dependendo do plano escolhido - ele pode vir incluso no pacote.

O N95 é um celular que tem wifi, logo conectar a um roteador wireless é algo simples, basta a pessoa entrar no assistente dentro das configurações do aparelho, localizar sua rede e colocar a senha WPE ou WPA caso seja necessária. Outra boa característica é o fato dos programas poderem ir para segundo plano, ou seja, usar mais de um programa ao mesmo tempo, apenas alternando as telas. Entretanto, a falta de hábito com esse recurso me deixou um pouco perdido. Como no início eu não sabia, não os desligava e passava para outro, os programas iam sendo acumulados na memória e chegava um ponto do sistema congelar. Mas depois de descobrir a "manha", a utilização dos programas fica simples e fluída.

Outra grande característica desse aparelho é a vasta biblioteca de programas a serem baixados na web. O primeiro que peguei foi o MSN Messenger, para ver como o programa reagia e como eram as telas, Posso dizer que a telas são simples e funcionais, mas foi nesse ponto que achei a primeira falha no telefone. Por não ter um teclado, como o HTC ou de modelos mais recentes da Nokia, um inocente bate papo digitado transforma-se numa dor na junta do dedão em pouco tempo. Por isso recomendo a compra de um teclado bluetooth, mesmo sabendo que custa muito caro.

Nokia N95

O navegador próprio do celular não é muito bom, por isso baixei o Mini Opera para navegar na web. Nessa etapa senti falta de uma tela com touchscreen, pois movimentar o cursor e clicar nos links com o joystick do aparelho é bastante incomodo. Também instalei o fringe para usar o Skype, que infelizmente não consegui conectar, impossibilitando análise da qualidade do VOIP desse programa.

Notei que o aparelho pode abrir vários formatos de arquivos, de texto, som e imagem. Mesmo pecando por deixar a navegação bem comprometida, temos que observar que esse celular não é o modelo mais novo da Nokia. Quando ele foi projetado ainda não existia o concorrente iPhone, que mexeu consideravelmente na balança desse mercado.

Excluindo as características acima, esse é um bom smartphone: tem uma biblioteca enorme de programas disponível de graça para donwload, tem uma câmera com 5 megapixels e aceita cartões SD. Caso seu objetivo não seja usar muito a internet, esse é o seu smartphone. Nota 3/5

Comercial do N95:

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sábado, 14 de fevereiro de 2009 às 00:11

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A Troca: mãe e filho numa trágica e inacreditável história real

A TrocaMinha filha tem pouco mais de um ano. Outro dia ela perdeu a bonequinha que mais gostava. Todo dia choramingava o nome dela. A boneca era velha, suja e já estava bastante surrada, mesmo assim era seu brinquedo favorito. Colocava no colo, dava comidinha, levava pra dormir, um grude. Mas a boneca sumiu. Pra remediar comprei uma boneca nova, igualzinho a antiga. Quando ela olhou a boneca pela primeira vez, analisou, brincou um pouco e deixou de lado. De alguma forma ela percebeu que não era sua antiga bonequinha. Tudo parecia ser igual, mas não era. Alguma coisa invisível havia mudado.

Imagine agora essa situação envolvendo mãe e filho. A Troca (Changeling, 2008) é sobre isso. O filme se passa na década de 1920. Christine Collins (Angelina Jolie) é mãe solteira e trabalha como supervisora em uma central telefônica. Um dia, ao voltar do trabalho, ela não encontra seu filho Walter (Gattlin Griffith), de nove anos. Desesperada, liga para o Departamento de Polícia de Los Angeles. No outro lado da linha um oficial da lei responde: "Senhora, acalme-se, seu filho deve voltar logo pra casa. Saiba que 99% das crianças aparecem na manhã seguinte. Nós só iremos procurar o garoto depois de 24 horas, esse é o padrão".

A TrocaA Troca

Para piorar, a polícia vive um dos piores momentos de sua história. A corrupção impera num sangrento tribunal de exceção. No entanto, o reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich) compra a briga da Sra. Collins. Na igreja e em seu programa de rádio, o pastor faz pesadas críticas à atuação policial. Quando a imprensa começa a cobrir o caso, a polícia toma uma atitude. Encontrar o menino passa a ser prioridade número 1. Três meses se passam e nada. Para dá uma satisfação à imprensa, a polícia devolve à mãe um órfão parecido com seu filho. A Sra. Collins fica desnorteada, mas acaba aceitando a mentira.

O mais engraçado é a polícia tentando convencer a Sra. Collins de que o órfão é sim seu filho. Surreal! O ápice da ignorância é a sequencia do hospício. Uma das internas diz: "Não há como sobreviver aqui. Por mais que você tente agir normal, sua loucura começa a aparecer. Se sorrir muito, você é delirante ou está sufocando a histeria. E se você não sorri, é deprimido. Se permanecer neutra, é emotivamente retirada, potencialmente catatônica". Dá uma vontade enorme de mudar de planeta. Feliz é a tripulação da Enterprise, estão sempre conhecendo novas raças. A humana eu perdi a esperança.

A TrocaA Troca

Não sou especialista, mas gostei da forma como o figurino desempenha função importante na história. Chapéus, casacos, a roupa interage com a cena de forma elegante e natural. Também achei interessante o papel desempenhado pela imprensa. No filme ela é a catalisadora de tudo que acontece. É a partir dos jornais que as pessoas se comovem e iniciam protestos, chefes perdem cargos e a justiça aparece. O final é justo, apesar de não ser feliz. Ficarei com a imagem da Sra. Collins guardada na mente. A força materna segurando sozinha o insuportável peso da responsabilidade familiar. Lições que só uma mãe é capaz de ensinar.

Dirigido por Clint Eastwood, ponho A Troca como um dos três melhores filmes da carreira do cowboy. Uma tremenda injustiça não ter aparecido na lista do cinco melhores do ano. O diretor conseguiu trabalhar a história sempre numa crescente. A trama te prende em cada segundo, simplesmente não dá para desgrudar da tela. Minuto a minuto o filme vai ficando cada vez mais brutal. Chegamos ao clímax com a descrição bizarra do jovem assassino. O pior de tudo é saber que a história é real. Sinceramente, preferia imaginar aquilo como ficção saída da cabeça de um roteirista criativo (e doente). A vida como ela é não tem a menor graça. Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 às 06:00

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Tenchu - Shadow Assassins: elogiado pela crítica, o game decepciona quem busca adrenalina

Tenchu - Shadow AssassinsInfelizmente não conheço as quatro versões do jogo "Tenchu", por isso analisarei apenas a última versão lançada esse mês: Tenchu - Shadow Assassins (Ubisoft, 2009). Usei o console Nintendo Wii, mas logo o game sairá também para o PSP. Em se tratando de Wii não gosto de analisar gráficos, pois o videogame não é HD. Mas isso também não quer dizer que qualquer cena em 3D o jogador tem que perdoar, pois o programador tem que, ao produzir um game, tentar ao menos tirar tudo (ou quase tudo) que o hardware pode oferecer. O problema é que não é isso que esse Tenchu - Shadow Assassins mostra.

Iniciarei explicando o jogo. Você começa controlando um ninja chamado Rikimaru e a primeira missão é apenas para conhecimento dos controles e aprendizado de como agir furtivamente para matar seus inimigos e chegar a um objetivo. Nessa etapa inicial é necessário matar um mercador. Aqui fica visível o quão patético é a programação dos controles e como foi pessimamente posicionada a câmera. Ela não fica nos olhos do personagens como um FPS (first person shooter) e nem fica atrás dele como seria num TPS (third person shooter). Dica meio em diagonal para cima, a câmera mais bizarra que vi num game.

Tenchu - Shadow Assassins

Durante o jogo você tem poucas coisas a se preocupar. Basta se esconder, pegar objetos, matar os guardas que estão no caminho e ir para próxima etapa do estágio. Na parte de matar os vilões - que seria a parte sensacional do jogo - a adrenalina não corre. A nossa amiga câmera continua mal posicionada, mostrando os defeitos da sequências em que Rikimaru mata um guarda. O golpe o leva ao chão e a espada acerta o solo a um metro de distância. Talvez por ser um ninja a velocidade do golpe criou uma onda de choque que mata o inimigo, vai saber... Em outros momentos a câmera focaliza o cabelo de Rikimaru enquanto ele mata um inimigo, patético.

O jogo foi lançado no Japão e houve uma procura muito grande. Várias publicações elogiaram o jogo, criando uma expectativa enorme no ocidente. Ao ser lançado as publicações desse lado de Greenwitch fizeram o mesmo, dando boas notas ao game. A meu vê não merece tudo isso, pois nem mesmo a história consegue prender o jogador até o fim da missão. E assim o Wii ganha mais uma decepção. O lado positivo é que o console está começando a ganhar jogos adultos. Nota 2/5

Veja o trailer apertando play:

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009 às 01:26

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Foi Apenas um Sonho: a força suicida da máquina de resignação social

Foi Apenas um SonhoUma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que o índice de suicídio entre os jovens casais americanos aumentou em 37% desde a estreia do filme Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008)! Essa informação é falsa, mas bem que podia ser real. A história é absolutamente verdadeira, tanto que ao terminar eu parecia ter caído numa fossa tão funda que nunca mais sairia. Esse é um daqueles momentos em que você se sente humilhado a ponto de pensar em desistir da vida. Quer um conselho de amigo: se você tem tendências suicidas, fique longe desse filme.

Foi Apenas um Sonho se passa nos anos 50, mas facilmente podemos trazê-lo pra hoje. De lá pra cá, nada mudou. Frank Wheeler (Leonardo DiCaprio) e April Wheeler (Kate Winslet) formam um casal jovem e feliz. Felicidade - para uma pessoa socialmente normal - é ter uma casa, um emprego estável e filhos saudáveis. Acontece que a vida, na cabeça de um jovem, é bem mais do que a simples rotina. Todos costumam ter dois sonhos recorrentes: trabalhar naquilo que gosta e viajar o mundo em busca do desconhecido. É batata. Acontece que uma vida "tradicional" não permite isso. O sistema te obriga a ter um emprego (seja ele qual for) que te forneça recursos (o mínimo serve) para sustentar a família com dignidade (entenda: pagar as contas).

Foi Apenas um SonhoFoi Apenas um Sonho

O ponto chave do filme é: quem de nós é capaz de romper esse muro invisível que separa sonho e realidade? Quem é capaz de pegar a família e rodar o mundo atrás de aventura? Quem largaria o emprego seguro para se dedicar à vocação? Quem? Infelizmente a realidade é que ninguém tem coragem de fazer isso. Pelo menos os assalariados que conheço não fariam. O sistema é tão bem montado que a simples menção de saída provoca toda uma reação em cadeia. Forças invisíveis se reagrupam e aumentam o muro ao seu redor. Com o passar do tempo, os pés tornam-se pesados ao ponto que já não há forças para mudanças. A estática cuida do resto. O sujeito se torna mais uma vítima da perversa "máquina de resignação".

Acho que falei muito e expliquei pouco. Vamos exemplificar com o próprio filme. Em certo momento Frank e April - que sempre se sentiram especiais e talentosos - perceberam que estavam caindo no inerte estilo de vida suburbano que os rodeava. O criativo Frank está num trabalho insignificante e burocrático (igualzinho ao que seu pai teve durante toda a vida). April é uma dona de casa infeliz. A mulher então propõe largar tudo e começar uma nova vida em Paris. Veja só: eles são de classe média, não tem garantias de emprego ou mesmo um lugar para morar na França. Mas imbuído do pouco espírito de aventura que ainda lhe resta, o homem topa a loucura.

Foi Apenas um SonhoFoi Apenas um Sonho

Foi Apenas um Sonho funciona nos momentos que antecedem a viagem. No início eles têm certeza que tomaram a melhor decisão, mas ao poucos os acontecimentos levam o provedor a repensar se vale à pena investir nesse ideal. O que mais chama atenção é o fato de todos os amigos, parentes e colegas de trabalho, criticarem os planos de mudança. Numa das cenas mais marcantes, Helen Givings (Kathy Bates), a vizinha do casal, chora copiosamente quando sabe desses planos. Por quê? Provavelmente ela gostaria de fazer a mesma coisa, só que não tem coragem. Tudo isso porque para uma família com filhos, sair da zona de conforto é, no mínimo, uma irresponsabilidade. Essa questão do "peso dos filhos" é abordada de forma chocante no filme. Prepare o espírito e o lenço.

O mais legal nisso tudo é o personagem John Givings (Michael Shannon). Ele é um louco que acabou de sair do hospício, no entanto, é justamente o único capaz de entender o casal. Seus pensamentos trazem sanidade (veja só!) para um mundo fantasiado com a máscara da auto-segurança. Por trás dessa máscara há uma enorme frustração pelas promessas de vida não cumpridas no relacionamento pessoal e na carreira. Engraçado como só o louco consegue enxergar os muros de hipocrisia. Afinal, quem é louco? Ele ou nós? Achei o personagem simplesmente genial e muito bem interpretado. Merece o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Foi Apenas um SonhoFoi Apenas um Sonho

E como chegamos até aqui? Prestações, aluguel, hipoteca, carro, o sistema te abriga a ter uma vida metódica. Você acaba assumindo compromissos e depois não consegue se livrar deles. Antes do fim você descobre que a vida perfeita que nos venderam não existe. Fomos enganados. Pior ainda, que paga a conta somos nós, seja com a falta de convivência com os filhos, o pouco tempo para esposa, morar onde não queremos, trabalhar com o que não gostamos, fatos que padronizam nosso comportamento e castram o desejo de mudança. Experimente fugir disso... Pensar diferente te faz um subversivo. Na insistência você vira um palhaço. Com teimosia um lunático. Chega uma hora que só te abrem duas portas: a do caixão e do hospício.

Foi Apenas um Sonho é um filme bem lento e muito dramático, um bom estudo de caso para quem gosta de sociologia e dinâmica social. Esse é um daqueles filmes para guardar na memória. Não quero estragar as inúmeras surpresas dessa interessante história, mas gostaria de citar as duas cenas finais. Na primeira um novo casal chega para morar na velha casa dos Wheeler's. Na segunda o velho abaixa o som do ouvido para não escutar sua mulher falando. Ambas são exemplos da continuidade do sistema. A lógica da vida humana que segue. É como se alguém nos dissesse: a sociedade é assim, acostume ou morra. Nota 5/5

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009 às 06:20

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O Leitor: fetiche machadiano numa caminhada rumo ao inferno nazista

O LeitorHolocausto. Palavrinha difícil de escutar. Vem logo na mente as imagens dos campos de concentração em que seres humanos eram escravizados, exterminados, transformados em mortos-vivos. Ao todo foram mais de 10 milhões de vítimas diretas do regime nazista de Adolf Hitler. Depois disso, o mundo nunca mais foi o mesmo. Perdemos a crença na vida, no homem. Fomos ao inferno e de lá nunca mais saímos. Nesse ponto, "A Lista de Schindler" (1993) é o filme definitivo. Material inigualável sob todos os aspectos. Acontece que uma mesma história pode ser contada sob diferentes interpretações. O Leitor (The Reader, 2008) - filme indicado em cinco categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Stephen Daldry) e Melhor Atriz (Kate Winslet) - nos convida a escutar um novo argumento.

Tudo começa na Alemanha pós-2ª Guerra Mundial. O adolescente Michael Berg (David Kross) conhece a solitária Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. O garoto é de família rica, ela uma simples operária. Apesar da diferença etária e social, Michael se apaixona por Hanna. Paixão de adolescente você sabe como é, só pensa em sexo. Hanna, madura, acaba aceitando o relacionamento como um simples passatempo. A única exigência da moça é: "após cada noitada, você terá que ler um trecho de um livro qualquer". Fetiche machadiano, heim! O garoto, que não é besta nem nada, monta logo uma biblioteca à beira da cama.

O LeitorO Leitor

Michael e Hanna passam metade do filme assim, numa explícita história de amor. Porém, num dos desencontros da vida, Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam. Michael agora é um dedicado estudante de Direito. Convidado pelo professor a acompanhar um polêmico julgamento de mulheres nazistas por crimes de guerra, o rapaz tem uma grande surpresa: Hanna Schmitz está no banco dos réus. Ela é apontada pelas companheiras como a líder das mulheres que vigiavam os prisioneiros nos campos de concentração. Através de seu depoimento o público conhece detalhes do "modo nazista" de encarar os fatos. Fria, calculista e amoral, Hanna é condenada à prisão perpétua.

A história é muito boa, merece estar na lista do Oscar. Mas achei o filme um pouco chato de assistir. Ao contrário da maioria das premiações, não creio que O Leitor esteja na lista dos cinco melhores do ano. Essa foi uma tremenda injustiça com outros filmes bem mais empolgantes. Por outro lado, quem realmente merece aplausos é Kate Winslet. A gordinha de "Titanic" (1997) evoluiu de uma maneira espantosa. A atriz se mostra sem pudor. Nua em todos os ângulos. Outro dia passou uma entrevista dela no programa da Oprah. Achei engraçado quando a apresentadora elogiou a naturalidade dos peitos da atriz, citando as cenas em que ela aparece deitada com eles caindo pra debaixo do sovaco. Por essas e outras deve ser difícil se enxergar nua na tela de cinema.

O LeitorO Leitor

Bobagens à parte, achei sensacional a forma com o diretor Stephen Daldry brinca ao nos colocar no banco de jurados do tribunal. Não creio que ele tenha tentado humanizar os guardas dos campos de concentração nazista, mas é inegável a tentação em perdoar a ré. No filme você tem a oportunidade de conhecê-la em detalhes, explorar várias facetas de suas paixões e valores. O que você faria? A pureza de pensamentos redime a crueldade das ações? Você a perdoaria? Independente disso, achei O Leitor um estranho frankenstein de amor pela leitura e ódio ao nazismo. Ainda assim, o filme acabou se mostrando um importante capítulo de nossa caminhada rumo ao inferno. Nota 2/5

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