terça-feira, 31 de março de 2009 às 12:00

0 RECLAMAÇÕES

Dexter - 2ª Temporada: o assassino continua seu trabalho noturno

Nota 3/5
Dexter - 2ª Temporada
Em Dexter - 2ª Temporada (Dexter - Second Season, 2007) o foco saiu um pouco dos assassinatos, mesmo ocorrendo, e passou a mostrar o relacionamento dele com as pessoas e sua procura por criar vínculos. Basicamente, essa nova leva de 12 episódios entra para explicar os efeitos pós o "ice truck killer" e como ele afetou a vida da família Morgan.

Dexter - 2ª Temporada inicia com a notícia no jornal de um cemitério de corpos num fundo do mar e logicamente esse "pepino" cairá na central de homicídio de Miami, lugar onde Dexter trabalha e que ainda estão perplexos com os acontecimentos do último serial killer, por isso todo o departamento iniciará as investigações desse novo assassino serial que mata e joga as vítimas no mar, porém pelo grande número de corpos o elegem o pior serial killer na ativa em Miami, o reforço do FBI é requisitado pelo fato da cidade ter acabado de enfrentar um problema recente com outro assassino.

Dexter - 2ª TemporadaDexter - 2ª Temporada

Com sempre em Dexter a história se desenrola com várias tramas em paralelos que converge para um astro central, Dexter. Temos sua irmã Debra tentando superar o fato de ter se apaixonado por um assassino, temos Rita com problema de conviver com seu ex-marido e temos Dexter que está sendo pressionado por todos os lados, por Debra, Rita (Julie Benz), Doakes (Erik King), os corpos na sala de evidência e memórias de seu pai.

A trama agora se baseia em Dexter conseguir ludibriar a polícia, seus amigos e o FBI enquanto ele lida com um relacionamento complicado com Rita e o ex-marido dela, uma inglesa ilegal e a perseguição do Sargento Doakes.

Trailler da segunda temporada:

Outros posts sobre o assunto:
Compartilhe | | | | | | | | |

sábado, 21 de março de 2009 às 15:00

0 RECLAMAÇÕES

MadWorld: violência num estado de arte

Nesse mês de março foi lançado oficialmente o jogo MadWorld para o Wii, um tipo de jogo que muitas pessoas duvidavam que pudesse aparecer no console, primeiro por seu excesso de violência gratuita e pela classificação adulta que ele recebeu.

Infelizmente o console da Nintendo ainda é visto pelas produtoras de jogos como um console basicamente de crianças e jogadores casuais, cenário que vem mudando nesse ano de 2009 com o lançamento de vários jogos adultos, porém MadWorld extrapola todos os níveis de violência de um game, com um gráfico estilizado imitando uma HQ estilo Frank Miller (escritor de Sin City), só podemos colocar esse game como sendo arte.Uma arte vibrante, violenta e chocante.

No início do jogo temos uma grande introdução, que nos leva a um reality show onde o desafio é matar os oponentes para chegar ao desafiante principal da fase, que é o personagem mais forte do perímetro e para fazer esse feito o jogador controla Jack, um personagem de HQ típico na força e que tem em um dos punhos uma motosserra.

Nas primeiras fases é apenas para a familiarização dos comandos e interação com os objetos dos estágios, pois Jack tem acesso a pneus, placas, latas e tudo em suas mãos são armas mortais e cada movimento com os controles é uma morte violenta e brutal, jogo que lembra muito o Manhunt, porém por expressar e copiar um mundo de HQ não choca tanto e ainda diverte.

MadWorldMadWorld

E essa diversão com morte pode assustar um pouco, e vários pais e a sociedade pode apontar o dedo e dizer que o jogo poderá criar os psicopatas de amanhã, porém como diz o rótulo, é um jogo destinado a adultos, como cigarro, cerveja e filmes pornográficos, cabem os pais conversarem com os filhos e descobrir o que ele anda fazendo nas horas de folga.

MadWorld é graficamente criativo, pois imagino a dificuldade de se criar um cenário onde as únicas cores permitidas são o preto e branco e o vermelho para representar o sangue, é como nos Simpsons onde a cor amarela é permitida apenas para a pele dos personagens, outro uso é cuidadosamente estudado.

MadWorldMadWorld

Se você gosta de HQ e violência esse jogo fará você se divertir por algumas horas, apesar de fóruns na internet disserem que o jogo é curto, mas foi um belo presente da Sega que está publicando esse jogo produzido pela Platinum Games ao console da Nintendo.

E pensar que no passado elas eram concorrentes e hoje a Sega é que está trazendo os melhores jogo para a plataforma da BigN é a ironia do destino no seu termo mais puro.Nota 5/5

Para ver o trailler aparte play:

Compartilhe | | | | | | | | |

sexta-feira, 20 de março de 2009 às 12:00

0 RECLAMAÇÕES

120: o homem sempre repete erros do passado

120120 (Turquia,2008) foi o meu primeiro filme que assisti da Turquia e nele o que me chamou a atenção para querer assisti-lo é o tema da primeira guerra mundial e o fato de ser uma história que realmente aconteceu no passado dessa população.

Uma história bem trágica, diga-se de passagem, pois utilizar crianças numa guerra sempre é vista como uma medida de desespero, pena que fatos como esse ocorreram na idade média e continuam ocorrendo até os dias atuais.

O filme trata das várias guerras que ocorreram nos Bálcãs desde o século XIX, porém dando ênfase ao conflito entre Turcos e Armênios pela posse da região, os Armênios geralmente ajudados pelos exércitos russos e os Turcos mais ligados ao lado ocidental da Europa, mais precisamente a Alemanha.

Apesar de o filme ser tecnicamente bem trabalhado, com cenários reconstruídos com uso da computação gráfica, o desenvolvimento da história não empolga e depois de assistir o filme fiquei com a impressão que o foco que deveria ter sido a missão das crianças foi deslocado por algum motivo, ficando a parte importante do filme curta e mal contada.

120120

A trama parte da história real de 120 crianças que percorreram a pé um difícil terreno montanhoso e com neve para entregar munição na fronte de batalha que há muito tempo resistia as ofensivas da guerra e sem receber suprimentos alemães já estava em situação de não ter como segurar o exército inimigo.

A história é contada por uma irmã de um desses meninos que também é noiva de um coronel do exército turco, que devido às guerras passa pouco tempo em sua cidade e por isso vai adiando o casamento.

Por ser um filme muito curto e sem muitos acontecimentos marcantes não irei aqui fazer um resumo muito detalhado, pois o risco de contar um trecho importante é muito grande, mas meu conselho para quem for ver esse filme é que o veja mais como um documentário e não como um drama, pois a história é triste, mas sem muitas surpresas.Nota 2/5

Para assistir o trailler aperte play:

Compartilhe | | | | | | | | |

quinta-feira, 19 de março de 2009 às 06:00

0 RECLAMAÇÕES

Netbook Inspiron Mini 9: o pequeno atrasado

mini 9A Dell, uma das grandes fabricantes de computadores no mundo, também entrou no mercado dos netbooks, um pouco tarde, porém trouxe um produto capaz de competir em pé de igualdade com seus concorrentes.

Quando digo um pouco tarde me refiro ao mercado norte americano, pois no mercado brasileiro é o único netbook lançado oficialmente, a HP já sinaliza que poderá no futuro produzir o seu modelo de netbook por aqui, porém as demais marcas somente por importação.

Por ser fabricado em terreno nacional temos a segurança da garantia em todo território, o que para muitos é um fator decisivo na compra já que essa ferramenta de mobilidade não sai muito barato.

A configuração básica está de acordo com as praticadas nos modelos concorrentes processador Intel Atom de 1.6Ghz, memória de 1GB, disco rígido de 8GB em estado sólido e todos os modelos com Windows XP, acho que viram que no Brasil um modelo com o Linux não teria muita aceitação.

Mamma Mia!

A grande sacada da Dell foi oferecer a possibilidade do aparelho vir com um modem GSM integrado o que facilita para a pessoa que possui um plano de dado com alguma operadora de celular, pois não terá que ocupar uma porta USB que nesses netbooks são limitadas.

E com esse modem integrado já abre a possibilidade das operadoras de celular oferecer esse netbook com algum plano de internet, subsidiando o produto, pois na Dell o preço inicial é de R$1.399 o modelo sem o modem GSM.
Compartilhe | | | | | | | | |

quarta-feira, 18 de março de 2009 às 00:10

0 RECLAMAÇÕES

Valsa com Bashir: violento e extremista, os horrores da guerra no olho mágico da animação

Valsa com BashirNossa memória é engraçada. De alguma forma ele consegue guardar certos acontecimentos por toda vida. Por outro lado, a grande maioria dos fatos é simplesmente apagada. Quais os critérios que o cérebro usa para decidir o que merece ser arquivado e que vai para a lixeira? A animação israelense Valsa com Bashir (Valse avec Bachir, 2008) explora um pouco o assunto. O filme começa numa conversa de bar entre amigos. Ari Folman (diretor e personagem principal do longa) comenta sobre um sonho recorrente. Nele 26 cães raivosos o perseguem sem parar.

Os dois concluem que o fato deve estar ligado à experiência de ambos no exército israelense durante a Guerra do Líbano nos anos 80. Ari surpreende-se por não conseguir lembrar nada a respeito deste período de sua vida. Para tentar resgatar sua memória e descobrir a verdade sobre os acontecimentos, ele procura todos os seus amigos da época para entrevistá-los. O filme tem um estilo meio documental, com personagens se revezando em tela para contar sua versão dos fatos.

Depois dos acontecimentos no início desse ano, a temática não poderia ser mais oportuna: guerra entre Líbano e Palestina. O homem que nos convida para a valsa do título é Bashir Gemayel, um dos principais comandantes das Falanges Libanesas, uma milícia cristã de extrema-direita apoiada por Israel. Ele liderou várias campanhas militares contra as tropas sírias. Com 35 anos ele foi eleito presidente do país. Em 1982, dias antes de assumir o poder, foi assassinado, vítima da explosão de uma bomba em Beirute.

Valsa com BashirValsa com Bashir

Valsa com Bashir apresenta com brilhantismo a forma como as pessoas tratavam esse homem, herói, quase um semideus. Suas fotos estão em todos os muros e casas. Lembrei muito do Big Brother de George Orwell. O que se viu no pós-morte foi um massacre de civis palestinos como vingança pela morte do seu líder. Embora Israel não tenha participado, vários jornalistas presentes afirmam que o exército israelita sabia exatamente o que estava acontecendo nos campos de refugiados.

Valsa com Bashir é forte. Pra mim um dos melhores filmes do ano. Não por acaso venceu o Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar. Embora violento e extremista, acho que as escolas deveriam avaliar a possibilidade de repassá-lo aos alunos do ensino médio. Mostrar os horrores de uma guerra civil no olho mágico da animação foi uma idéia excelente. Acho que conseguimos caminhar mais um degrau nesse segmento artístico. Tudo isso sem perder a beleza e dinamicidade.

Valsa com BashirValsa com Bashir

Talvez o grande mérito do filme tenha sido justamente montar um quebra-cabeça de fragmentos surreais sob forma de história verídica. Sem nunca parecer chato ou divertido, a animação consegue nos fazer entender a forma como a guerra é capaz de mudar a vida de a viu com os próprios olhos. O resultado é diverso, mas na grande maioria das vezes o cérebro entra em choque, em alguns casos acaba até inventando memórias falsas para tapar os "buracos negros" de acontecimentos reais.

Além dos méritos técnicos, principalmente em relação à fotografia espetacular e a trilha sonora punk rock perversa e incrivelmente contagiante, Valsa com Bashir tem uma ótima história. De forma bem cadenciada, o filme revela o medo dos soldados diante da guerra. Alguns fogem, outros enlouquecem, uns ficam estáticos, muitos simplesmente observam. Parece que cada homem tenta enxergar a guerra através de uma janela imaginária, como se aquilo não os atingisse. Provavelmente esse seja o "remédio" para subir num tanque e invadir vilarejos matando todos indiscriminadamente. O final termina com imagens reais, mostrando que apesar de seu uma animação, nada do que foi mostrado é brincadeira. Uma muralha de corpos espalhados pelas ruas e becos. Choca e destrói qualquer esperança num mundo melhor. Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

Compartilhe | | | | | | | | |

terça-feira, 17 de março de 2009 às 16:00

0 RECLAMAÇÕES

Camino: uma história de amor e sofrimento

CaminoCamino (Camino, 2008) é um filme espanhol que arrebatou seis prêmios no prestigiado festival de Goya. A história trata de um tema controverso: religião. Isso porque uma pessoa pode enxergar o filme como uma obra de louvor a Deus e ao sacrifício feito em vida. Outras poderão perceber uma crítica à fé. Dessa forma, Camino passeia por um terreno com grande margem para interpretações.

Não podemos tirar o mérito de Javier Fesser, escritor e diretor do longa, ele nos presenteia com uma bela fotografia que muito remete ao filme "O Labirinto do Fauno" (leia a resenha). Camino é um drama bastante forte de uma família, basta dizer que tudo acontece ao redor de uma menina com câncer. Filha mais nova de uma família que sofre a angústia dessa doença tão malígna.

CaminoCamino

O filme não esconde esse fato e mostra logo nas primeiras cenas a pobre criança doente numa cama de hospital. Em seguida voltamos no tempo para conhecer a trajetória de Camino (Nerea Camacho), uma menina no início da puberdade que tem sonhos. Mas a mãe da menina segue uma cartilha católica rigorosa e não deseja que suas filhas sigam pelo mesmo caminho. Dessa forma os sonhos da menina são poldados.

Nessa parte do filme muitas pessoas que crêem nesses ensinamentos dirão que a mãe está correta. Outras dirão que a menina devia seguir seus sonhos. Mas o filme não faz esse tipo de julgamento e mostra que ninguém tem esse direito.

CaminoCamino

Durante a história Camino encontra um menino numa feira de livros usados. Rapidamente ele vai embora. Mas esses poucos segundos já fulminam o amor no coração da jovem, que pede para a mãe comprar o livro que ele havia folheado. A mãe reluta um pouco, por achar o livro infantil, mas por fim acaba comprando, junto com um livro da história da Santa Bernadete. Pelas ondas do destino, comum nos filmes, Camino foi convidada por sua amiga Begônia a participar de uma aula de teatro. Lá encontra o rapaz da feira de livro e descobre que seu nome é Jesus e é primo de sua melhor amiga.

Camino mostra toda a trajetória que uma criança pode sofrer, desde a dificuldade do diagnóstico do câncer (pois os médicos tendem a achar que os sintomas são de doenças mais simples e de fácil cura) até o sofrimento do tratamento. A história passa pelas operações, quimioterapia, até chegar na transmutação. A criança que chega bela ao hospital, vai mudando para uma aparência fantasmagórica. No mínimo nos faz pensar se tudo isso é realidade ou ficção. Nota 4/5

Para assistir o trailer aperte play:

Compartilhe | | | | | | | | |

terça-feira, 10 de março de 2009 às 15:00

1 RECLAMAÇÕES

Gomorra: uma corrida social no meio da mafiosa guerra napolitana

GomorraGomorra (Gomorra, 2008) é um filme italiano vindo do livro de nome homônimo escrito pelo jornalista Roberto Saviano. O sujeito se infiltrou na Camorra, a máfia napolitana, conheceu as entranhas da organização criminal e a expôs num best-seller. Isso que posso chamar de "matar a cobra e mostrar o pau". Porém, essa irreverência custou sua liberdade, já que o autor está jurado de morte pela máfia. Para nós brasileiros é comum ver nos jornais notícias sobre o tráfico de drogas e as guerras entre grupos rivais nas favelas do Rio. Ver a mesma realidade espelhada na Itália só demonstra que o mundo está mesmo globalizando as benesses e os problemas.

Em Gomorra somos apresentados à uma coletânea de personagens, o que faz a trama ficar bastante povoada e cheia de histórias paralelas. Temos os traficantes que controlam a comercialização e industrialização das drogas, temos um "contador" que todo mês entrega uma "bolsa fidelidade" às pessoas fiéis à Camorra, temos jovens querendo subir na vida do crime sem submissão aos chefões locais e temos as crianças que querem entrar na máfia por verem ali a única forma de viverem numa condição financeira melhor.

O filme não é somente centrado na Camorra e no gueto que ela mantém sobre seu domínio, é sim sobre Nápoles e seu porto muito movimentado, onde negócios duvidosos são entregue em containeres e sobre o uso de mão de obra estrangeira fazendo trabalhos ilegais.

GomorraGomorra

E essa corrida pelo dinheiro e pela ascensão social age como um personagem coadjuvante, pois tudo no filme gira em torno desse eixo. Posso até afirmar que esse foi a primeira trama de um filme que os personagens mais importantes para o desenvolvimento dela são impessoais e imateriais. Junto dessa busca pelo lucro, temos a luta por respeito que seria o mesmo que honra, por reconhecimento e pela paz. Tudo contido num microcosmo turbulento de concreto, grades, escadas e corredores apertados.

Depois de assistir a Gamorra e sua infinidade de histórias paralelas, procurarei lê o livro para entender todo esse universo que não coube por completo nas duas horas de duração da projeção. Serve como propaganda e amostragem do que será encontrado nessa obra-denúncia de Roberto Saviano. Nota 3/5

Clique em play para ver o trailer:

Qual nota você dá para o filme?
Compartilhe | | | | | | | | |

domingo, 8 de março de 2009 às 12:11

0 RECLAMAÇÕES

Ensaio Sobre a Cegueira: surpreende pela técnica e decepciona pela superficialidade

Ensaio Sobre a CegueiraA noite do Oscar que consagrou o diretor inglês Danny Boyle e seu filme "Quem Quer Ser um Milionário?" (leia a resenha) merecia ter acontecido com o brasileiro Fernando Meirelles por "Cidade de Deus" (2002). É um filme que entrou para a história e tornou-se uma lenda no mundo inteiro. Seis anos depois e Fernando Meirelles nos apresenta outro polêmico filme: Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, 2008), baseado no livro homônimo de José Saramago (leia a resenha). Confundido com filme de terror trash (pela história), filme cult (pelo visual), filme contra os cegos (pelo título), Ensaio Sobre a Cegueira foi rotulado e criticado. Acabei contagiado pela boataria. Desisti do filme com um ingresso na mão.

O filme explora o impacto social numa cidade atingida por uma inexplicável epidemia de cegueira. Não a cegueira normal, a doença mostrada na história é chamada de "cegueira branca". Tudo começa com um motorista oriental (Yusuke Iseya) bem no meio do trânsito. Desorientado, o sujeito vai a um consultório oftalmológico buscar uma explicação. No consultório acaba contagiando os outras pessoas, como uma prostituta com óculos escuros (Alice Braga), um homem com venda preta no olho (Danny Glover) e o próprio médico (Mark Ruffalo). O governo rapidamente joga todos os infectados num manicômio desativado. A cada dia chegam novos cegos ao local. Eles terão que sobreviver sem ajuda do governo, que os deixa por conta própria. A única pessoa que não foi contaminada pela cegueira é esposa do médico (Julianne Moore). E é justamente a partir das impressões dela que Ensaio Sobre a Cegueira acontece.

Ensaio Sobre a CegueiraEnsaio Sobre a Cegueira

Vou logo dizendo que não é um filme fácil de assistir. O expectador tem que estar preparado para tudo. Eu fiquei o tempo inteiro incomodado. Muitas cenas são fortes. O interessante é que logo no início percebi que boa parte da polêmica inicial não tem o menor sentido. Por exemplo: o filme não é trash, pelo contrário, a história é uma excelente metáfora social em tempos de crise econômica. Outra coisa, o filme não é cult. A claridade mostrada em tela apenas reproduz a sensação de quem leu o livro. Além disso, os cegos "naturais" não foram discriminados, longe disso, no filme eles são tratados como rei. Até mesmo a cena do estupro coletivo, que achei ser potencialmente vulgar, acabou me surpreendendo. Tudo foi muito bem feito, o diretor soube usar bem as imagens em penumbra e os sons. Aliás, Ensaio Sobre a Cegueira me surpreendeu pelo alto padrão técnico na qualidade das imagens, iluminação e decoração de ambientes.

Para quem assistiu procurando um filme de terror, talvez tenha gostado apenas da cena do supermercado. Nela a personagem de Julianne Moore, única que enxerga no filme, é obrigada a encarar a escuridão de um supermercado abandonado em busca de comida. O espectador fica perdido no meio de um breu quase constrangedor. Excelente, pena que foi tão pouco. Achei que faltou explorar mais a podridão descrita no livro. Mas aí o filme ficaria ainda mais difícil de assistir. De qualquer forma, o filme conseguiu captar um pouco desse sentimento de revolta com nossos instintos básicos de comida e higiene. É como se eu estivesse lendo o livro em flash forward. Nada de importante falta, mas tudo é rápido demais. Fato que acaba gerando outro problema: superficialidade, o filme não consegue chegar a lugar algum. Para quem não conhece o livro, Ensaio Sobre a Cegueira é apenas um louco devaneio de um filósofo sobre seu tempo. Nota 3/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

Outros posts sobre o assunto:
Qual nota você dá para o filme?
Compartilhe | | | | | | | | |

sábado, 7 de março de 2009 às 17:15

1 RECLAMAÇÕES

Watchmen - O Filme: uma bomba-relógio cinco minutos antes da destruição total

Watchmen - O FilmeSexta-feira, 06 de março de 2009. O dia amanheceu cinzento. Os restos mortais de uma barata povoam meu banheiro. As baratas têm medo de mim. Eu vi sua verdadeira casca. O quarto está cheio de sujeira e, quando a arrumadeira aparecer, os vermes vão se afogar. Quando a imundice bater na cintura, as aranhas e mosquitos vão olhar para cima gritando "salve-nos"... E eu vou olhar para baixo e dizer "não". Os insetos tiveram escolha, todos. Podiam ter seguido os passos das formigas. Insetos decentes, nunca invadiram a casa. Agora todos estão à beira do lixão, contemplando o zumbido macia das abelhas... De repente, lembrei o que tinha pra fazer.

Fui ao cinema para a estreia de Watchmen - O Filme (Watchmen, 2009), a polêmica aventura do visionário diretor Zack Snyder, responsável pelo épico "300" (leia a resenha). Sua missão era simples: adaptar a bíblica graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons. Classificada como impossível pelos executivos, recusada por diretores, acompanhada de perto pelos nerds trintões, perseguida pelos críticos e disputada pelos estúdios, Watchmen é uma bomba-relógio cinco minutos antes da destruição total.

Watchmen - O FilmeWatchmen - O Filme

Watchmen não é um filme fácil de vender. Tentei levar meu primo ao cinema. Ele desistiu quando soube que a história é sobre um grupo de super-heróis aposentados. Chamei minha irmã. Ela reclamou do clima sombrio e da violência explícita. De fato Watchmen não é entretenimento, pelo contrário, requer certa dedicação e entrega total. A sensação é que pegaram tudo que não presta na humanidade e resolveram colocar na tela. Ainda estou tentando convencer meus amigos a irem ao cinema, mas qual argumento uso?

O filme se passa em 1985. O mundo está perto da Terceira Guerra Mundial. Estados Unidos e União Soviética medem forças num duelo psicológico de proporções nucleares. Neste clima de tensão política, o assassinato de Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan), o Comediante, passa despercebido pela imprensa. Ele é uma espécie de Capitão América, usa a força bruta para ajudar o governo americano nas guerras. É um dos poucos heróis que se mantiveram na ativa após a Lei Keene, que proibia as atividades de mascarados no combate ao crime.

Watchmen - O FilmeWatchmen - O Filme

Outro herói que continuou atuando é Rorschach (Jackie Earle Haley). Mas esse fora-da-lei. Perseguido pela polícia o mascarado inicia uma investigação solitária. Rorschach é o personagem que mais chama atenção em Watchmen. A sequencia em que ele é preso arrancou os mesmos risos histéricos que Coringa provocou em "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (leia a resenha). Pena ter faltado tempo para detalhar o debate com o psicólogo. Rorschach é o Batman, o detetive com seu próprio código de conduta. Nele está o sentimento humano de justiça a todo custo.

Watchmen então muda o foco para Jon Osterman (Billy Crudup), o Dr. Manhattan. Ele é uma aberração azul brilhante, único com poderes sobre-humanos no filme. É como se fosse o Superman em crise existencial. Nele a história ganha contornos filosóficos e contemplativos. Por mais inteligente e poderoso que ele seja, sua melhor participação é ao lado de suas companheiras amorosas. Como viver com alguém que sabe tudo do presente, passado e futuro? Ele é o fiel da balança.

Watchmen - O FilmeWatchmen - O Filme

Em seguida a história explora Daniel Dreiberg (Patrick Wilson), o Coruja II. O personagem é careca, barrigudo e impotente. Talvez o mais ético dos heróis de Watchmen, quase um Dr. Fantástico. Nele repousa a sensatez. Bem legal seus cacarecos tecnológicos e a nave-coruja. Ao lado dele temos a Espectral II (Malin Akerman). Muito curioso o triângulo amoroso entre os dois e o Dr. Manhattan. A impressão é que tudo em Watchmen termina (ou começa) em sexo.

O último personagem nessa "Liga da Justiça" é Adrian Veidt (Matthew Goode), o Ozymandias. Ele é o herói que mais soube tirar proveito da fama. Conquistou bilhões em suas empresas explorando o marketing em torno de sua imagem indestrutível. É considerado o homem mais inteligente do mundo. Por isso mesmo é um sujeito excêntrico e quase robótico. Nele Watchmen nos confunde com perguntas e respostas. Os fins justificam os meios? A humanidade é autodestrutiva? Qual o preço de uma vida? Quanto vale a humanidade?

Watchmen - O FilmeWatchmen - O Filme

Watchmen - O Filme é perfeito. Talvez um pouco cansativo. Talvez um pouco superficial. Talvez um pouco de tudo. Talvez por isso, perfeito. Fiel aos quadrinhos, o filme me deixou impressionado pela sintonia e proximidade entre esses mundos. Inclusive aprovei a forma como a história em quadrinhos foi melhorada, como no final mais inteligente e menos criativo. Mas o que realmente agregou valor à HQ foi a trilha sonora. Tudo bem que a poesia de Bob Dylan sempre esteve presente nas páginas da HQ, mas nada como vê-lo abrir o filme ao som de "The Times They Are A-Changin". Para melhorar ainda mais, o compositor folk empresta "All Along The Watchtower" para a guitarra de Jimi Hendrix. Um banho de clássicos que nenhum outro gibizinho é capaz de oferecer.

O único ponto triste nessa história é a recusa do criador Alan Moore em assinar o longa. O barbudo é contra a realização de filmes baseados em sua obra, tendo cedido os royalties de Watchmen para o ilustrado da HQ Dave Gibbons. O cara vai ficar milionário, correto? Nem tanto. Em entrevista ao portal G1 ele disse que a família de Tolkien ainda não recebeu nada pela trilogia de "O Senhor dos Anéis". Tudo porque, no papel, o estúdio e distribuidores não tiveram lucros. Durma com essa... Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

Outros posts sobre o assunto:
Qual nota você dá para o filme?
Compartilhe | | | | | | | | |

sexta-feira, 6 de março de 2009 às 03:03

1 RECLAMAÇÕES

Watchmen - Volume 4: celebrando a morte do herói com requintes de veracidade

Watchmen - Volume 4Finalmente a aventura chegou ao fim. Ao fim? Watchmen - Volume 4 (Via Lettera, 2005) contém os três últimos capítulos da graphic novel escrita por Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons e colorida por John Higgins. Muita coisa mudou desde 1987 (ano da publicação original): o muro de Berlim caiu, o Golfo entrou em guerra, a União Soviética desapareceu do mapa, o terrorismo recriou heróis e vilões. O mundo está diferente. Uma das poucas coisas que permaneceu intacta é o medo de um embate nuclear. As recentes rixas diplomáticas com a Coréia do Norte são provas disso. As consequências de uma explosão nuclear estão presentes na cabeça dos jovens, basta lembrar dos seriados de televisão "Jericho" e "24 Horas", que recentemente exploraram o tema. Nisso Watchmen não envelheceu. Dessa forma, é necessário olhar Watchmen de maneira cuidadosa, tentando se teletransportar para aquela realidade histórica da "revista em quadrinhos".

Talvez por falta dessa consciência o "Volume 1" (leia a resenha) tenha me decepcionado. Achei a HQ visualmente convencional. A leitura complicada. A temática forte demais para os quadrinhos: guerra, política, estupro, sexo e assassinatos. Watchmen parecia um panfleto ideológico pintado nas páginas de um gibi. É mais ou menos o que os caras hoje em dia têm feito com as animações computadorizadas. Assista ao filme israelense "Valsa com Bashir", concorrente a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar desse ano, que você irá entender. A partir do "Volume 2" (leia a resenha) comecei a entrar no jogo dos heróis aposentados. Mais do que a simples revistinha, Watchmen oferecia um requintado calhamaço histórico que muitas vezes me confundiu e outras assustou. O "Volume 3" (leia a resenha) explorou os diversos cenários em que os super-heróis seriam importantes, preparando o terreno para o desfecho da história.

Watchmen - Volume 4 tem um pouco de tudo isso, além de um excelente bônus: as cartas datilografadas de Alan Moore enviadas a Dave Gibbons. Nelas o roteirista descreve detalhadamente quadro a quadro como ele desejava que as ilustrações fossem feitas. Imagine você o sujeito usar meia página de uma folha A4 para explicar a imagem de um mísero decímetro quadrado. Multiplique isso pelo número total de quadrinhos que aparece na revista e você poderá dimensionar a loucura. Seria bem mais fácil ele aprender a desenhar, não?! (hehe) Por tudo isso, Watchmen é de Alan Moore. Ponto. Mas não podemos minimizar a importância de Dave Gibbons. No livro "Os Bastidores de Watchmen" isso fica ainda mais claro. Além do mérito de colocar no papel da imaginação fervilhante de Moore, Gibbons deu várias contribuições que alteraram os rumos da história. Entre elas a concepção do personagem Coruja e o broche amarelo com uma carinha sorridente (smiley), que acabou tornando-se um dos elementos centrais da graphic novel.

Mas vamos ao que realmente interessa. No capítulo 10 de Watchmen - Volume 4, intitulado "Dois cavaleiros se aproximando...", Coruja II e Rorschach revivem a bela parceria que tinham no passado. Os dois heróis chegam à fundo na investigação da morte dos mascarados e descobrem o responsável: Adrian Veidt, o Ozymandias. Eles então decidem ir atrás do sujeito em seu refúgio na Antártica. Bem legal a nave-coruja e os trecos "tecnológicos" do herói. Essa parte da história encerra com um pouco da poesia profética de Bob Dylan e do totalitarismo onipresente de George Orwell. Ao fim papéis avulsos das estratégias mercadológicas de Adrian Veidt para uso da marca Ozymandias. Estava previsto o lançamento de um perfume e bonequinhos dos personagens da antiga liga de heróis mascarados. Interessante esse tipo de material constar numa história em quadrinhos. Realmente impressiona o rigor perfeccionista presente até em detalhes como esse.

O capítulo 11, chamado "Comtemplai minhas realizações, ó poderosos...", é o mais importante de Watchmen. Aqui conhecemos os motivos que levaram Adrian Veidt a matar o Comediante (fato que deu início a tudo). Entramos na cabeça do assassino e comecemos sua lógica matemática. O capítulo nos oferece uma explicação completa para fechar arestas e antecipar o golpe final. O argumento é tão bem construído que há quem defenda o herói-vilão: proteger a humanidade dela mesma. Parece batido, mas poucas vezes vi essa questão realmente funcionar como em Watchmen. O capítulo encerra com uma bela entrevista de Adrian Veidt à Revista Nova Express. Oportunidade perfeita para conhecer um pouco mais das idéias do "homem mais inteligente do mundo".

O capítulo 12, último de Watchmen, intitulado "Um mundo forte e adorável" é o mais polêmico da HQ. Confesso que fiquei incomodado com o monstro assassino. Preferia algo mais prático e menos surreal. Destaque para a arte de Dave Gibbons. Excelentes desenhos para mostrar o inenarrável. A história termina de maneira bem pessimista. Ao final a conclusão é óbvia: Watchmen elevou os quadrinhos a um novo patamar. Muita gente pode até não gostar da onda de "heróis adultos", mas eles vieram pra ficar. O fato é que - de certa forma - a revista rouba a inocência dos mais novos ao colorir nossas fraquezas e explorar nossa maldade. Ela celebra a morte do herói com requintes de veracidade. Depois disso, a enjoada face amarela e sorridente nunca mais desgruda da mente. Nota 5/5

Outros posts sobre o assunto:
Qual nota você dá para a revista em quadrinhos?
Compartilhe | | | | | | | | |

quinta-feira, 5 de março de 2009 às 14:00

0 RECLAMAÇÕES

The House of the Dead - Overkill: bem-vindo ao mundo dos filmes trash de Zé do Caixão

The House of the Dead: OverkillThe House of the Dead é uma franquia que nasceu para ser jogada em fliperamas, junto com Virtual Cop, Area 51 e tantos outros que tinham máquinas preparadas com periféricos em formas de pistolas para o estilo "shot on rails" (tradução literal: tiro sobre trilhos), onde o jogador apenas controla a mira de uma arma e a câmera se movimenta pelo cenário de acordo com o andamento do jogo.

Essa franquia esteve presente também nos consoles e computadores, mas nunca fizeram sucesso nessas plataformas. Com a popularização dos vídeos games e a queda da procura por jogos em fliperamas, o estilo estava na UTI. No mercado de jogos é comum que certos estilos de jogos deixem de funcionar, principalmente pela queda das vendas. É a lei de mercado na sua forma mais básica.

Com a entrada de mercado do Nintendo Wii e seus controles com sensores de movimentos e sensores de luz, a Sega viu a chance de reviver sua antiga franquia The House of the Dead. Em 11 de março de 2008 ela lançou os episódios 2 e 3 para o vídeo game da Nintendo, provavelmente para um teste de aceitação da franquia que vendeu na casa dos 900 mil DVDs.

The House of the Dead - OverkillThe House of the Dead - Overkill

Comprovada o funcionamento do estilo de jogo, a grande base instalada do console e o clamor por jogos mais adultos, a empresa resolveu criar o The House of the Dead - Overkill (Sega, 2009), baseando a trama nos filmes trash rodados com películas de qualidade questionável. Nesse projeto nota-se que nada é feito ao acaso, pois como o Wii não tem uma capacidade gráfica poderosa, a equipe focou mais na diversão, na jogabilidade e numa história sem muito nexo e com toneladas de sangue. Os gráficos são feios, mas compensado com uma trilha sonora de qualidade e um gameplay viciante, além de um alto fator de "replay value" (expressão que significa o ato de jogar repetidamente as fases do jogo).

A trama do jogo é uma caçada a um vilão chamado Papa Ceasar, que está fabricando mutantes e espalhando pelo mundo. Cabe então aos policiais Agente G e Isaac Washington (o policial negro mais clichê da história dos games) iniciarem a perseguição a esse criminoso. Mas antes eles se defrontam com hordas de mutantes que se interpõem no caminho. A missão do jogador é matá-los um a um. Além de salvar civis nesse meio tempo. É um jogo cheio de boas surpresas, indicado para quem tem estômago forte, gosta de muita violência e doses de humor negro. The House of the Dead - Overkill: uma trama digna de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Nota 4/5

Veja o vídeo promocional:

Qual nota você dá para o jogo?
Compartilhe | | | | | | | | |