terça-feira, 18 de agosto de 2009 às 23:39

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Aprendendo a Viver: uma poesia musical sobre sonhos e realidade

Aprendendo a ViverEssa tem sido uma semana muito triste. Ontem soube que a mãe de uma amiga faleceu. Hoje foi a irmã de um colega de trabalho. Ambos bem próximos de mim, vivemos uma rotina de trabalho e acima de tudo compartilhamos alegrias e tristezas. Nessas horas difíceis costumo me indagar sobre nossa missão no mundo, principalmente porque nesse caso a morte levou duas pessoas jovens, que não tiveram tempo suficiente para aproveitar a vida.

Não perder tempo, fazer a vida valer a pena, contrariar a norma, assumir o risco. Todo mundo sabe dessas coisas, mas pouquíssimas pessoas têm coragem de colocar isso em prática. Uma delas é Walter Vale (Richard Jenkins), protagonista do filme Aprendendo a Viver (The Visitor, 2008) e concorrente ao Oscar na categoria Melhor Ator. Ele é um daqueles sujeitos que em toda esquina a gente encontra: homem, assalariado, meia-idade, abandonou os sonhos para viver no conforto consumista que a sociedade exige.

Aprendendo a ViverAprendendo a Viver

O resultado disso é que Walter acabou se tornando amargo, reservando suas emoções para os momentos em que está sozinho, longe do olhar inquisicional. Obrigado pela faculdade em que trabalha a viajar para Nova York para participar de uma conferência, Walter encontra alojado em seu apartamento o músico sírio Tarek (Haaz Sleiman) e a artesã Zainab (Danai Gurira), imigrantes ilegais. Surpreso e ao mesmo tempo sensível à situação, ele acaba desenvolvendo uma amizade com o casal e entrando num processo de autoconhecimento.

O roteiro é muito bom. Algumas cenas são emblemáticas, como a professora de piano decretando que ele era velho demais para aprender música. Existe mesmo isso? Duvido! Walter mostrou em Aprendendo a Viver ser absolutamente apaixonado pela música. Idependente de idade, o som aflora no bater ritmado da caneta, num um pé acompanhando o batuque do atabaque ou no assobio que imitando a gaita.

Aprendendo a ViverAprendendo a Viver

Aprendendo a Viver mostra que a vida muitas vezes é tão curta que nem dá tempo aproveitar. O filme acabou se tornando uma trágica poesia musical sobre sonhos e realidade. Esses dois lados estão equitativamente representados no filme. Por um lado somos tentados a embarcar nessa aventura intelectual do velho Walter, por outro conhecemos a dura realidade dos estrangeiros que vivem nos Estados Unidos pós "11 de Setembro". Um sinal de que mesmo naqueles momentos em que se perde o sentido da vida, a felicidade, ainda que fugaz, é possível. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sábado, 8 de agosto de 2009 às 22:17

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Anjos da Noite - A Rebelião: mesmo fraco, é a melhor parte da trilogia

Anjos da Noite - A RebeliãoQuem você gostaria de ter como amigo: Tyson ou Holyfield? Quem seria um bom vizinho: John ou Paul? Quem você contrataria como motorista: Senna ou Schumacher? Quem seria o primeiro no seu time da pelada: Zico ou Maradona? Quem você chamaria pra um chazinho: romancistas ou modernistas? Não há resposta pra essas perguntas. Forças equivalentes não possuem vencedores ou derrotados.

E um exemplo disso é Anjos da Noite - A Rebelião (Underworld: Rise of the Lycans, 2009), terceiro filme da série de ação/terror. A história dessa vez explora o nascimento da guerra milenar entre vampiros e lobisomens (lycans). Ambos filhos de Alexander Corvinus, essas duas raças sobrenaturais tomaram caminhos bem distintos. Os vampiros tornaram-se elegantes e aristocráticos. Já os lobisomens, bestas selvagens sem qualquer traço de humanidade.

Anjos da Noite - A RebeliãoAnjos da Noite - A Rebelião

Viktor (Bill Nighy), o líder dos vampiros, encontra um jeito de manipular a genética dos lobisomens. Dessa experiência nasce Lucian (Michael Sheen), lobisomem com aparência humana que pode se transformar em animal sempre que desejar. O vampirão usa essa nova espécie para escravizá-los. A Rebelião começa quando Lucian assume a liderança da matilha, parte pra cima dos dentuços e engata um amor shakespeariano com a vampira guerreira Sonja (Rhona Mitra).

Anjos da Noite - A Rebelião é a melhor parte da trilogia. Ainda assim, fraco. Praticamente é um único cenário o filme inteiro. Os efeitos estão mais interessantes, mas nunca chegam a ser convincentes. O pior é que essa história tem um potencial incrível. Uma boa briga entre vampiros e lobisomens seria espetacular! Um prato cheio para explorar nossos medos e mitos. Afinal, se tivesse que escolher, quem você não gostaria de vê na festinha de aniversário de sua filha: vampiros ou lobisomens? Nota 2/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 15:00

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Numerati: a modelagem matemática do homem

NumeratiNumerati (Editora Saraiva, 2009) é um livro escrito pelo jornalista Stephen Baker, que de uma sugestão sobre uma coluna abordando o tema matemática, acabou criando um livro sobre uma ciência que ainda está no início, mas que se propõem a ser aplicada em várias esferas da vida cotidiana do homem, desde seu voto, as suas compras nos supermercado, suas interações na internet e sua vida amorosa.

Não é segredo para ninguém que vivemos na era da informação e o livro numerati trata não dessas informações, ou que tipo elas são, mas as pessoas que estão nos bastidores captando todos os dados que geramos e tratando com fórmulas matemáticas e estatísticas para retratar nossa vida e nos conhecer melhor.

A velha máxima de conhecimento é poder fica evidente em todos os capítulos do livro, pois somos desmascarados pelas nossas compras nos supermercados, nos blogs que escrevemos e nossas pesquisas na internet, ou seja, como na astronomia podemos localizar um buraco negro, não o vendo, mas o acompanhando por fenômenos indiretos que denuncia sua presença.

A abordagem do jornalista ao criar um tipo de diálogo com o leitor suaviza a aridez do tema e o torna muito bom de ser lido, pois no momento que ele expõe nomes como processos estocásticos, vetores, dimensões e gráficos, ele conta de experiências e conversas que ele teve com matemáticos e mineradores de dados do Yahoo e da NSA (Agência de Segurança Americana).

A verdade que a matemática e a estatística nunca esteve tão presente em nossas vidas e com a capacidade de processamentos dos computadores de hoje ter crescido muito, a análise de um número enorme de variáveis por um grande banco de dados ocorre em poucos segundos e com isso várias correlações podem ser traçadas, porém o livro mostra que os dados nada nos dizem sem uma devida interpretação e nessa etapa entram também outros ramos das ciências sociais como a antropologia, a psicologia, o marketing e etc.

O livro foi sabiamente dividido em vários temas e neles são esmiuçadas todas as pesquisas feitas nessas áreas e onde se pretende chegar no futuro. Os capítulos abordam funcionários, consumidor, eleitor, blogueiro, terrorista, paciente e namorado, tudo feito com o uso de dados que facilmente deixamos espalhados por nosso cotidiano e que estão sendo agora agrupado por empresas e analisadas por numeratis.

O autor mostra que toda essa análise da nossa vida será de conhecimento de empresas e governos e levanta um componente ético, como ficará nossa privacidade? Bem para saber essa resposta e como será nossa vida de agora e daqui a vários anos, recomendo esse livro, pois os numeratis irão lhe proporcionar não apenas boas compras nos supermercados, mas uma velhice bem mais segura no futuro. Nota 4/5
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