domingo, 20 de setembro de 2009 às 06:00

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Lie To Me - 1ª Temporada: o seriado da mentira

Lie To Me – 1ª TemporadaQuantas mentiras você disse hoje? De acordo com esse seriado o homem não conversa durante muito tempo sem contar alguma. Lie To Me – 1ª Temporada (Lie To Me - Season One, 2009) é um seriado investigativo, como tantos outros que permeiam os canais atualmente, porém ele trás um tempero diferente, não o uso de alta tecnologia, nem provas forenses partindo de perícias e corpos putrefatos e sim o homem.

O homem em si não é o foco da série, mas as palavras que dizemos e a atitude corporal que temos e nesse contexto que entra em cena o Lightman Group, uma equipe especializada em detectar sem a necessidade de polígrafo o que as pessoas estão sentindo num momento de interrogatório e assim avaliar se a pessoa em questão diz a verdade ou não.

Na série esse grupo é criado pelo Dr. Cal Lightman (Tim Roth), que varreu o mundo estudando vários povos e trazendo a tona o conceito de universalização da microexpressão, provando que um mesmo sentimento universal apresenta as mesmas características corporais independente da cultura.

Lie to Me - 1ª TemporadaLie to Me - 1ª Temporada

E como não deixaria de ser diferente a formula do C.S.I se repete. Um grande investigador, fica no foco enquanto outros personagens fazem alguns trabalhos secundário para ajudar no desenrolar da trama. Por isso temos a Dra. Foster (Kelli Williams), psiquiatra treinada por Lightman para identificar microexpressões e ajudar nos perfis psicológicos.

Eli Locker (Brendan Hines) outro estudioso das microexpressõe que tem uma doença de sempre falar a verdade, um glichê até perdoável pelo trocadilho de seu nome que seria numa tradução livre: cadeado. Caixão (lembra a frase "levar seu segredo para o túmulo"). E por fim temos Ria Torres (Monica Raymund), uma descendente latina que mesmo sem estudo tem o dom de ler microexpressões das pessoas.

Lie To Me não traz uma fórmula nova, mas o contexto e as histórias são bons. Pra mim a série ganha ponto ao mostrar celebridades mundiais e suas microexpressões em momentos chave. Será difícil depois de assistir essa série não tentar captar as microexpressãoes das pessoas no dia-a-dia. Nota 3/5

Assista ao trailer:

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009 às 15:20

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Força Policial: a desconstrução familiar de um velho sonho de criança

Força PolicialA instituição família está falida! Talvez não completamente, mas boa parte do antigo código de honra não existe mais. A defesa intransigente dos pares, por exemplo, hoje é considerada desvio de caráter. Seguindo esse ritmo, certamente chegaremos ao dia em que pais, filhos e irmãos, serão inimigos íntimos vivendo sob eterna e mútua vigilância. Nesse admirável mundo novo, enfim, "1984" (romance de George Orwell, leia a resenha), deixará de ser ficção.

Infelizmente, eu e você vivemos numa era de transição. De um lado nossos avós, clamando pela volta dos velhos e bons tempos do paternalismo religioso. De outro nossos filhos, jogados aos leões na competitiva, violenta e individual sociedade do consumo. Nesse seara de utopias e distopias, nosso caráter é diariamente colocado à prova. A questão não é mais se devo obediência ao interesse individual ou coletivo. A dúvida é o que significa "interesse individual" e "interesse coletivo".

Força PolicialForça Policial

Nesse sentido, uma das provações mais viscerais dos últimos tempos viveu Ray (Edward Norton), no filme Força Policial (Pride and Glory, 2008). O sujeito faz parte de uma dinastia de policiais, que inclui seu pai Francis Tierney (Jon Voight), o irmão Francis Jr. (Noah Emmerich) e o cunhado Jimmy Egan (Colin Farrell). Nomeado a conduzir uma investigação para apurar um escândalo de corrupção na polícia, Ray acaba descobrindo indícios do envolvimento de familiares, dando início ao conflito moral.

Força Policial é selvagem. Muito, muito violento. O ponto culminante é a cena em que uma dupla de policiais corruptos tortura uma família inteira. O alvo é um bebê de poucos meses. A criança passa alguns segundos sendo ameaçada com um ferro de passar quente em seu rosto. Até que ponto você mentiria para proteger seus familiares? Pois garanto que Força Policial consegue ultrapassar esse seu ponto. É um filme de pura estupidez e anarquismo ético.

Força PolicialForça Policial

Ainda assim achei Força Policial um filme ruim. Pro meu paladar faltou emoção, drama, adrenalina, principalmente na primeira metade. A segunda parte do filme é mais interessante, principalmente por conta da desconstrução daquele velho "sonho" das crianças de se tornarem policiais. Partindo do respeito imposto pela arma/distintivo, até chegar à dura realidade das ruas, banhadas por corrupção e disputa política por cargos diretivos. Quem sabe o fim da família esteja justamente ligado a esse mesmo choque existencial. Não, Força Policial não é tão forte assim.Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009 às 21:35

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Distrito 9: Peter Jackson no que sobrou do game "Halo"

Distrito 9Os games há algum tempo vêm tomando o espaço (e o dinheiro) do cinema no lucrativo mercado do entretenimento. Sabiamente, ao invés de se tornarem rivais, essas indústrias uniram forças. Games adaptam filmes. Filmes adaptam games. O problema é que a balança anda pendendo pra um lado, pois a grande maioria dos filmes fracassou ao tentar transportar para a tela a dinâmica do joystick. Isso até Peter Jackson – o mago responsável pela trilogia O Senhor dos Anéis – anunciar o "projeto Halo".

Para quem não sabe, "Halo" é um jogo de tiro em primeira pessoa produzido para o console Xbox 360 da Microsoft. Nele o jogador assume o papel de um supersoldado, tendo que enfrentar uma aliança de raças alienígenas. Extremamente premiado e com uma legião de fãs fervorosos, "Halo" talvez seja o maior jogo da história. Não só pela absurda qualidade dos gráficos ou jogabilidade extrema, mas sim porque "Halo" é um dos jogos mais inovadores já criados.

Distrito 9Distrito 9

Por tudo isso, Peter Jackson era a pessoa certa para tentar filmar essa magia. Mas infelizmente o projeto não foi aprovado pelos estúdios. "Halo" então pareceu que iria morrer. Mas até que surgiu a idéia de usar o orçamento que restou para gravar Distrito 9 (District 9, 2009). Jackson ficou com a produção e chamou o sul-africano Neill Blomkamp, responsável pela publicidade do game na televisão, para assumir a direção. Juntos criaram um filme "independente" ao estilo "A Bruxa de Blair".

No mesmo dinâmica do game, o filme conta a história de um nave alienígena que misteriosamente paira sobre Johannesburgo, África do Sul. Os humanos capturam dezenas de aliens e os coloca numa área chamada "Distrito 9". Depois de quase 30 anos, o lugar se transforma numa espécie de favela. Os extraterrestres inclusive traficam armas e drogas (na verdade é apenas comida de gato). O governo então emite uma ordem de despejo (?!), visando alocá-los numa área afastada e confiscar suas poderosas armas. É quando o pau começa.

Distrito 9Distrito 9

Distrito 9 é um filme toscamente incrível. Os aliens entram na história com extrema naturalidade, sem mistérios ou delongas. Nus e crus. Ao final é quase inevitável a comparação com o Apartheid, em que brancos cerceavam a liberdade dos negros. O estilo documental também ajuda a ressaltar essa despretensiosa analogia. Distrito 9 só peca pelo estilo pastelão do protagonista. Ficou divertido, mas o filme acabou perdendo em seriedade. O resultado é uma farofa conceitual ao modo alienígena. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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