sexta-feira, 30 de outubro de 2009 às 23:21

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G.I. Joe - A Origem de Cobra: uma volta ao mundo encantado dos "Comandos em Ação"?

G.I. Joe - A Origem de CobraHoje, quando estava chegando do trabalho, observei dois garotos brincando na escada do condomínio. Um deles segurava um boneco de borracha multicolorido. Ele gritava pro amiguinho: "Cara, cadê o seu Max Steel? Vai buscar logo, o mundo depende de nós". Eram moleques, no máximo sete anos, ainda imunes à esquizofrenia virtual. Senti um pouco de nostalgia. Encostei na parede e observei a cena por alguns segundos. Quase sentei naqueles degraus azulejados para ajudá-los no fardo.

O encontro me trouxe lembranças. Na idade deles, a febre era uma linha de pequenos bonecos articulados chamada "Comandos em Ação" (G.I. Joe). Produzida pela empresa americana Hasbro e comercializada no Brasil pela Estrela, a série fez muito sucesso entre os anos de 1984 e 1995. Para quem não foi garoto naquele tempo, talvez seja difícil compreender a força dos "Comandos em Ação", mas para nós aquilo era religioso.

G.I. Joe - A Origem de CobraG.I. Joe - A Origem de Cobra

Lembro das muitas tardes de domingo que passei brincando deitado no chão gelado da casa dos meus pais. Eu era um estrategista militar. Preparava minha equipe ao custo de rigorosos exercícios de guerra. Hoje acho isso politicamente incorreto, mas naquele tempo... Eu tinha um tanque preto, lindo, com um esconderijo secreto e tudo. Fundamental também eram as naves. A minha era cinza, com dois canhões giratórios nas asas e alavanca central.

Aproveitando essa memória da geração anos 80, a Paramount Pictures lançou o filme G.I. Joe - A Origem de Cobra (G.I. Joe: The Rise of Cobra, 2009). Na história, a equipe de elite da G.I. Joe luta contra o corrupto traficante de armas Destro (Christopher Eccleston). Pra isso eles usam o que há de mais recente em equipamentos de espionagem militar. Ao mesmo tempo a equipe vê a crescente ameaça da misteriosa organização Cobra, que planeja a criação de uma nova ordem mundial.

G.I. Joe - A Origem de CobraG.I. Joe - A Origem de Cobra

Logo no começo do filme já percebemos que se trata de um algo diferente e inventivo. Os combates fogem ao padrão, transformando homens e supersoldados invencíveis. No meio disso tudo os candidatos a herói ganham vaga no esquadrão de elite. Para nós é uma oportunidade de conhecer as técnicas e princípios que transformam simples humanos em "joes". Destaque para os personagens Snake Eyes (Ray Park) e Storm Shadow (Byung-hun Lee). Yin-yang.

Acho que o filme só ficou devendo na construção dos personagens centrais. Tentou-se criar uma motivação trágica para o casal romântico da história, mas não deu certo. Faltou química e talento. Fora isso, G.I. Joe - A Origem de Cobra é muito divertido, um ótimo filme de ação e aventura. Mas nada além. Não espere voltar ao mundo encantado dos "Comandos em Ação". Para nossa tristeza, os heróis estão cada dia mais cínicos e menos lúdicos. Nota 4/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009 às 00:06

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Star Trek - O Futuro Começa: um grande amálgama político da nossa civilização

Star Trek - O Futuro ComeçaNão sou trekker. Admiro profundamente o culto semi-religioso dos fãs de "Star Trek", mas confesso nunca ter me imaginado membro da Enterprise. O que é bem estranho vindo de alguém como eu: geek, fanático por sci-ci e um quase nerd colecionador de cacarecos espaciais. Um amigo disse que esse meu afastamento do universo "Jornada nas Estrelas" é por conta da minha incapacidade manual de fazer o (ordinário) "V" do Spock.

De repente é isso. Mas acredito que o motivo seja um pouco mais engenhoso. "Star Trek" sempre me pareceu uma cópia de "Star Wars". Na minha cabeça, eles haviam se aproveitado do sucesso de George Lucas. Assim, acabei criando uma rivalidade entre as franquias. Fiquei longe de tudo que envolvia "Star Trek". Mas de uns meses pra cá comecei a pesquisar um pouco mais sobre o assunto. Culpa? Dele, J.J. Abrams - o pai da série "Lost".

Star Trek - O Futuro ComeçaStar Trek - O Futuro Começa

J.J. assumiu a direção do projeto que tinha por objetivo a revitalização da marca "Star Trek". As primeiras imagens do filme me pareceram toscas, com um visual plastificado e brega. O próprio contexto da história parecia complexo. Como entrar numa aventura que tem 10 filmes na bagagem? Ainda assim, fui de espírito aberto assistir Star Trek - O Futuro Começa (Star Trek, 2009). A promessa era recomeçar a história do zero, revelando o início da jornada heróica, mas sem desprezar tudo que já foi feito até agora.

O que fizeram? O mesmo que George Lucas na segunda trilogia de "Star Wars", contaram o passado dos personagens principais. No caso de Star Trek o foco é James T. Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto). Os dois são mostrados em rascunho, garotos descobrindo os tortuosos caminhos da vida através do rebelde espírito da juventude. Cada um a seu modo, eles se mostram os cadetes mais espertos da Frota Estelar. Tornam-se adversários nesse jogo de poder e amor.

Star Trek - O Futuro ComeçaStar Trek - O Futuro Começa

É no meio dessa disputa pelo comando da Enterprise que o destino da galáxia é lançado. Nero (Eric Bana), tem um engenhoso plano de vingança contra Spock, fazendo o vilão brincar com o espaço-tempo. O gancho permitiu inclusive a participação especial de Leonard Nimoy (o Spock original). O que pra mim foi o ponto alto da história. Nele repousa a serenidade e sabedoria de toda uma civilização. Espero que ele volte em novos filmes e tenha uma vida longa e próspera!

Pois é, adorei Star Trek - O Futuro Começa. Realmente um excelente filme. Muita ação, tecnologia, drama, humor, tudo condensado de maneira ágil, espeta e simples. Pena que a Enterprise tenha roubado a cena mais do que deveria. A disputa pela cadeira de "chefe" é quase uma obsessão entre os tripulantes. Querendo ou não, no fundo Star Trek é um grande amálgama do desenho político desse nosso mundo de canibalismo funcional. Quem sabe repousa nisso o motivo de tanto sucesso e fanatismo. Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009 às 15:00

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Wii Sports Resort: uma nova e divertida simulação esportiva

Wii Sports ResortCom o lançamento do Wii, o mundo foi apresentado a uma nova forma de interagir com jogos eletrônicos. Como a Nintendo vinha em gerações anteriores perdendo em vendas para a marca Playstation, eles tiveram que criar um produto diferente para competir com seus concorrentes, que no caso seria a Sony e a Microsoft.

A estratégia usada pela Nintendo é conhecida como Oceano Azul, existindo até um livro chamado "A Estratégia do Oceano Azul", por W. Chan Kim. Ainda não li e por isso não tenho muito a escrever sobre essa estratégia. Mas foi a partir desse pensamento que o foco da empresa passou a ser os não-jogadores, ou jogadores eventuais e criou-se o Wii com uma meta bem modesta de vendas e um jogo que se tornou o carro chefe do console, o Wii Sports (2006).

Wii Sports Resort

O Wii foi lançado em 2006 e o Wii Sports virou um sucesso absoluto e a empresa viu que tinha um bom produto nas mãos. Como a estratégia de venda foi sub-dimensionada, faltou produto para o natal daquele ano. Mas a empresa viu que a estratégia de controles com sensores de movimento daria certo e que a tão procurada imersão que ela tanto procurava, desde o lançamento (e fracasso absoluto) do VirtualBoy, estava próximo.

O Wii Sports atraiu os olhares da mídia e logo os pontos negativos começaram a ser apontados. Como a não precisão do sensor e os movimentos mostrados não darem a impressão de realidade que o jogador esperava, era divertido, mas ainda faltava algo e esse algo foi anunciado pela empresa na E3 de 2008. Com um novo acessório chamado Wii MotionPlus, que é um adaptador contendo um sensor giroscópio que capta melhor os movimentos, deu início ao surgimento do Wii Sports Resort.

Wii Sports Resort

A alma desse novo jogo se encontra no Wii Sports, porém ele não é apenas uma continuação, pois apenas dois esportes do antigo jogo foram mantidos (boliche e golfe). Foram adicionados vários outros como: tênis de mesa, wakeboard, basquete, arco e flecha, um jogo de espadas dentre outros, num total de 12 modalidades.

Para ter acesso a esse jogo a pessoa é obrigada a ter o acessório, sem ele o jogo não roda, faz até sentido, pois ele foi criado para mostrar a capacidade de captação do sensor de movimento que agora passa a ser próximo de 1:1. Os projetistas dizem não ser mais preciso para que os jogos não fiquem difícil demais, o que acabaria frustrando os jogadores. Mas posso afirmar que o nível de captação ficou perfeito e o jogo é muito divertido, principalmente quando se desafia seus amigos. Nota 4/5

Assista ao trailer:

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 às 00:45

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Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados: sem história, a brincadeira perdeu a graça

Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados"Transformers: O Filme" (leia a resenha) foi legal! Além de todo o saudosismo lúdico, a aventura dos robôs da Hasbro conseguiu nos divertir e impressionar com a qualidade dos efeitos visuais. Sucesso estrondoso, não demorou muito para os executivos de Hollywood financiarem a sequência: Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados (Transformers: The Revenge of the Fallen, 2009). Mantiveram Michael Bay na direção e todo o elenco original. Os caras devem ter pensado: "Duplicando tudo que deu certo no filme anterior, faremos muito mais sucesso".

Eles começaram aumentando o número de robôs. No primeiro filme eram apenas 14, agora são 46!!! O resultado é uma grande bagunça. Transformers 2 parece a prateleira do meu quarto: uma fila imensa de robôs brilhantes, mas todos sem personalidade. Com tanta máquina brigando por espaço na tela, ficou até difícil compreender o que se passava nas imagens. A cena inicial, por exemplo, é vertiginosa. Fiquei tonto com a rapidez dos movimentos. Entendi patavinas do que acontecia.

Transformers 2 - A Vingança dos DerrotadosTransformers 2 - A Vingança dos Derrotados

Outra coisa foi tirar Sam Witwicky (Shia LaBeouf) do papel de nerd coitadinho para fodão porra-louca. Fracasso total. A mudança pareceu artificial e sem sentido. Um dos piores momentos do filme é quando o jovem herói ingressa na faculdade e deixa para trás a família de [forçadamente] malucos, seu "transformer de estimação" Bumblebee (voz de Mark Ryan) e a namorada Mikaela Banes (Megan Fox). Ela é um caso a parte. Abusaram tanto do apelo sexual que a pobre virou uma [quase] boneca inflável: boca aberta e vontade de ser feliz.

Mas o principal defeito de Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados é falta de argumentos convincentes para a história. Fato que deixa o filme sem graça e muito sonolento. Nem mesmo a disputa política entre os Autobots e o governo dos EUA conseguiu dinamizar o roteiro. Fiquei até o último segundo esperando a tal vingança prometida no título. Ela não veio. Pior do que isso foi vê toda a mitológica altivez dos Decepticons jogada ao lixo, como se fosse um brinquedo velho que não tem mais valor. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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domingo, 11 de outubro de 2009 às 00:32

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Ano Um: monótona comédia sobre proibições e excentricidade dos deuses

Ano UmDesde pequeno cultivo uma curiosidade sobre a pré-história. Tudo começou na longínqua sexta série do primário. De lá pra cá pouca coisa apareceu de interessante. As exceções são "Os Flintstones" e "Família Dinossauros", em especial essa última, que conseguia fritar meu cérebro a cada "querida, cheguei". Recentemente tivemos a divertida aventura "10.000 A.C." (leia a resenha), mas é pouco para o enorme potencial desse universo.

Ano Um (Year One, 2009), comédia produzida por Judd Apatow – responsável pelo sucesso de "Superbad - É Hoje" (leia a resenha) – não nasceu com a responsabilidade de preencher essa lacuna criativa da pré-história. Porém, desde o começo entendi que esse seria um filme sobre as desventuras dos homens das cavernas. E fazer humor numa sociedade tão bizarra não deve ser difícil. "A Guerra do Fogo" (1981) conseguiu isso sem esforço.

Ano UmAno Um

Mas ao contrário do que imaginei, Ano Um não se resume à dinâmica social das cavernas. Na verdade a comédia explora o tema apenas como argumento para "recontar" o Velho Testamento. Os protagonistas são Zed (Jack Black) e Oh (Michael Cera), dois caçadores trapalhões de uma comunidade primata. Expulsos da tribo, eles acabam conhecendo Caim, Abel, Isaac, Abraão e outras figuras bíblicas. Juntos tentarão organizar a bagunça e escrever um novo capítulo no livro sagrado.

De forma geral a comédia faz uma severa crítica às proibições e excentricidades divinas, incluindo os sacrifícios físicos que os deuses costumam pedir, como: matança de virgens, assassinato de filhos e circuncisão em crianças. Fora isso Ano Um é monótono, sem graça e de extremo mau gosto. Um total e absoluto desrespeito à cristandade e seus agentes. Para brincar com um assunto tão complexo é preciso um pouco de inteligência e muita responsabilidade, duas coisas estranhas ao filme. Nota 1/5

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terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 23:57

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Arrasta-me para o Inferno: divertido terror sobre a volta triunfal do satanismo

Arrasta-me para o InfernoEm 2002 a revista Superinteressante escreveu: "O Diabo chega ao século XXI deitado sobre a fama arrecadada ao longo do tempo. O Diabo teve que ceder aos progressos da ciência, à liberdade de pensamento e ao avanço da razão sobre a superstição. Mas é inegável que, mesmo reduzido à idéia original que o criou, ele continua influente em nossos dias, qualquer que seja a classe social, o nível cultural ou a nacionalidade das pessoas. Não é exagero dizer que, de certa forma, o velho e mau Satã tem sido revalorizado nos últimos tempos."

É tão verdade que ontem passou um documentário no "History Channel" justamente sobre isso. O programa citava a influência da ira (pecado capital favorito do Tinhoso) nas relações sociais. O texto explorava o organograma do inferno, citando os demônios e sua estrutura de poder. Como uma verdadeira empresa, cada atividade fica a cargo de um dos chifrudos. A reportagem não citou Baphomet, uma espécie de bode humanóide, mas nele reside uma das representações mais importantes do satanismo.

Arrasta-me para o InfernoArrasta-me para o Inferno

Sam Raimi (diretor dos três filmes do Homem-Aranha) pegou essa figura mitológica e criou uma nova lenda: Lamia. No filme de terror Arrasta-me para o Inferno (Drag Me To Hell, 2009), o demônio é invocado pela velha maluca Sylvia Ganush (Lorna Raver), que lança a maldição na pobre Christine Brown (Alison Lohman). A menina então tem três dias para se livrar desse encosto. Com ajuda do namorado Clay Dalton (Justin Long) ela precisará de muita coragem (e dinheiro) para enfrentar a besta antes de ser tragada para o inferno.

Arrasta-me para o Inferno é divertido. Fiquei surpreso com a qualidade no acabamento visual. O ritmo da história é outro ponto forte, mantendo o clima tenso o tempo todo. Gostei também das cenas durante o dia, com demônios atacando sob a luz do sol. O roteiro, apesar de simples, propicia alguns subtramas interessantes, tentando tornar o filme mais próximo da vida real. Cheguei a pensar numa espécie de volta triunfal do satanismo, mas não chega a tanto. Arrasta-me para o Inferno está longe da supervalorização que a mídia especializada anda fazendo. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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