domingo, 28 de fevereiro de 2010 às 15:00

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Nine: um musical metalinguístico

Nota 5/5
Nine
Nine (Nine, 2009) é uma produção que em nenhum momento quis ser modesta. O filme conta com um elenco de peso, pois recriar um musical da Broadway nas telas nunca é algo simples e com a carga dramática prometida, somente com um elenco a altura.

Antes musical era uma regra no cinema de Hollywood, porém com o tempo esse tipo de filme foi perdendo terreno, até sumir completamente, porém como o estilo não morreu no teatro, estamos assistindo a volta desse ao cinema.

Em Nine, somos apresentados a Guido Contini (Daniel Day-Lewis) que interpreta um famoso cineastra italiano que está sendo consumido por sua própria fama e desde os sucessos dos primeiros filmes, não consegue mais emplacar um grande sucesso, seus dois últimos filmes são tidos como fracassos.

Guido terá que fazer um filme, porém encontra-se sem roteiro, apenas com o nome do projeto em mente e como a história irá se desenrolar, porém ele não consegue colocar no papel em palavras, parte do problema de inspiração é devido a uma vida com muitos excessos, pois apesar de casado ele possui uma amante, tem que mentir a respeito do roteiro do filme e vive praticamente numa mentira.

Nine

Nine é em parte o filme que Guido quer criar e não consegue se desenrolando em frente aos nossos olhos, e sendo sete os pecados capitais, temos sete mulheres em torno do diretor Guido Contini, ora o guiando: Judi Dench ou Sophia Loren, ora o tentando: Fergie, Kate Hudson, Nicole Kidman, Marion Cotillard e Penélope Cruz.

Nine em nenhum momento não tenta ser menos do que grandioso, cenários enormes retratando o que deveria ser um set de filmagem da Cinecittà, musicas com um peso dramático e uma iluminação enfatizando o jogo de luz e sombra, que seria os sentimentos contraditórios vividos por Guido.

Na construção da história é mostrando a luta de se montar um filme, as peças envolvidas, o drama e pressão que passa o diretor, temos uma clara construção metalingüística, onde passivamente embarcamos na vida de Guido sem pedir permissão e esses nos levas ao auge de sua loucura até a cura e por fim sua redenção.

Pesquisando o motivo do nome do musical ser Nine, encontrei a resposta no bolsademulher: Nine é inspirado pelo filme autobiográfico de Federico Fellini, "Oito e Meio".

Veja o trailer:

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 às 21:02

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Bastardos Inglórios: elenco inspirado reescreve a história do pesadelo nazista

Nota 4/5
Bastardos Inglórios
Adolf Hitler. Não existe personagem mais estudado na história da humanidade. Quase todos os dias têm alguém falando dele. O passado, as influências, as ideias, estratégias, ações. E quanto mais conheço, menos entendo. Como ele conseguiu passar tanto tempo no poder? Planos para assassinar o ditador alemão existiram vários. Nenhum deu certo. O safado do Führer sempre conseguia escapar ileso.

Bem... Isso até Quentin Tarantino reescrever a história. Em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009), seu recente trabalho, ele populariza um dos segredos mais bem guardados da Segunda Guerra Mundial: a existência de um pelotão de soldados judaicos, que desembarcou na França durante a Batalha da Normandia, com o objetivo de matar (cruelmente) nazistas.

Bastardos Inglórios Bastardos Inglórios

Logo na cena de abertura, Bastardos Inglórios nos seduz ao prazer da carne. Tudo começa quando a menina Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) testemunha a execução de sua família pelo coronel Hans Landa (Christoph Waltz). A cena é arrepiante! Sozinha justificaria a indicação que o ator recebeu ao Oscar. Falando nisso, o filme concorre em oito categorias, incluindo Melhor Filme e Direção.

Tanto interesse da crítica não é por acaso, o filme realmente é muito bom. Porém, achei a segunda metade um pouco burocrática. A história perdeu o gás inicial. Demorou demais o processo de articulação para derrubar a linha de frente do Partido Nazista. Também não gostei do enorme espaço dado para as tramas paralelas. Resultado: faltou tempo para mergulhar no terror que se espalhou pelo Terceiro Reich.

Bastardos Inglórios Bastardos Inglórios

Há também o fato de que Bastardos Inglórios é um filme de guerra, portanto, o mais limitado da filmografia tarantinesca. A sorte foi ter encontrado um Christoph Waltz inspirado. O ator austríaco é a própria encarnação da suástica alemã. Brad Pitt, no papel do tenente Aldo Raine, também está muito divertido. Merecia mais espaço. Enfim, Bastardos Inglórios é um elenco inspirado pronto para reescrever a história do pesadelo nazista.

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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domingo, 7 de fevereiro de 2010 às 14:32

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Guerra ao Terror: a contagem regressiva de um ciclo interminável

Nota 5/5
Guerra ao Terror
O homem vive em guerra. Ao longo da vida enfrenta doenças, caos urbano, tragédias familiares, violência. Constantemente está exposto a riscos que não controla. É um vizinho psicopata, um chefe carrasco, um irmão egoísta, um juiz corrupto. A ameaça é real. O instinto faz o homem lutar por sobrevivência, mas no fundo, ele pensa: para quê viver? E essa é a pior das guerras. O homem busca um sentido para vida, não encontra...

A cineasta Kathryn Bigelow resolveu mostrar como isso funciona na prática. Em seu filme Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008) ela acompanha o dia-a-dia de um esquadrão anti-bombas do exército americano no Iraque. Pode apostar que não existe profissão mais perigosa. Um descuido e buuumm! Tripas para o ar. Nessas horas é bom ficar longe. Um artefato pequeno é capaz de devastar quarteirões. Bom para os yankees que tem grana pra tecnologia.

Guerra ao Terror Guerra ao Terror

Robôs, tanques, roupas especiais. Tudo isso ajuda, mas nada substitui o homem. A prova é o sargento William James (Jeremy Renner). O cara é o campeão mundial em desarmamento de bombas. Sabe aquele lance de escolher entre o fiozinho vermelho e o verde? Pois é, o sujeito acerta todas. Sorte dele e dos colegas JT Sanborn (Anthony Mackie) e Brian Geraghty (Owen Eldridge), que vivem em contagem regressiva para o fim do pesadelo.

E justamente como um relógio, Guerra ao Terror é um ciclo interminável. O estilo é documental, as imagens chegam à altura dos olhos. Lado a lado com os soldados somos capazes de sentir o gostinho da poeira, o calor dos uniformes, a agonia do desconhecido. A realidade ao extremo, empregada pela cineasta, fez tanto sucesso que o filme recebeu nove indicações ao Oscar 2010. Pra mim é o único capaz de bater "Avatar" (leia a resenha) na briga dos maiores prêmios.

Guerra ao Terror Guerra ao Terror

Independente do resultado, Guerra ao Terror já deixou seu legado ao nos obrigar a repensar o sentido da vida, afinal, não é fácil entender a cabeça de um soldado. Só espero que o filme não vença o prêmio. Pra mim seria transformar em pipoca uma realidade que deveria nos envergonhar. A guerra é nosso fardo, devemos carregá-lo, mas nunca cair na tentação de chamá-la de arte.

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 às 06:00

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Vampiros em Dallas: sequestro e religião

Vampiros em DallasEm Vampiros em Dallas (Editora Arx, 2009), Sookie e Bill namoram firme e sua relação pelo menos é tolerada pela pequena cidade de Bon Temps, porém outro assassinato ocorre, que irá, dessa vez colocar o detetive Andy Bellefleur na suspeita, já que o cozinheiro gay do Merllote, Lafayette, foi encontrado morto em seu carro, no dia anterior a um grande "porre" de Andy.

Nesse livro vemos que a vida dá muitas voltas, pois no livro passado Andy perseguiu Jason pela suspeita dos assassinatos que vinham ocorrendo na cidade e agora, ele precisará da ajuda e do dom de Sookie para provar sua inocência.

Paralelamente a esses acontecimentos, Eric como chefe da zona onde mora Bill, resolve emprestar Sookie para vampiros de outra zona dos Estados Unidos, devido ao sumiço de um vampiro que pertence a um ninho influente em Dallas.

Em Dallas, o preconceito contra os vampiros ainda encontra-se presente, porém existe nela uma estrutura melhor para atender aos seres da noite, como prédios preparados para recepcioná-los e protegê-los durante o dia, além de um serviço de quarto personalizado, com pessoas devidamente prontas a literalmente darem seus sangues aos hospedes.

O serviço de Sookie é oferecido a Stan, outro vampiro dono de um bar em Dallas, vampiros se encaixam bem nesse ramo de trabalho. Ela passa a entrevistar os funcionários humanos do estabelecimento, pois ela lendo as mentes é mais rápido e indolor que os métodos de torturas que os vampiros eventualmente utilizariam e nessas pesquisas ela descobre o momento que o vampiro sumiu, porém nada é fácil na vida e nos trabalhos que ela enfrenta e esse não será diferente, dessa vez ela ficará no meio da guerra entre vampiros e a irmandade do sol, grupo cristão contra vampiros.

Em Vampiros em Dallas encontramos uma história bem mais voltada para o sobrenatural, muita coisa acontece em Bon Temps e em Dallas e Sookie terá que encontrar um vampiro desaparecido e solucionar a morte de seu amigo Lafayette, mesmo que isso a contra vontade inocente Andy que no passado quis prender seu irmão.

Nesse livro os encontros amorosos entre Sookie e Bill são mais constantes, a autora parece gostar de preencher os capítulos com imagens eróticas, mas ela também consegue contrabalancear com um ótimo diálogo entre Sookie e Godfrey, um diálogo de tolerância pouco praticado nos tempos de hoje. Nota 3/5
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